Google apresenta novos chips para IA com foco em velocidade e escala
Por Fernanda Santos |

O Google Cloud Next, principal evento anual do Google voltado à nuvem e inteligência artificial, foi o palco escolhido pela empresa para apresentar a nova geração de seus chips de IA, as TPUs de 8ª geração.
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O anúncio foi detalhado por Amin Vahdat, SVP e Chief Technologist de IA e infraestrutura do Google, durante um encontro exclusivo com jornalistas e parceiros. Na ocasião, o executivo destacou os desafios de escalar sistemas de inteligência artificial cada vez mais complexos.
Dois chips para um novo momento da IA
A nova geração marca uma mudança importante na estratégia do Google: em vez de um único tipo de chip, a empresa passa a trabalhar com duas arquiteturas distintas, pensadas para funções diferentes.
De um lado está a TPU 8t, voltada para o treinamento de modelos, etapa que exige alto volume de processamento e é responsável por desenvolver sistemas cada vez mais avançados.
Do outro, a TPU 8i foi projetada para a execução desses modelos, com foco em respostas rápidas e operação contínua. É esse tipo de uso que sustenta aplicações em tempo real, especialmente em um cenário em que a IA passa a operar de forma constante por meio dos agentes
Segundo o Google, a combinação das duas arquiteturas pode gerar até 80% de ganho em desempenho por dólar em relação à geração anterior.
O desafio não é só potência
Durante a conversa, Vahdat deixou claro que o avanço da inteligência artificial não depende apenas de chips mais rápidos, mas da capacidade de operar tudo isso em escala.
Hoje, segundo ele, esses sistemas podem envolver dezenas de milhares de chips trabalhando de forma coordenada, que muda completamente o tipo de problema que precisa ser resolvido.
Na prática, isso significa que a infraestrutura precisa ser capaz não só de processar grandes volumes de dados, mas de manter tudo funcionando de forma estável, mesmo em ambientes altamente complexos.
Evolução em ritmo acelerado
Outro ponto que chamou atenção foi a velocidade de avanço da tecnologia.
De acordo com o Google, a nova geração de TPUs traz ganhos que vão de 2 a 10 vezes em diferentes métricas, além de melhorias em memória e comunicação entre chips.
Esse ritmo de evolução, segundo a empresa, vem abrindo espaço para aplicações que até pouco tempo eram consideradas inviáveis.
Base para a nova fase da IA
Os novos chips também aparecem diretamente conectados à principal aposta do Google para a inteligência artificial: sistemas mais autônomos, capazes de executar tarefas e operar de forma contínua.
Nesse cenário, a demanda por processamento cresce, não apenas para treinar modelos, mas para sustentar múltiplos sistemas funcionando ao mesmo tempo.
É essa base que permite que a IA avance de experimentos isolados para uso real em larga escala.
O que está em jogo
Embora menos visível para o público, a infraestrutura tornou-se uma das peças centrais na corrida pela inteligência artificial.
No fim das contas, quem conseguir rodar esses sistemas com mais eficiência, estabilidade e menor custo terá vantagem para escalar a tecnologia e levá-la para mais produtos e serviços.
*A jornalista viajou a Las Vegas a convite do Google para a cobertura do evento