Real digital está em fase avançada e pode se concretizar em 2022

Real digital está em fase avançada e pode se concretizar em 2022

Por Felipe Gugelmin | Editado por Claudio Yuge | 25 de Agosto de 2021 às 21h40
Divulgação/Ikzmiranda/Pixabay

Após implementar com sucesso o PIX no Brasil, o Banco Central (BC) está concentrando atenções em um novo projeto ambicioso: o Real Digital. Segundo o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, o grupo de trabalho responsável pelos estudos da moeda digital está em fase avançada e há expectativa de que ela possa virar realidade em 2022 ou, no mais tardar, em 2023.

“Estamos começando a falar sobre a tecnologia que vai ser usada”, explicou Campos Neto durante o evento Expert XP, realizado na última terça-feira (24). Sem entrar em detalhes sobre o assunto, o executivo afirmou que o BC já encontrou respostas para alguns questionamentos importantes e que o projeto está avançado com grande velocidade.

Segundo dados da instituição, a criação de moedas digitais já interessa a 85% dos bancos centrais do mundo. Ao contrário do que acontece com criptomoedas como o Bitcoin, o Real Digital terá lastro do Banco Central e valor que corresponde ao do dinheiro físico emitido atualmente.

“É o Real que não tem existência física”, explica Fabio Araujo, coordenador dos trabalhos sobre a moeda no Banco Central. “O Banco Central emitiria esse recurso. Da mesma forma que ele emite o Real físico, emitiria um Real no formato digital. Esse recurso é distribuído através das instituições do sistema de pagamento”, afirmou ao site PB Agora.

Diminuição de custos e inovação

Araujo explica que a diferença entre o Real Digital e métodos como o PIX pode ser difícil de entender devido aos grandes avanços dos sistemas de pagamento nacionais. Ele afirma que a moeda digital permite movimentar reais que não existem fisicamente, o que implicaria na diminuição de custos de emissão da moeda física e a facilitação da implementação de inovações tecnológicas como os contratos inteligentes.

Imagem: Divulgação/Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Na prática, a moeda digital não deve substituir a emissão de dinheiro físico, mas sim atuar como uma opção complementar para os cidadãos. Entre as facilidades apontadas por Araujo está a possibilidade de realizar a transferência de propriedades e do dinheiro devido de forma simultânea, ou situações em que os itens adicionados a uma cesta de mercado são pagos automaticamente, dispensando a necessidade de enfrentar filas.

Em maio deste ano, o Banco Central divulgou uma nota com diretrizes que devem ser seguidas no desenvolvimento da moeda digital brasileira. Entre elas está a necessidade de adotar pagamentos offline, que seriam feitos através da transferência de valores contidos em carteiras virtuais armazenadas junto aos usuários — tecnologias como os códigos QR e o Bluetooth surgiriam como forma de viabilizar as transações.

Até o momento o BC continua a fase de estudos para a implementação do Real Digital e não trabalha com uma data específica para seu lançamento. A previsão é que, quando a moeda receber seu lançamento, ela trabalhe com todos os métodos de pagamento já existentes, bem como se conecte a outros bancos centrais ao redor do mundo, permitindo a realização de transações financeiras com outros países.

Fonte: Poder360, PB Agora

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