Review Routine | Uma lição de terror imersivo para indústria
Por Raphael Giannotti |

Eu sou um grande fã de jogos de terror, e também sou fã de games que respeitam a inteligência do jogador, o deixando livre para descobrir o que precisa fazer com um design que estimula a exploração e compreensão dos arredores.
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Esse é Routine, novo game da Raw Fury, feito pelo estúdio Lunar Software e lançado para PC, Xbox Series e Xbox One em dezembro de 2025.
Desenvolvido por mais de uma década, tempo que não afetou a ideia original, segundo os desenvolvedores, o game é um título obrigatório para os fãs de terror e suspense imersivo, que não querem distrações, ajudas ou qualquer tipo de guia. Se eu não te convenci até agora, continua lendo.
Prós
- Atmosfera opressora
- Puzzles integrados ao mundo jogo
- Gameplay imersivo
- Belos gráficos
- História intrigante
Contras
- Muito curto
Um mundo nostálgico e aterrorizante
Routine se passa em uma base lunar na década de 1980. Depois de um acontecimento inicial, que dá rumo para a trama, você precisa investigar o que causou o interrompimento da comunicação, falhas elétricas, entre outros problemas que você vai descobrindo no caminho e precisa lidar.
O game foi feito na Unreal Engine 5, e por isso, consegue entregar ambientes fotorrealistas, já que essa é uma das (poucas) características boas do motor gráfico da Epic Games. Texturas, efeitos, iluminação, tudo é muito bem implementado pelos desenvolvedores, garantindo uma atmosfera opressora e que causa desconforto, seja com uma ameaça respirando no seu cangote ou simplesmente explorando o ambiente.
Por se passar na década de 1980, a ambientação traz aquele visual clássico, muito parecido com os filmes da franquia Alien e, por isso, se parece com Alien Isolation, um dos meus jogos de terror favoritos. Você verá computadores antigos, com telas de tubo, e toda tecnologia que os longas de mais de 40 anos atrás traziam, tentando imaginar o futuro.
A história é narrada, principalmente, através de documentos espalhados pelos diferentes ambientes da base lunar. O game tem poucas cutscenes, já que sua proposta não é ser um título com foco em cinemática (apesar dos belos visuais). E sobre esse componente importante em qualquer jogo, Routine é bastante intrigante.
"Routine não pega na mão do jogador, a liberdade é total". - Raphael Giannotti
Gameplay simples, mas imersivo
O game tem a perspectiva em primeira pessoa muito bem implementada, entregando aquela sensação de que você é realmente o personagem (daqueles FPS em é possível ver o corpo do personagem). Além das movimentações padrões, o game traz algo que não lembro de ver em outros jogos: é possível se esticar na ponta dos pés para ver coisas escondidas no alto e deitar no chão (não o "agachar e deitar" básico dos jogos) para buscar por itens embaixo de algo.
Esse é um game de terror focado na sobrevivência, então não espere qualquer tipo de ação. Você precisa sobreviver a maior ameaça do jogo, que são androides ligados no modo "seek and detroy". Ou seja, se for pego, você terá poucas chances de sobreviver (dois hits e já era).
O protagonista conta com uma arma de defesa, que pode disparar uma descarga elétrica ao custo de carga de bateria. Isso incapacita os androides por um tempo limitado, o suficiente para sair da vista deles e se recompor. Caso não tenha carga, pode ser o fim dessa tentativa.
Essa arma recebe upgrades com o tempo e é usada para resolver quebra-cabeças, interagir com o ambiente, tudo de forma bastante imersiva e orgânica. Para usar suas diferentes ferramentas, você precisa interagir com a arma enquanto a segura, visualizando cada detalhe da arma retrofuturista, um toque que deixa o jogo ainda mais único.
"O único ponto negativo é a curta duração, que pode ser um pouco mais de 5h numa primeira jogada e metade disso na segunda". - Raphael Giannotti
Puzzles integrados na espinha dorsal do jogo
Esse é o aspecto que mais me impressionou. Muitos jogos de terror têm quebra-cabeças, mas eles geralmente são superficiais e bastante "na cara". Routine dá um giro de 180 graus e segue por outro caminho, e ainda bem por essa decisão inteligente por parte dos desenvolvedores, porque isso é o que fez o jogo ser tão bem aceito.
Não existe qualquer indicação para o jogador. Você irá se deparar com puzzles em diferentes vezes e a resolução deles está pelo cenário, geralmente escondido, ou até mesmo no corpo do personagem. Esse fator é surpreendentemente criativo. É uma forma de respeitar a inteligência do jogador e convidá-lo a explorar cada canto e prestar atenção em todo lugar.
Ou seja, Routine é um grande quebra-cabeça em si, dá para dizer que esse aspecto do jogo é totalmente integrado. Sabe o HUD super elogiado de Dead Space? Então, esse título vai por esse caminho, mas entregando ainda mais imersão.
Vale a pena jogar Routine?
Eu, sinceramente, gostaria que a indústria olhasse para exemplos assim e trabalhasse mais em jogos inteligentes, imersivos, independentemente do gênero, AAA ou indie, não importa. Poucos fazem algo assim, e entre os mais conhecidos, a FromSoftware é um estúdio que se destaca por entregar uma experiência imersiva, que deixa o jogador completamente livre. Apesar de ter chegado no finalzinho de 2025, Routine é um dos grandes destaques do ano passado.
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