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Do lixo ao lucro: Intel cresce em 2026 vendendo silício que seria descartado

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Intel
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Existem oportunidades em qualquer situação. A atual crise na indústria de hardware é ruim para o consumidor por conta dos preços que não param de subir, mas extremamente lucrativa para as empresas, que têm vendido até sucata, e pior: tem quem compre. Esse parece ser o caso da Intel que, segundo um novo relato, está transformando dies que seriam jogados fora em processadores por causa da demanda da IA.

Para entender o caso, precisamos falar de yield (aproveitamento) na fabricação de chips. Nem todo silício que sai do wafer é perfeito.

Historicamente, se um chip apresentasse defeitos em núcleos críticos ou não atingisse as frequências mínimas de operação, ele era descartado como sucata mesmo.

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Desespero é tamanho, que data centers estão aceitando "qualquer coisa"

Porém a explosão da inteligência artificial criou um gargalo sem precedentes. Com a demanda superando a oferta de hardware em níveis nunca visto antes, os clientes (grandes data centers a montadoras de sistemas) estão mais dispostos a aceitar chips com expectativas menores de rendimento ou especificações reduzidas, desde que eles entreguem algum nível de processamento funcional.

Ao vender o que antes era considerado inútil, a Intel consegue melhorar seus índices de aproveitamento de produção, já que produz em cima do que seria descartado, e gera receita em cima de um custo que já havia sido gasto.

No mais recente relatório fiscal da Intel, referente ao primeiro trimestre de 2026, a empresa surpreendeu o mercado ao registrar uma receita de US$ 13,6 bilhões, um crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa informação não-oficial vem logo depois desse resultado, indicando que as vendas de "chips sucatas" podem ter ajudado de alguma forma.

O fenômeno não é exclusivo da Intel, mas a escala em que o Time Azul está operando essa conversão de sucata em produto chama a atenção. Para quem precisa treinar modelos de IA ou manter servidores rodando, um chip "ok" entregue hoje é muito melhor que um perfeito que só chega daqui a alguns meses.

Enquanto isso, o Google, big tech que usa CPUs da Intel, apresentou recentemente seus novos chips para IA.

Fonte: Ben Bajarin