Primeiro transistor 3D brasileiro acaba de ser criado por pesquisadores da USP

Por Redação | 19.01.2013 às 15:33

Um grupo de pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas e do Centro Universitário da FEI revelou, em dezembro de 2012, que o Brasil havia conseguido projetar e fabricar seu primeiro transistor 3D. Saiu na Info.

O novo modelo de transistor difere dos tradicionais por ser construído na vertical, e não na horizontal. Além disso, em vez de usar uma porta para corrente elétrica apenas na face superior, os novos componentes podem se conectar pelas paredes laterais, totalizando três portas para passagem de energia. O protótipo nacional conta com 50 nm de largura, 10 nm de altura e 1000 nm de comprimento, o que equivale ao diâmetro de um fio de cabelo.

De acordo com João Antônio Martino, cientista e professor que coordena o projeto, o aumento do número de portas "mais do que dobra a capacidade de processamento do circuito".

A grande vantagem desta nova tecnologia é o favorecimento de uma nova geração de circuitos, que terão maior capacidade de processamento e de memória, menor tamanho e menos peso. Os componentes menores poderiam equipar os novos gadgets que estão começando a surgir no mercado, a exemplo de smartphones, tablets e dispositivos delicados.

Apesar do protótipo ser o primeiro do Brasil, a tecnologia de transístores 3D já é utilizada lá fora. No ano passado, a Intel lançou o primeiro processador que usa a arquitetura, o Ivy Bridge, componente de notebooks e Ultrabooks de alta performance. De acordo com Martino, o Ivy Bridge combina de 15 a 20 camadas de transistores, enquanto o modelo brasileiro conta com apenas três (que podem ser ampliadas em número, caso o circuito exija).

Até o momento, o transístor 3D brasileiro não saiu das salas e laboratórios de pesquisa. Ainda é preciso percorrer um longo trajeto de parcerias com empresas para lançá-lo no mercado. Segundo o pesquisador, apenas duas fábricas nacionais possuem tecnologia viável para fabricar os novos modelos: a CEITEC, em Porto Alegre, RS, e a Six Semicondutores, que deve começar a operar em 2014 em Ribeirão das Neves, MG.