Review Resident Evil Requiem | A obra-prima definitiva do terror
Por Diego Corumba • Editado por Jones Oliveira |

30 anos atrás, a Capcom concebia um dos jogos de survival horror mais emblemáticos de toda a história da indústria gaming. Uma mansão no meio da floresta, zumbis e quebra-cabeças se tornaram uma febre nos anos 1990 e nos trouxeram uma das maiores franquias do gênero.
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Hoje, estamos diante da estreia do 9º capítulo desta saga. Resident Evil Requiem tem duas missões: celebrar as três décadas desse universo e atuar como uma conexão entre o passado e o presente de forma consistente. É como um abraço nos fãs, mas também uma aventura com pilares próprios.
De um lado temos o retorno tão esperado de Leon S. Kennedy. Do outro, a estreia da novata Grace Ashcroft. E é em direção a um novo mistério que a trama dos dois se conecta para trazer o passado à tona e mostrar o que virá daqui em diante.
Prós
- Divisão de estilos funciona bem
- Retorno necessário a Raccoon City
- As surpresas realmente impactam
- Desempenho maduro e consistente
Contras
- Equilíbrio pende para o fanservice
O espetáculo em Resident Evil Requiem
Um dos aspectos que mais se destaca em Resident Evil Requiem é a história conectada que vemos entre Leon e Grace. Enquanto um busca a cura para o vírus que assola todos que tiveram contato com Raccoon City, a nova heroína só quer saber a verdade sobre a sua origem.
O que entrelaça ambos é Victor Gideon, um cientista louco que quer perpetuar o trabalho de Oswell E. Spencer — um dos fundadores da Umbrella Corporation. Após uma trilha de assassinatos suspeitos, ele consegue reunir os dois em sua clínica de experimentos para atingir um determinado objetivo.
Em certos trechos, você joga como Grace Ashcroft. Ela nunca teve contato com infectados e criaturas biologicamente alteradas, o que traz todo o clima de seus estágios. É aqui que temos o “survival horror raiz”: gerenciamento de recursos, sustos, stealth e vários quebra-cabeças.
Não é como se tudo isso sumisse no controle de Leon S. Kennedy, mas ele já é um veterano nesta guerra. Ele resolve metade desses problemas com as mãos amarradas nas costas. Ao seu lado terá muita munição, um machado como aliado fiel e a conexão que vemos do passado com os eventos atuais.
Essa dinâmica rege Resident Evil Requiem do início ao fim, com a alternação de gameplay entre os dois e uma imersão completa nos desafios que cada um carrega. Esse “núcleo” é muito bem formado e ajuda a criar tensão e desenvolver toda a narrativa que vai te levar até Raccoon City.
“A Capcom acertou em cheio em trazer uma novata e um veterano para agirem em conjunto, com as mecânicas de cada um que enriquecem ainda mais essa festa de aniversário dos 30 anos”, Diego Corumba.
Uma série de eventos guia Leon e Grace para a cidade devastada em Resident Evil 3. E, para evitar spoilers, serei breve: se há algum temor sobre isso, pode respirar tranquilamente. Há um respeito gigantesco pelo material original.
Neste aspecto, é visto que os escombros do lugar ainda escondem mistérios e vão te transportar para uma longa viagem aos eventos originais — principalmente o trecho da delegacia, que marcou o início da “carreira” do herói e mostra que o final nem sempre é tão feliz quanto se deseja.
Os confrontos dos sobreviventes
Tanto na clínica de Gideon quanto em Raccoon City e outros lugares que você visita, as batalhas são quase que cinematográficas. Não de você sentar e ver “filminhos” como ocorre em outras franquias, mas Resident Evil Requiem te coloca no centro da ação em cenas insanamente bem-dirigidas.
Isso rende surpresas excelentes, que vão te impactar muito conforme avança no jogo. Aqui a divisão de gameplay também é um ponto importante, já que Grace tem uma “lentidão” própria — já que ela teme tudo o que aparece na sua frente. Enquanto isso, Leon corre, pula, atira e enfrenta muitas vezes de igual os oponentes.
“Me marcou bastante uma perseguição que ocorre logo no início de Resident Evil Requiem, no meio da cidade com diversos eventos em paralelo que levantam a tensão a cada segundo”, Diego Corumba.
Fiquei muito surpreso com os infectados que possuem ecos de suas vidas passadas. Eles se incomodam com a luz acesa e som, mantêm padrões próprios muito difíceis de prever qual será a próxima ação e criam um clima ainda mais sombrio para a franquia.
Um exemplo disso são alguns que se encontram enquanto limpam um espelho, cantam próximo ao cassino, levam seus equipamentos de suporte médico consigo, carregam seringas e até sabem como usar motosserras (cuidado ao extremo com esses!). Tudo se torna perigoso e você terá de lidar com isso.
Inclusive, estes que cantam me impactaram bastante — já que além do risco de vir te atacar por mordidas, arranhões e tudo o que conhecemos, eles usam um ataque sonoro, que tira o equilíbrio por completo. Desejo boa sorte para mirar ou correr depois de ouvir seus gritos.
Amadurecimento da Capcom
É notável que a Capcom tem investido muito em suas ferramentas, tanto que temos o motor gráfico RE Engine — usado desde Resident Evil 7 e segue como um dos principais pilares da companhia. Após 9 anos de sua criação, os desenvolvedores mostram que já dominam a tecnologia com maestria.
Durante o gameplay de Resident Evil Requiem, não presenciei glitches, bugs ou crashes. Nem Leon, nem Grace travaram em alguma parte, emperraram em um quebra-cabeça ou algo do gênero. A experiência no PlayStation 5 padrão fluiu muito bem, do início ao fim.
Isso é o resultado de anos de amadurecimento do software, que mantém de forma estável a taxa de quadros e a resolução conforme avança. Também merece elogios a troca veloz e sem precedentes das visões em 1ª e 3ª pessoa com os dois personagens principais da trama.
Muita gente odiou RE7 e RE Village por estarem centrados em 1ª pessoa. Isso serve para equilibrar as experiências. Leon foi criado para ser jogado em 3ª pessoa, mas se quiser ver as coisas de seu ponto de vista, pode ficar à vontade. Já Grace é feita para vivenciar tudo em 1ª pessoa, mas pode ter isso alterado em um instante.
Também chama a atenção o sistema de crafting, mais bem explorado dentro da experiência. Ainda que possa ser ignorado, não é recomendado, já que permite a você criar itens e recursos em momentos de aperto — o que faz toda a diferença em algumas situações.
Em termos técnicos, Resident Evil Requiem é o fruto de muitos esforços e não deixa a desejar. A direção das cenas, a sua performance, os diálogos, ação e diversos fatores superam bastante do que foi visto nos últimos 10 anos da saga.
Porém, existem pequenos defeitos que incomodam durante o avanço da narrativa. O maior deles é que, em certos trechos, parece que existe uma grande “enrolação” para se chegar aos finalmentes. Por exemplo, Leon tem de buscar 3 itens, mas cada um deles é um verdadeiro arco narrativo.
É possível que a Capcom tenha feito isso pela aventura já ser curta o suficiente — zerei com quase 11 horas e meia —- no entanto, provavelmente essas prolongações vão torrar a paciência de muitos. Nem tudo exige uma “grande exploração” ou que atravesse distâncias colossais por “pouca coisa”.
Outro ponto que me incomodou é o fato de, em vários trechos, Grace ser apenas uma “coadjuvante de luxo”. Embora a produtora tenha afirmado que a aventura teria uma divisão 50/50, em diversos trechos prolongados você estará apenas com Leon S. Kennedy contra o mundo.
Não é algo tão negativo assim, já que é exatamente o que muitos fãs querem. No entanto, senti que a personagem foi completamente apagada por diversas vezes. Ela existe, você sabe de sua importância, mas jogar com ela? Negativo. Acredito que o fanservice desbalanceou um pouco tudo isso, o que deixou a heroína “de lado” na sua estreia.
“Grace é basicamente removida por completo em todo um trecho do jogo, com destaque total para o Leon. Não é um problema tão grande, mas remove todo o protagonismo da estreante”, Diego Corumba.
Resident Evil Requiem é uma obra-prima
Se você é um fã antigo ou mais recente da franquia, Resident Evil Requiem é obrigatório. Além de apresentar elementos antigos de forma “renovada”, ele te mostrará o que te aguarda para o futuro da série nos videogames.
Diferente de Silent Hill f, que é um renascimento de uma franquia, aqui a Capcom pincelou uma obra-prima de terror e de amadurecimento de tudo o que construiu até então. É a reunião das melhores ideias no survival horror.
Você vai se assustar, vai sentir seu coração acelerar com a ação, correrá por sua vida, se esconderá várias vezes em situações de risco e vai encarar mais do que imagina. Tudo ao maior estilo do que foi consolidado nestes 30 anos.
Se você esperava por uma festa “tímida”, Resident Evil Requiem não é isso. É uma homenagem ao passado, uma base mais do que presente e uma mensagem bem clara sobre o que veremos no futuro. E, se não fosse por GTA 6 em novembro (por enquanto), este seria o lançamento mais importante de 2026.
Dito isso, prepare a sua mochila que a viagem para Raccoon City (ou o que sobrou da cidade) te espera.
Resident Evil Requiem estreia dia 27 de fevereiro e terá versões no PS5, Xbox Series, Nintendo Switch 2 e PCs. No Canaltech, o jogo foi avaliado com uma cópia para PlayStation 5 gentilmente cedida pela Capcom.
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