Vazamento expõe dados de 186 milhões de eleitores norte-americanos

Por Felipe Demartini | 22 de Outubro de 2020 às 14h03
Free-Photos/Pixabay

Um gigantesco banco de dados com informações de 186 milhões de eleitores dos Estados Unidos foi localizado, à venda, em um fórum dedicado a hacking. O volume comprometido traz informações como nome, endereço, idade, gênero, dados de contato e até afiliações políticas dos registrados para participarem das eleições presidenciais deste ano, que estão marcadas para acontecerem em novembro.

De acordo com as informações da Trustwave, empresa de segurança digital responsável pela descoberta, o total representaria, virtualmente, todos os eleitores registrados para participarem do pleito. Em 2016, por exemplo, foram 126 milhões de votantes nas eleições presidenciais, uma baixa história nesse número, que analistas preveem ser revertida na disputa do próximo mês devido ao clima de polarização política instalado nos EUA.

Seja como for, o volume é grande o suficiente para constituir uma grave brecha na privacidade de quase duas centenas de americanos. O hacker responsável pela venda, identificado apenas como GreenMoon2019, não confirmou a origem do banco de dados nem revelou o valor pedido pelo conjunto, solicitando que os interessados entrassem em contato diretamente. Uma carteira de Bitcoins usada por ele teria recebido mais de US$ 100 milhões em pagamentos, o que indicaria que a venda dos dados estaria acontecendo.

O banco de dados traria uma mistura de dados privados com informações públicas, que teriam vazado a partir de órgãos eleitorais do estado da Carolina do Norte. Enquanto membros do fórum em que as informações estão sendo vendidas discutem sobre o caso, as autoridades minimizaram a situação, com o NCSBE, que regula as eleições no território, afirmando que o volume traz apenas registros públicos, sem revelar exatamente como chegaram a essa conclusão.

A presença de afiliações políticas em meio ao volume vazado é particularmente perigosa, por aparecer ao lado de dados de contato, no contexto das eleições. A ideia é que eleitores podem ser vítimas de ataques de phishing, uma ameaça que sempre existe em situações desse tipo, se une à possibilidade de intimidações ou extorsões de acordo com o alinhamento de cada indivíduo, com terceiros maliciosos podendo usar as informações vazadas para manipular a ideia às urnas e a escolha a ser feita.

Além disso, a Trustwave chama a atenção para campanhas de fake news e desinformação voltadas para desincentivar o voto em um determinado candidato, com até mesmo agentes políticos utilizando tais dados em prol de um ou outro partido. A empresa de segurança alerta, ainda, para o fato de este perigo estar relacionado não apenas aos próprios americanos, mas também a agentes externos que já foram acusados ou indiciados de manipulação eleitoral antes.

O vazamento acontece apenas dias depois de o FBI emitir um alerta, principalmente, aos eleitores do estado americano da Flórida. E-mails com tentativas de phishing, fake news ou intimidações estariam sendo enviados a eleitores do território por agentes ligados aos governos da Rússia e Irã. Ambos teriam obtido acesso a dados pessoais dos votantes e, no caso do segundo país, a campanha seria voltada a causar revolta social e prejudicar a campanha do presidente Donald Trump, candidato à reeleição.

Não se sabe, porém, se os dois casos estão relacionados e, muito menos, quantas vezes o banco de dados vazado foi vendido. As autoridades federais americanas ainda não se pronunciaram sobre o suposto vazamento, mas no início da semana, o FBI pediu cautela aos eleitores, mas também, que eles não se deixassem intimidar, indo às urnas no dia da eleição e mantendo confiança de que o sistema de votações permanece seguro.

Fonte: TechRadar, Vox  

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