Review | DLC Isle of Armor expande conceito de wild area em Pokémon Sword/Shield

Por Wagner Wakka | 19 de Julho de 2020 às 15h00
Wagner Wakka/Canaltech
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Ficha técnica

Duas características se sedimentam como a base para o que é Pokémon. A primeira, mais clara, é o colecionismo em pegar todos os monstrinhos no jogo. Para isso, contudo, é preciso trocar alguns deles com amigos que possuem uma versão diferente do game. Isso nos leva à segunda característica: a cooperação da comunidade.

Tudo isso está amplamente disseminado em Pokémon Sword/Shield, sendo parte igualmente importante da expansão Isle of Armor, para ambas versões. Como um pacote extra, este conteúdo tem funções-chaves para o jogo original.

Sword/Shield marca um traço novo no desenvolvimento de Pokémon. Foi a primeira vez que a empresa admitiu que animar os mais de mil monstrinhos não era humanamente possível e resolveu cortar alguns dessa versão. Assim, o DLC deu um tempo a mais para a que a equipe colocasse alguns outros tantos Pokémon em Sword/Shield. O pacote traz 108 novos deles para o game, alguns com roupagem nova, sendo outros completamente inéditos.

Para acirrar o caráter colecionista do título, ainda há variações de formas, como os Pokémon Shiny, com maior capacidade de desenvolvimento para batalhas e leves mudanças estéticas. Tais versões só podem ser obtidas em Max Raids, batalhas que você faz em grupo (reforçando as características da série).

Isle of Armor traz mais de tudo isso sem ser exatamente inovador, mas expandindo bastante tudo que o game trouxe, sem exatamente corrigir os principiais erros da versão original.

O que é Isle of Armor? 

A ilha não tem relação direta com a trama original de Pokémon. Trata-se de uma ilha destaca no canto superior do mapa da região de Galar. Como tal, carrega uma estética mais praiana e menos campestre que o mundo da versão base.

Quando se compra a expansão e o game é atualizado, o seu protagonista recebe um ticket misterioso (simplesmente sem nenhuma explicação para isso), que pode ser usado para visitar Isle of Armor.

Como uma expansão acessível, a proposta é que o jogador não precise terminar a campanha de Sword/Shield para curtir o conteúdo adicional. Assim, basta visitar Wedgehurst Station, já na segunda rota do game, e pegar um trem e um voo de Pokémon até a ilha. Ou seja, se você já passou o prólogo do título, pode seguir para a expansão sem problemas.

Esta é uma decisão ousada que, embora garanta acesso fácil ao conteúdo, faz com que a nova região seja pouco desafiadora, uma vez que o nível dos Pokémon não é atualizado se você já terminou a trama. Ou seja, espere pegar uns bichinhos nível 10/20 pela ilha.

Região explora wild areas do game (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Na estação, o jogador conhece sua nova “rival” chamada Klara. A menina é uma espavitada aprendiz do dojo Armor, o espaço que treina Pokémon no estilo lutador. Aqui, o jogador também é apresentado à versão de Galar de Slowbro, uma das raridades que se encontra somente na ilha (Pokémon especial desta expansão).

O dojo é comandado por um mestre ancião chamado Mustard, que, no melhor estilo Karate Kid, exige que você faça uma série de provas sem que isso exatamente tenha relação com treinamento de luta. Toda exploração da Isle of Armor é regida pela sua relação de “treinamento” com Mustard.

A Game Freak sabia que a maioria dos jogadores do DLC chegaria ao lugar após terminar a trama original, com um time poderoso. Por isso, oferece um motivo a mais para lutar com Pokémon mais fracos da ilha. Mustard oferece a você a opção de escolher entre um Bulbassauro e um Squirtle para serem evoluídos no local. O negócio que é que o mestre tem uma espécie de bebida que, ao ser tomada por alguns Pokémon, modifica a forma gigantamax deles.

Em termos de mecânicas, isso estimula os jogadores a evoluírem seus novos bichinhos só para ver lá na frente qual é o novo design dos já conhecidos personagens da primeira geração.

Após cumprir as provas pedidas por Mustard, o jogador recebe o grande prêmio de Isle of Armor: o Pokémon lendário Kubfu. Este pequeno ursinho encrenqueiro é o grande foco desta expansão. Toda narrativa gira em torno de conhecer mais sobre ele, explorando golpes e um enredo por trás do monstrinho.

Quando você já está familiarizado com o novo Pokémon, é preciso enfrentar umas das duas torres que há na região, cada uma com cinco inimigos. Em uma delas, Kubfu recebe um treinamento centrado em água. Na outra, ele recebe um treinamento mais sombrio e fantasmagórico.

Jogador tem nova rival, Klara, nada trama (Wagner Wakka/Canaltech)

Não é possível fazer as duas torres, o que significa que Kubfu só pode ser treinado em uma delas. Assim, se você escolher a torre d’água, seu Kubfu evolui para a versão lutador/aquático da evolução Urshifu. Se for para a torre sombria, Kubfu também evolui para Urshifu, mas em uma versão lutador/dark do personagem.

Essa dualidade é feita para reforçar a característica de colaboração da comunidade. Se você quiser ter as duas versões, é preciso pedir para que um amigo transfira para você.

A ilha

Para além de Kubfu/Urshifu, Isle of Armor também é uma região interessante a ser explorada. Aqui, os desenvolvedores expandiram um dos principais cinceiros novos de Sword/Shield: as Wild Areas. Estes são espaços com Pokémon livres, que tendem a ser mais fortes do que aqueles que se acham pelas rotas do game original.

A grande beleza das Wild Areas é que elas trazem uma liberdade maior, com câmera livre e movimentação em um mapa aberto. Tais regiões são somente duas na versão base do título e, juntas, do tamanho da ilha.

Espaço é uma ilha separada do resto do mapa (Wagner Wakka/Canaltech)

Assim, o novo local se mostra bem mais interessante e livre de ser explorado do que as rotas fechadas do jogo original. A sensação de andar por Isle of Armor me lembrou a ambientação de The Legend of Zelda: Ocarina of Time. A comparação com um game de Nintendo 64 pode parecer uma crítica, mas, pelo contrário, aparece aqui como um elogio. Claro que jogar Pokémon nada tem que ver com Zelda, mas o sentimento de um espaço vivo, com animais que podem ser hostis a você e uma série de personagens vivendo por ali, torna o ambiente mais rico.

Em Isle of Armor, é possível ver praias, cavernas, montanhas um pequeno deserto, uma floresta mais fechada. Deixando de lado a maluquice de vários biomas compartilharem o espaço de uma mesma ilha, isso faz de Isle of Armor um espaço com alguns bons pontos de interesse a serem visitados.

Ambiente é vasto e gosto de explorar (Wagner Wakka/Canaltech)

Para que você ande por todo o espaço, a GameFreak se lançou de uma mecânica (aí, sim) já conhecida em The Legend of Zelda: Breathe of Wild. No game de estreia do Switch, era preciso pegar as 900 sementes de korok escondidas pelo vasto mundo do título. Em Sword/Shield, há algo semelhante, com 120 Digletts enterrados para serem procurados por toda ilha.

Embora seja uma motivação para andar por todos os cantos do novo mapa, é preciso dizer que está é uma tarefa tediosa e ingrata. Um ponto positivo é que, ao encontrar um Diglett, aparece uma mensagem avisando quanto ainda faltam para serem coletados naquele espaço.

Personagem pede que você encontre 120 Digletts para ele (Wagner Wakka/Canaltech)

E os erros, continuam? 

Isle of Armor é um pacote de expansão e pouco tem que a ver com atualização. Apesar de adicionar novos Pokémon ao catálogo do game, pouco faz pelos monstrinhos que já estavam na versão original. Uma das principais reclamações da versão base do game era a falta de animações em golpes, principalmente, quando se tratam dos Pokémon iniciais. Nenhum deles ganhou uma atualização em movimentações.

Por outro lado, a empresa parece ter acertado os problemas de textura e carregamento que faziam alguns NPCs surgirem do nada na tela. De fato, mesmo nas áreas originais de Sword/Shield, o mapa parece mais bonito e meno pixelizado.

Embora a GameFreak não tenha atualizado os golpes dos Pokémon do trio inicial, ao menos não repetiu os erros com Kubfu. O ursinho lutador pula, dá cambalhota e interage com animações variadas. Nas lutas, também há uma boa parcela de animações para golpes distintos, o que não acontecia com os repetitivos movimentos do trio inicial.

Novo Pokémon, Kubfu é um dos destaques da DLC (Wagner Wakka/Canaltech)

Vale a pena? 

Esta é a primeira parte do pacote de expansão para Pokémon Sword/Shield, que ainda vai contar com outra atualização este ano. Não é possível comprar somente uma das duas em separado, o que faz o preço do conjunto ser de R$ 125,39, na loja brasileira da Nintendo.

Ainda é cedo para dizer se o conteúdo todo vale este preço exatamente porque a segunda parte ainda não foi lançada. Contudo, só este primeiro conteúdo já adiciona bastante coisa ao game, embora não seja essencial para uma boa experiência de Pokémon Sword/Shield.

É preciso enfrentar uma das torres com Kubfu no final da DLC (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

A novidade vale para quem é colecionista e está em busca de pegar todos os Pokémon possíveis dentro do game. A trama da Isle of Armor é bem simples, com escrita preguiçosa, inspirada na caricatura do mestre de artes marciais de Karatê Kid. Assim, ela funciona apenas como uma ferramenta de roteiro para guiar o jogador para exploração da ilha e evolução de Kubfu. Este novo Pokémon lendário é bastante interessante, com bom design e animações diversificadas.

A DLC deve durar umas cinco horas para ser finalizada (ou seja, até o fim de uma das torres), mas é inflada com a busca pelos 120 Digletts e a necessidade de evoluir Kubfu para conseguir vencer uma das torres.

De resto, Isle of Armor é somente mais uma área do game, muito bem criada em cima da nova mecânica da Wild Area, o que também pode ser considerado um destaque para este jogo.

Pokémon Sword/Shield foi lançado exclusivamente para o Nintendo Switch em 15 de novembro de 2019, sendo que a expansão chegou em 30 de junho. Ambos conteúdos foram desenvolvidos pela GameFreak e publicados pela Nintendo em parceria com a Pokémon Company.

Esta análise foi realizada com uma cópia da versão Sword cedida gentilmente pela Nintendo.

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