Fim do Flash resulta em travamento de linha de trem na China; entenda

Fim do Flash resulta em travamento de linha de trem na China; entenda

Por Ramon de Souza | 26 de Janeiro de 2021 às 08h40
Reprodução/Top Gear Philippines

Famosa por ter incentivado a criação de joguinhos online, animações engraçadas e interfaces web de estética questionável nos anos 2000, a plataforma Flash, da Adobe, morreu oficialmente no dia 12 de janeiro. A companhia parou de prestar suporte ao Flash Player desde o dia 31 de dezembro de 2020, mas só 12 dias depois o software foi desligado de forma forçada nas máquinas de quem ainda o mantinha instalado.

Acontece que, diferente do que muitos imaginam, tal linguagem não serve apenas para criar obras de entretenimento — ela também poderia ser empregada em projetos de automação e até para fins industriais. E, acredite ou não, mas a despeito dos frequentes alertas da Adobe a respeito do iminente fim do Flash, uma linha de trem na China “travou” completamente por mais de 20 horas, já que sua operação era baseada no Flash Player.

Não, você não leu errado. Uma via férrea inteira — redes de controles responsáveis por transportar pessoas e comandar vagões — era gerenciada pela mesma linguagem usada para criar aqueles joguinhos toscos que divertiam a web duas décadas atrás. O fato curioso aconteceu na cidade de Dalian, que fica ao sul da península de Liaoning; o incidente obrigou as autoridades a formar uma força-tarefa para resolver a questão.

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Mais incrível ainda é a forma como os órgãos competentes consertaram a ferrovia. Em vez de construí-la usando uma linguagem mais moderna e uma arquitetura que ainda esteja recebendo atualizações de segurança, eles preferiram instalar uma versão pirateada do Adobe Flash em seus próprios servidores, conseguindo assim ativar novamente o Flash Player nas máquinas usadas para comandar e gerenciar os trens.

Vale lembrar que a Adobe já anunciava a morte do Flash desde 2017; logo, Dalian teve bastante tempo para modernizar suas infraestruturas críticas. Infelizmente, para a população local, só resta o temor de se locomover em trens movidos a uma linguagem “morta” e que não recebe mais atualizações de segurança — isso certamente abrirá brechas para ataques cibernéticos.

Fonte: Jalopnik

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