Empresa de reconhecimento facial que busca dados em redes sociais é hackeada

Por Claudio Yuge | 27 de Fevereiro de 2020 às 07h30
Yahoo News

Desde que surgiu, a companhia Clearview AI tem sido questionada pelos seus métodos de rastreamento para reconhecimento facial. Isso porque ela usa informações expostas em redes sociais ou de buscadores como o Google para identificar as pessoas. Sua utilização passou a levantar ainda mais polêmica quando a empresa passou a costurar contratos com agências policiais ligadas a governos. Nesta quarta-feira (26), a startup alertou que “um invasor obteve acesso não autorizado” teve acesso aos seus bancos de dados.

De acordo com a nota, os hackers tiveram em mãos a lista de clientes, o número de contas de usuários e até as pesquisas que eles realizaram — não foi divulgado o total de quantas pessoas teriam sido afetadas . A Clearview AI assegura que seus servidores não foram violados e que "não houve comprometimento dos sistemas ou da rede da Clearview AI". A empresa também disse que corrigiu a vulnerabilidade e que o criminoso não conseguiu o histórico de pesquisa das agências policiais.

Imagem: Reprodução/Biometric Update

Vale destacar que uma matéria recente do Buzzfeed News revelou o planejamento da Clearview AI de rápida expansão internacional. Entre os países classificados com “liderança autoritária” estão Emirados Árabes Unidos, Catar e Brasil — por enquanto, não há sinal de negócios com o governo brasileiro, mas pode ser que a empresa seja uma das parceiras para a possível instalação de monitoramento de indivíduos por aqui.

Companhia vem gerando polêmica 

Segundo o The New York Times, a empresa retirou 3 bilhões de imagens da Internet, incluindo do Facebook, YouTube e Venmo — o que viola os termos de serviço do Facebook, por exemplo. A Clearview AI também criou uma ferramenta que usa esses dados em conjunto com os registros policiais, com o objetivo de identificar crianças vítimas de abuso sexual. Esse recurso é amplamente elogiado por autoridades e policiais.

Contudo, a tecnologia de reconhecimento facial — que combina fotos de vítimas ou suspeitos não identificados com enormes bancos de dados de fotos — há muito tempo recebe críticas intensas de defensores de informações pessoais nas web. Críticos no Canadá e nos Estados Unidos levantaram preocupações sobre a falta de permissão das pessoas que aparecem nas fotos e potenciais usos indevidos da tecnologia. Eles argumentam que isso poderia significar essencialmente o fim da privacidade, especialmente devido à proliferação de câmeras de segurança em locais públicos.

Fonte: Mashable  

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