FBI teria ferramenta capaz de desbloquear qualquer iPhone

Por Rafael Rodrigues da Silva | 16 de Janeiro de 2020 às 20h52
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Nesta quarta-feira (15), uma reportagem da Forbes revelou que o FBI utilizou um equipamento chamado GrayKey para desbloquear e ter acesso a todos os arquivos existentes no iPhone 11 Pro Max de uma investigação criminal no estado de Ohio no ano passado.

Essa revelação coloca em dúvida o real motivo do FBI estar criticando a Apple por não cooperar em investigações criminais ao se recusar a desbloquear aparelhos, quando, segundo a reportagem, o próprio FBI possui uma ferramenta capaz de fazer isso.

De acordo com a Forbes, o governo dos Estados Unidos investiu US$ 1 milhão para desenvolver o GrayKey, que seria a ferramenta mais avançada do mundo para hackear qualquer iPhone, quebrando senhas ou proteções que o aparelho possua e que dão acesso a todos os arquivos do usuário.

O aparelho teria sido desenvolvido pela GrayShift, empresa de Atlanta fundada por um ex-engenheiro de segurança da Apple, e consistiria de uma pequena caixa de 10x5 cm que, ao ser conectada a um iPhone, consegue destravá-lo completamente em questão de horas.

A revista também entrou em contato com o advogado que representou o acusado neste caso de Ohio, e ele afirmou que em nenhum momento seu cliente forneceu senhas ou permitiu que o FBI usasse o rosto dele para desbloquear o aparelho com o Face ID, deixando claro que a única forma dos agentes terem conseguido acesso aos arquivos de seu cliente foi com o uso de algum programa específico.

Na última semana, a Apple foi duramente criticada pelo Promotor Geral da República dos Estados Unidos, William Barr, que acusa a empresa de não cooperar na investigação sobre o estudante de aviação que matou três pessoas na base área de Pensacola, no estado da Califórnia, e exige que a empresa crie uma “backdoor” que permitiria destravar qualquer iPhone mesmo sem a autorização do usuário.

A Apple tem mantido a versão de que está fazendo o possível para ajudar nas investigações, mas que nunca irá criar algo assim em seus aparelhos.

Considerando que os aparelhos envolvidos no caso são um iPhone 5 e um iPhone 7, é difícil compreender porque o GrayKey não funcionaria nesses modelos, já que o sistema de segurança deles, teoricamente, não é tão avançado quanto o de um iPhone 11. Essa é exatamente a pergunta que o Senador Ron Wyden enviou para o Departamento de Justiça: se eles possuem tecnologia para quebrar a encriptação do iPhone 11, porque essa mesma tecnologia não funciona nos modelos 5 e 7 do aparelho? E, se essa tecnologia funciona, porque o Departamento está exigindo publicamente que a Apple invente uma forma de permitir o destrave de qualquer aparelho diretamente pela empresa?

De acordo com Nicholas Weaver, pesquisador e palestrante no Instituto Internacional de Ciências da Computação de Berkeley, afirma que as críticas públicas feitas pelo promotor à Apple não passam de “teatro”, e afirma que isso acontece pela forma como a Apple desenvolve os seus iPhones, que a impede de conseguir qualquer informação deles caso um produto como o GrayKey acabe falhando em algum momento.

Fazendo uma comparação do iPhone com um cofre, Weaver explica que, hoje, o sistema da Apple só permitiria trocar a senha do cofre caso ele estivesse aberto, e o que o FBI está fazendo é tentando obrigá-la a trocar a senha para eles, sabendo exatamente que isso só é possível depois que o cofre estiver destrancado.

Ele afirma também que outro possível motivo para essa pressão sobre a Apple é porque os diferentes e mais avançados sistemas de segurança usados pela companhia (como a identificação biométrica ao invés de senha comum) pode apresentar um enorme desafio para ferramentas como a GrayKey, e continuar desenvolvendo aparelhos do tipo deve se tornar cada vez mais difícil e mais caro a cada novo lançamento de iPhone.

Fonte: Forbes

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