Após ataque hacker, Sony volta a um mundo de fax, impressoras e PCs sem internet

Por Redação | 18 de Dezembro de 2014 às 11h48

“As pessoas agora falam umas com as outras”. É essa uma das principais mudanças na rotina dos escritórios da Sony Pictures nos Estados Unidos após o recente ataque hacker que levou ao vazamento de informações pessoais dos funcionários, filmes e outros ataques diretos à empresa. Enquanto a produtora trabalha para se reerguer e voltar ao ritmo normal, uma funcionária detalhou ao Tech Crunch a situação atual para quem trabalha por lá. E a impressão é que a companhia voltou a 1992.

Falando sem revelar o seu nome, ela explica que, logo que a poeira do ataque hacker baixou, a empresa ordenou que velhas impressoras e aparelhos de fax fossem trazidos de seus depósitos. Agora, a maioria dos funcionários trabalha sem internet, emails são um luxo para poucos e cheques para pagamento de fornecedores e atores são feitos à mão, enquanto a Sony revisa sua estrutura tecnológica para garantir que problemas como os que vêm acontecendo jamais se repitam.

Em um comunicado interno, a Sony prometeu também auxiliar seus funcionários em relação ao roubo de arquivos que se seguiu ao ataque. Para muitos, incluindo os afetados pelo golpe, é aqui que está o principal problema. Documentos, informações pessoais e até dados bancários foram roubados e liberados na internet como parte da ação dos hackers, e isso envolveu não apenas atores como Angelina Jolie e Jonah Hill, mas também produtores, executivos, empregados terceirizados e gente de todos os escalões da corporação.

A própria fonte do Tech Crunch explica que percebeu uma invasão em sua conta bancária no dia em que o grupo conhecido como Guardians of Peace atacou a Sony. De início, ela julgou ser apenas uma coincidência, até que outros colegas começaram a relatar a mesma situação e, rapidamente, todos perceberam que a coisa era mais grave do que parecia ser.

Além disso, muita informação foi perdida como parte do ataque. Ela cita que boa parte dos funcionários da Sony tem pouco conhecimento tecnológico e, sendo assim, existiam máquinas na companhia que não possuíam backups, enquanto outras rodavam – e ainda funcionam com – softwares desatualizados, que podem levar a novos golpes no futuro. Temos aqui mais uma questão em que a empresa está trabalhando para mudar.

Por outro lado, existem sim os benefícios de toda essa situação. De acordo com a entrevistada, a gerência da Sony está aproveitando a oportunidade para reaproximar os funcionários e realmente investir em uma cultura na qual as pessoas se falem mais e dependam menos de mensageiros instantâneos e emails. Nem mesmo o uso de telefones é incentivado – pelo contrário, a produtora quer que seus funcionários voltem a se comunicar oralmente, principalmente quando se trata de questões que envolvem múltiplos departamentos.

Aqui, acima de tudo, é uma questão de evitar que mais casos como este aconteçam. Muitos dos rumores e até mesmo situações pouco positivas para a Sony, que acabaram vazando, se devem justamente ao fato de produtores e outros funcionários terem usado emails para se comunicar sobre questões ou opiniões extremamente pessoais. Nada disso teria acontecido, claro, se eles tivessem efetivamente conversado entre si, em vez de utilizarem o sistema corporativo para isso.

Apesar de tudo, a fonte do Tech Crunch afirma que os escritórios estão voltando à sua velha forma. Os trabalhos vêm acontecendo em um ritmo mais lento, claro, mas todos continuam em seus expedientes normais. Quem utilizava computadores da Apple, por exemplo, continua com suas máquinas, enquanto outros esperam a chegada de novos PCs e um sistema de proteção de dados mais eficiente. Enquanto isso, utilizam iPhones, iPads e outros dispositivos mobile para realizarem suas tarefas diárias. Um sistema de email emergencial também está ativo, mas é usado apenas quando necessário e não permite arquivos anexos.

Ainda deve levar um longo tempo para que tudo volte ao normal, e mais ainda até que os efeitos do vazamento de informações sejam esquecidos. Enquanto isso, o FBI permanece investigando a questão e, inclusive, afirma que a Coreia do Norte esteve mesmo por trás dos ataques, que estariam ligados ao filme “A Entrevista”, com James Franco e Seth Rogen.

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