Review Pokémon Legends: Arceus | O jogo definitivo da franquia

Review Pokémon Legends: Arceus | O jogo definitivo da franquia

Por Lucas Arraz | Editado por Bruna Penilhas | 07 de Fevereiro de 2022 às 19h18
Imagem: Captura de Tela/Lucas Arraz/Canaltech

Como fã da franquia Pokémon, é muito difícil escrever sobre Legends: Arceus. O título é muito mais que uma nova proposta da Game Freak. O jogo é um verdadeiro respiro para quem acompanha Pokémon ao longo dos últimos 10 anos e assistia a franquia do Pikachu andando em círculos, correndo atrás da própria cauda amarela. Com um mundo aberto, muita personalidade e as primeiras mecânicas realmente inéditas em anos, Pokémon Legends: Arceus é o novo título definitivo da franquia.

A aventura por Hisui, região que mais tarde se tornaria a Sinnoh de Diamond e Pearl, soa de muitas maneiras como uma resposta da Game Freak às reclamações feitas por jogadores na última década. “Nada inventivo”, “muito fácil”, “sem criatividade”... Enquanto as gerações de Pokémon receberam esses rótulos, o novo exclusivo de Switch responde a altura todas as inquietações e vai além, mostrando que a Game Freak realmente domina a franquia que desenvolve.

Disponível exclusivamente para Nintendo Switch, Legends: Arceus mexe na espinha dorsal de Pokémon, subvertendo a lógica do monstro de bolso que existia apenas para batalhar ou cortar árvores por aí. Neste jogo, as criaturas são o elemento central, vilões e protagonistas de Hisui. São eles que ditam o funcionamento do mundo, assim como deveria ser.

A história de Legends: Arceus

Passado de Sinnoh, região de Hisui é cenário de Legends: Arceus (Imagem: Captura de Tela/Lucas Arraz/Canaltech)

A trama da jornada apresenta um personagem que é transportado ao passado de Sinnoh por Arceus, quando a terra ainda era conhecida por Hisui e povoada por humanos que não tinham desenvolvido laços com Pokémon. A missão do herói é ajudar os povoados a estudarem Pokémon e desenvolver a primeira Pokédex do mundo.

Pela primeira vez na série, a relação entre humanos e Pokémon está mais sóbria. Cada monstro que aparece na sua frente tem uma personalidade própria. Espécies agressivas, por exemplo, vão atacar diretamente o treinador e não esperar que ele lance uma Pokébola em defesa, como em todos os outros jogos da série até então.

Pokémon selvagens não se importam com uma batalha justa, então esqueça lutas mano a mano. Se o treinador se aventurar pelas florestas, águas ou montanhas de Hisui sem cautela, com certeza ele acabará enfrentando mais de um Pokémon de vez.

Pokémon imita a realidade

Assim como na natureza, é interessante ver como a Game Freak se ateve aos detalhes e na hora de povoar Hisui com os “animais” da franquia. Em uma área é possível encontrar monstrinhos de uma mesma espécie com colorações, tamanhos e pesos diferentes. Nesse contexto de deixar a vida Pokémon mais próxima da realidade natural, uma das novidades do jogo é apresentar os monstrinhos Alpha, espécies destacadas por serem os líderes do bando. Eles são maiores que todos os outros Pokémon da região e também mais fortes, sempre destacados pelos olhos vermelhos.

É possível capturar um Alpha, assim como qualquer outro Pokémon, sem nem ao menos entrar em batalha — isso graças à adição de itens para uso em tempo real no jogo. O treinador agora pode fabricar poções, pokébolas e bombas de fumaça a partir de materiais recolhidos do mapa, como flores, pedras e frutos.

O que parece tão simples para qualquer jogo de RPG em um mundo aberto, representa mais uma vez uma revolução para a franquia. Graças a mecânica, o treinador pode interagir com um Pokémon sem nem ao menos entrar em batalha. A abordagem furtiva de tentar capturar um Pokémon com bombas de fumaça e alimentos que o distraem traz um novo nível de imersão ao jogo que era impensável até o lançamento de Legends: Arceus.

Pokémon Alpha são maiores e mais agressivos que outros monstrinhos (Imagem: Captura de Tela/Lucas Arraz/Canaltech)

É realmente muito tenso e, ao mesmo tempo, muito divertido tentar se aproximar de um enorme Floatzel Alpha de olhos vermelhos sem ser percebido, com medo de levar um Hydro Pump instantâneo na fuça. Ainda mais em um contexto em que Floatzel era só uma criatura fofa que podia ser facilmente derrotada em qualquer jogo até então.

Para ajudar na missão, os jogadores contam com dois botões de ação inéditos no jogo: o comando de agachamento é para momentos de furtividade e ajuda na hora de se esconder em matos altos ou atrás de uma árvore; já o botão de desvio será essencial para escapar de ataques diretos.

Toda essa atmosfera selvagem entrega um novo nível de dificuldade a um jogo Pokémon — assunto delicado, uma vez que os últimos lançamentos da franquia, de tão fáceis, quase se completavam sozinhos. Legends: Arceus é, muito facilmente, o jogo mais difícil de Pokémon lançado na última década.

Ação de agachar será essencial para se aproximar de espécies fortes no mapa de Hisui (Imagem: Captura de Tela/Lucas Arraz/Canaltech)

Atenção aos detalhes

Se por muito tempo, fãs da série publicada pela Nintendo sentiam que estavam gritando ao vento com reclamações sobre a pasteurização dos jogos desenvolvidos pela Game Freak, Legends: Arceus mostra que além de boas ideias na cabeça, a equipe do jogo também estava com o coração no lugar certo.

O exclusivo trata com carinho as próprias criações pela primeira vez em muito tempo. Enquanto em jogos passados, a personalidade de um Pokémon se revelava apenas na descrição da Pokédex e no discurso decorado de fãs, em Legends, é possível aprender sobre um comportamento de uma espécie apenas observando a natureza. É muito bonito ver como a Game Freak tratou com carinho cada Pokémon introduzido no jogo, traduzindo a personalidade em detalhes de comportamento que são exibidos na tela.

Pokémon diferente têm diferentes comportamentos (Imagem: Captura de Tela/Lucas Arraz/Canaltech)

Mr. Mine cria uma barreira invisível para aparar Pokébolas do jogador. Bidoof é afável e vai lutar pela atenção do treinador ou construir barragens em rios. Sudowoodo crê que pode se disfarçar de árvore e ficará parado, olhando para o treinador, mesmo quando o humano chega perto. Blissey, a Pokémon enfermeira, fugirá do treinador a menos que perceba que o humano está machucado. Neste caso, a espécie correrá na direção do ferido para tratar as feridas.

Sudowoodo mimetiza uma árvore para tentar escapar da captura (Imagem: Captura de Tela/Lucas Arraz/Canaltech)

Pokémon de mundo aberto

Este é o Pokémon mais imersivo da história da franquia. E falar sobre o comportamento de monstrinhos na natureza é apenas o começo da mudança de fórmula promovida por Legends: Arceus.

Um dos maiores problemas de Pokémon que deixava os jogos cada vez mais datados com o tempo, era a fórmula de exploração fechada. Antes de começar qualquer jogo, o treinador já tinha determinado qual caminho teria que seguir para completar a jornada. Não existia espaço para atalhos, desvios de rota ou qualquer outro elemento que quebrasse a narrativa linear desenvolvida.

Em Legends: Arceus, essa história fica para trás com a introdução de mapas abertos e missões secundárias. Ainda existe uma ordem narrativa bem estabelecida de acontecimentos que liberam porções do mapa, mas, pela primeira vez, o jogador tem a liberdade de viver sua própria aventura.

Mapa de Hisui é divido em áreas (Imagem: Captura de Tela/Lucas Arraz/Canaltech)

A região de Hisui é dividida em algumas grandes áreas. Entretanto, não é possível viajar entre elas livremente, descaracterizando um mundo totalmente aberto, como o visto em The Legend of Zelda: Breath of the Wild, por exemplo.

O jogador de Legends: Arceus sempre terá que retornar a Jubilife Village para trocar a parte da região que vai explorar. Toda vez que atingir os limites de uma área, o jogador verá a tela ser tomada por uma névoa e um aviso de que não é possível avançar mais — da mesma maneira como Genshin Impact faz quando o explorador atinge as fronteiras de Teyvat. A ideia de um mundo aberto que não é tão aberto assim até poderia ser negativa. Mas a verdade é que existem tantas atividades para serem feitas em cada parte do jogo, que é impossível acreditar que essa característica é uma limitação.

A Game Freak teve a atenção de criar uma justificativa para as fronteiras de exploração. Não tendo os humanos de Hisui descoberto toda a região ou como sobreviver na natureza selvagem, a história justifica o impedimento de andar livremente por aí com o fato de que o prudente sempre será desarmar o acampamento de uma área selvagem e inexplorada e se preparar antes de pular para a próxima.

Mundo aberto de Legends: Arceus versus Pokémon Sword & Shield

É engraçado, mas comparar as áreas de mundo aberto de Legends: Arceus com Pokémon Sword & Shield faz o jogo lançado em 2019 parecer uns 10 anos mais velho. Quando a desenvolvedora ensaiou fazer uma jornada com um mundo aberto em Pokémon Sword & Shield, a equipe limitou a novidade do controle livre de câmera na pequena e pacata Wild Area. As porções de livre exploração da oitava geração de monstrinhos não serviriam nem para um quintal de Legendes: Arceus.

Além de descobrir novos Pokémon com o passar do dia dentro de uma área de Hisui (durante manhã, tarde, noite e madrugada), cada cantinho parece guardar um segredo, seja um Pokémon Alpha ou novos itens para a fabricação.

O treinador ainda se sentirá compelido a retornar para cada área da região, graças ao casamento perfeito da exploração livre com a missão de completar a Pokédex. Ao invés de uma captura única registrar uma espécie, em Legends: Arceus é preciso estudar os Pokémon. Para completar a Pokédex, o treinador precisa observar um monstrinho atacando, se alimentando, além de capturar diferentes gêneros e tamanhos.

A cereja do bolo que deve fazer qualquer jogador voltar às áreas de Hisui é a introdução de missões secundárias em Legends: Arceus. Quando a Game Freak anunciou a novidade em trailers do jogo, confesso que eu esperava encontrar um conjunto de atividades repetitivas, mas não. Novamente, a desenvolvedora mostra que domina a franquia que desenvolve para criar histórias secundárias que são até mais interessantes para o fã do que a trama principal do jogo, muito focada na luta do treinador com os guardiões conhecidos como Nobles.

Missão secundária 32 pede que jogador encontre remédio para populares dores de cabeça de Psyduck (Imagem: Captura de Tela/Lucas Arraz/Canaltech)

Pessoas do vilarejo vão pedir para o treinador cumprir tarefas que estão diretamente ligadas a personalidade de monstrinhos muito queridos pela franquia. Entre as missões secundárias mais legais, o jogador terá que recrutar um Mr. Mine para ajudar nas defesas da cidade ou ainda salvar uma criança de um Drifloon, conhecido por sua descrição na Pokedéx pela predileção de sequestrar os menores pelos ares.

Essas duas missões são apenas pequenos exemplos de um conjunto de dezenas e mais dezenas de atividades secundárias muito criativas do game.

Drifloon se encontra com criança atrás de uma cabana todo final da tarde em missão que é fan service para fãs (Imagem: Captura de Tela/Lucas Arraz/Canaltech)

Mass Outbreaks e Space-Time Distortion

Não precisa jogar muito Legends: Arceus para notar que todo o ecossistema do jogo foi pensado para tornar a experiência mais imersiva, emulando a experiência humana com animais selvagens e deixando as mecânicas de relacionamento com Pokémon sem quebras ou conveniências do passado da franquia.

Além do comportamento natural dos monstrinhos nos mapas, o jogo impõe limite de espaço para o treinador guardar capturas em uma fazenda, espaço limitado para carregar itens na bolsa e escassez de recursos naturais que fará qualquer um replanejar o uso de itens a torto e direito, com a ausência de dinheiro fácil e itens ilimitados em Poké Markets.

Outra mecânica que faz parte dessa nova fórmula mais imersiva e sóbria de Pokémon é a caça de espécies brilhantes. Em todas as gerações até hoje, o shiny hunt nos consoles Nintendo se resumia a experiência maçante de fazer e chocar ovos até encontrar aquela forma rara desejada.

Nunca existiu uma mecânica imersiva de shiny hunt que fizesse algum sentido dentro da história de Pokémon. Fato alterado na nova aventura. Em Legends: Arceus, os treinadores podem encontrar aleatoriamente versões brilhantes pelo mapa, como em qualquer outro jogo da franquia.

O que muda é a introdução dos Mass Outbreaks e dos Space-Time Distortions. No lugar de ficar chocando ovos, o jogador será avisado, de tempos em tempos, que um bando de uma espécie foi avistado em uma das regiões de Hisui. A área será totalmente tomada por aquele Pokémon, favorecendo o surgimento de um shiny. A mecânica, intitulada Mass Outbreak, simula a experiência de migração ou formação de um grupo de animais na natureza, deixando a caça mais interessante.

Ao mesmo tempo que o treinador vê aumentada a chance de encontrar um shiny na natureza, a dificuldade de Legends: Arceus aparece novamente para deixar a experiência mais interessante. Ter mais Pokémon de uma mesma espécie reunidos, significa também mais monstrinhos para notar e atacar o treinador, que deve ser inteligente no uso de itens e dos matos altos para se agachar e esconder.

Outra forma de encontrar aquele Pokémon desejado são nas distorções de espaço e tempo, que aparecem aleatoriamente em Hisui. As grandes redomas são janelas para que Pokémon mais fortes surjam e surpreendam o jogador. Para os mais sortudos, uma versão brilhante surgirá das ameaçadoras distorções que fazem ligação direta com a trama central.

Nem tudo são flores

Pokémon Legends: Arceus pode ser chamado de mágico por tudo descrito até aqui, mas bonito certamente não é. De todos os detalhes já citados que a Game Freak acertou no jogo, o desempenho gráfico do exclusivo definitivamente deixou a desejar.

Existe uma falta de atenção em alguns cenários. Desde a sequência de árvores idênticas empilhadas a uma mesma distância, até as pedras que contam com uma vegetação que mais parece um papel de parede de quarto infantil.

Texturas e gráficos são gargalo do jogo no Switch (Imagem: Reprodução/Nintendo)

Não são raras as vezes que o jogo sofre com queda de frames ou até itens que não renderizam a tempo da chegada do jogador. Foram as incansáveis ocasiões durante minhas 30 horas de jogo no Nintendo Switch Lite, que um monstrinho no horizonte apenas não carregava, exibindo na tela uma mancha pixelizada que tentava a todo custo se mover.

Os cenários também sofrem para serem carregados. Enquanto certas porções do jogo são lindas de morrer, outras só fazem parecer que o jogo morrerá antes de carregar todos os elementos na tela. Mais de uma vez, precisei esperar até que uma ilha próxima completasse a renderização, enquanto, ao fundo, um lindo horizonte estático era mostrado.

Apesar de momentos belos, Legends: Arceus é prejudicado pela otimização gráfica (Imagem: Captura de Tela/Lucas Arraz/Canaltech)

É até cômico, mas o jogo falha muito graficamente, enquanto entrega belas cenas. Todas as cutscenes aqui são de qualidade inédita para a série. Vale ainda destacar como a animação de evolução é a mais bonita já feita na franquia. Cai fora o clarão branco e entra um Pokémon sendo tomado por uma enxurrada de poder, revelando uma silhueta selvagem de uma nova criatura. Para os próximos jogos, a Game Freak precisa fazer a lição de casa e aprender a otimizar aventuras mais parrudas para o Nintendo Switch.

Também não ajuda na imersão do jogo e deve ser criticada a ausência de legendas em português do Brasil para o título. Legends: Arceus vendeu 6,5 milhões de unidades apenas na primeira semana, com uma parte a ser considerada da comercialização vindo também de públicos que não são letrados em inglês.

Com uma história mais complexa, fez muita falta legendas no nosso idioma para a aventura. Temos que levar em consideração que este é um jogo com uma quantidade considerável de história, que por sua vez é ambientada no passado. Este contexto proporciona diálogos mais formais em inglês, o que pode complicar a compreensão em alguns momentos.

E o futuro?

Legends: Arceus é, com certeza, um passo à frente para a franquia. Resta saber se a Game Freak continuará caminhando por esse caminho tão esplendoroso. Apesar de mexer muito na fórmula de Pokémon, o título não deixa de ser uma aposta segura ao não apresentar uma nova geração de monstrinhos.

Com exceção de algumas espécies regionais introduzidas em Hisui, o jogo não conta com muitos Pokémon novos, fazendo até com que alguns fãs pensem que este título é um derivado/spin-off da franquia. O desejo é que a Game Freak utilize as bases do que começou a reconstruir aqui para a apresentação de uma nova geração — que, a essa altura, já deve estar em desenvolvimento.

No entanto, ainda é possível que a desenvolvedora volte a fórmula básica de Pokémon, isolando as mecânicas de Legends: Arceus como um experimento, assim como fez anteriormente com Pokémon: Let's Go.

Pokémon Legends: Arceus vale a pena?

Pokémon é aquela franquia que se sustentou pela própria magia por muito tempo. Por mais que os jogos ficassem fáceis demais como Pokémon Sword & Shield, ou até bobos e feios como Pokémon Sun & Moon, as bases sólidas inauguradas em 1996 com Pokémon Red & Blue fizeram a série resistir ao tempo.

A verdade é que desde Pokémon Black 2 e White 2, lançado em 2012, a Game Freak deixou de se arriscar. As mudanças pontuais eram geralmente ligadas a novas formas de monstrinhos de Kanto ou ao tamanho do Pokémon mostrado na tela. Olhando em retrospecto, todo o conservadorismo do estúdio japonês tem um pouco de sentido. É desafiador alterar a essência de uma das mais rentáveis marcas do mercado do entretenimento, que nunca deixou de dar certo.

Pokémon Legends: Arceus é diferente de tudo que já foi feito dentro da franquia (Imagem: Captura de Tela/Lucas Arraz/Canaltech)

Mas, mesmo não sabendo que era impossível, a Game Freak foi lá e fez. Pokémon Legends: Arceus não só apresenta novidades, como subverte tudo aquilo que aprendemos a aceitar em jogos de Pokémon. E com certeza o desafio foi imenso para os desenvolvedores, mas o resultado é excelente.

Legends: Arceus não é somente o jogo que todo fã sonhava estar jogando há anos. Ele é a evolução que pode fazer Pokémon durar mais outros 25 anos. O sonho agora é que o título exclusivo de Nintendo Switch seja o novo jogo definitivo da franquia e que o passado fique no passado.

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