Análise | Cyber Shadow nos brinda com jogabilidade nostálgica e enredo pesado

Análise | Cyber Shadow nos brinda com jogabilidade nostálgica e enredo pesado

Por Felipe Ribeiro | 01 de Fevereiro de 2021 às 13h33
Yatch Club Games

Sempre que surgem oportunidades de testar jogos com pegada mais retro, o meu coração se enche de alegria. A época de ouro dos 8 e 16 bits nos brindou com jogos excelentes, mas sempre há espaço para se criar mais, explorando novos mundos, temáticas e jeitos de se jogar.

A Mechanical Head Studios deve ter bebido muito da fonte de games como Ninja Gaiden ou Castlevania para criar Cyber Shadow, objeto desta análise. Por mais que haja uma identidade própria e um enredo muito interessante, é impossível não se lembrar dessas franquias logo nos primeiros minutos de jogatina.

Aqui, somos colocados em um mundo distópico que está passando por uma terrível ameaça. Em paralelo, a vida de Shadow, um ninja cibernético, está por um fio, mas, além de salvar a cidade de Mekápolis, ele tem de resgatar a mestre de seu clã. Desse modo, sobreviver e se aperfeiçoar como herói será a tônica desse game, que nos brinda com enorme nostalgia e uma história bem pesada.

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Drama pixelado

Com poucos minutos de jogo percebemos que, apesar de ser inspirado em clássicos dos 8 bits, Cyber Shadow exala uma personalidade própria fora do comum. Isso porque seus sprites e renderizações são de enorme qualidade e casam bem com a jogabilidade que é proposta, com muitos golpes, saltos e inimigos por toda a parte (falaremos mais disso adiante) e, claro, com a história que nos é contatada. E, muito embora os inimigos triviais de Shadow não complementem bem o roteiro, o cerne de tudo o que ele faz é para lá de atraente.

Imagem: Felipe Ribeiro/Canaltech

Aqui, temos o Doutor Progen, um cientista outrora benevolente que se perdeu em meio as suas experiência e tornou a vida em Mekápolis um verdadeiro inferno. Acordado após um longo sono, o próprio Shadow terá de resolver tudo e enfrentar, em um futuro próximo, esse doutor problemático.

Infelizmente, o ninja, que é parte humano, parte ciborgue, está com sua vida por um fio e precisará se equipar mais, avançar por fases extremamente complicadas e tentar chegar inteiro não apenas para enfrentar esse enorme inimigo, mas também para recuperar seu clã, que fora destruído após o sequestro de sua grã-mestre.

Imagem: Felipe Ribeiro/Canaltech

Com progressão bastante linear, é possível entender muito bem o roteiro e sua narrativa, que amarra e entretém, algo bem diferente do que ocorria com a maioria dos jogos da era 8 bits, mais focados no entretenimento leve e descontraído. Além dos pequenos filmes que surgem entre uma fase e outra, há, por muitas vezes, os espíritos dos ninjas de seu clã espalhados pelas fases para lhe situar sobre o que está acontecendo, algo bem visceral e macabro, porém inteligente.

Aqui, a aparência pixelada não nos afasta, em momento algum, do que está acontecendo, e esse é o maior mérito de Cyber Shadow. Tudo tem muito peso, profundidade e razão.

Desafiador

Sem maiores spoilers, vamos falar da jogabilidade.

Para quem tem mais de 30 anos como eu, nada em Cyber Shadow soará estranho. Muito pelo contrário. Sentimos que, apesar da simplicidade dos gráficos e sons, tudo é muito bem pensado e completo. Não basta avançar e matar seus inimigos: é preciso melhorar seu personagem e torná-lo mais forte para os desafios que virão.

Por isso, mesmo com as inúmeras mortes que teremos, os pontos de salvamento vão, além de te permitir recomeçar deles, te dar algumas habilidades extras que aparecerão de acordo com a fase. Ou seja: o jogo te municia para desfrutá-lo, desde que você gaste as bolas de energia que são colhidas na progressão do game. Isso, claro, não será suficiente, e vencer os chefões enviados pelo Doutor Progen te deixará mais equipado e com habilidades permanentes, como os saltos na parede e os lançamentos de fogo com sua espada.

Imagem: Felipe Ribeiro/Canaltech

A espada, aliás, é a arma perfeita para ser usada em Mekápolis, pois praticamente tudo pode ser destruído por ela. Mas, caso o caldo engrosse, podemos fazer uso de poderes especiais adquiridos ao vencer os chefões, como o fogo citado acima ou os shurikens.

Imagem: Felipe Ribeiro/Canaltech

Esses complementos também são importantes para desbloquear determinadas partes das fases, como entradas secretas e bloqueios.

Tecnicamente impecável

Algo que espanta em Cyber Shadow é que ele não apresenta falhas ou momentos absurdos de dificuldade, muito característicos de jogos desse tipo. Tudo foi pensado de maneira bem equilibrada, com alguns momentos mais complicados, claro, mas nada que irrite ou faça com que você abandone o controle.

Mesmo em situações com muitos inimigos na tela e partes complicadas nas fases, tudo é possível de ser feito para superá-los, seja com a força bruta, seja com a agilidade de Shadow. A curva de aprendizado não é longa e é possível ficar fera no jogo em poucas horas.

Imagem: Felipe Ribeiro/Canaltech

Além disso, os complementos e habilidades que citamos acima foram muito bem pensados, casando bem com a temática do jogo. Sim, estamos falando de um ninja, mas também de um ciborgue em uma terra futurista. Lasers, escudos de luz e armas serão bem-vindos.

Pelo lado dos gráficos e sons, a Mechanical Head Studios caprichou demais. Mesmo com o pixelado característico, os movimentos de Shadow são muito fluídos, bem como dos inimigos e desafios nas fases, que foram bem encaixados e nos proporciona uma ótima sensação mista de nostalgia e modernidade. Há, também, uma boa paleta de cores e movimentos dos sprites de fundo.

Imagem: Felipe Ribeiro/Canaltech

Os efeitos sonoros, por sua vez, são mais simples, mas não comprometem a experiência em Cyber Shadow.

O jogo, é bom ressaltar, está 100% em português do Brasil.

Nostalgia e peso na medida certa

Cyber Shadow é mais um deleite retro que chega para os consoles modernos. Com jogabilidade gostosa e enredo bem pesado, é um game que você vai passar horas jogando e nem vai perceber. É um título obrigatório para fãs do gênero plataforma/metroidvânia.

Cyber Shadow está disponível para Xbox One, Xbox Series X e S, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e PC. O jogo também foi incluído para assinantes do Xbox Game Pass. No Canaltech, ele foi avaliado graças a uma cópia de Xbox Series X e S gentilmente cedida pela Yatch Club Games.

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