Review Crash Team Rumble | Divertido, mas limitado
Por André Lourenti Magalhães • Editado por Jones Oliveira |

Crash Team Rumble é o novo lançamento da franquia Crash Bandicoot. Desenvolvido pela Toys for Bob e publicado pela Activision, o jogo traz uma abordagem diferente: o modo para um jogador do antecessor Crash Bandicoot 4: It’s About Time dá lugar a um multijogador de arena com os personagens do universo do marsupial.
O Canaltech teve a oportunidade de conferir o novo jogo com antecedência, disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X e Series S, com lançamento marcado para dia 20 de junho.
O que é o Crash Team Rumble?
Crash Team Rumble traz uma nova perspectiva de modo multijogador no universo Crash Bandicoot após Crash Team Racing: Nitro Fueled, de 2019. Os karts dão lugar a uma batalha de arena, dividida em duas equipes com quatro jogadores cada, no objetivo de coletar a maior quantidade de Wumpas — a fruta preferida de Crash.
O caminho para coletar as frutas tem seus obstáculos: cada jogador precisa pegar os itens e levá-los para a base do time, mas podem perdê-las ao receber dano dos adversários, cair para fora do mapa ou perder toda a vida. Além disso, é possível ganhar impulsos ao capturar pontos-chave distribuídos pela arena.
Os personagens possuem habilidades únicas e são divididos entre classes, permitindo uma estratégia em equipe, e vence o primeiro time que coletar duas mil wumpas. No anúncio de um jogo multijogador, alguns fãs mais nostálgicos até esperavam algo similar a Crash Bash, do PlayStation, mas Crash Team Rumble segue um caminho próprio.
Coletando Wumpas
Antes de partir para a ação, é possível acessar um tutorial e se familiarizar com a dinâmica do jogo. A etapa inicial permite conhecer os comandos básicos e ensina a enviar as frutas para a base, coletar pontos-chave, ativar impulsos e combater inimigos.
Os personagens são divididos em três classes principais:
- Pontuadores: foco em coletar Wumpas e levá-las para a base. São personagens mais rápidos e com mais recursos de combate um contra um;
- Bloqueadores: possuem habilidades para proteger a base da equipe e atrapalhar a base dos adversários. O foco principal não é coletar as frutas, mas sim engajar no combate contra vários oponentes;
- Suporte: personagens versáteis que podem ajudar com a coleta de frutas e com a captura dos pontos-chave. As habilidades permitem fácil locomoção pelo mapa e ajudam a liberar os impulsos para a equipe.
Dá para perceber muitos elementos de MOBA em Crash Team Rumble, como habilidades únicas, sistema de classes e pontos-chave espalhados pelo mapa. Essa dinâmica é combinada com a jogabilidade de plataforma já conhecida da franquia Crash Bandicoot.
Todas essas informações podem parecer confusas no começo, mas é possível compreendê-las rapidamente durante o jogo — algumas partidas já são suficientes para perceber as melhores estratégias e o funcionamento de todos os itens espalhados na arena.
Cada jogo dura entre cinco a seis minutos, o que evita que a experiência fique maçante no começo. Rapidamente, você já pode pular para outra partida e experimentar um novo personagem ou uma estratégia diferente.
Apesar dessa abordagem totalmente nova para a franquia, a Toys for Bob fez um bom trabalho de preservar a experiência de plataforma de Crash Bandicoot. Durante cada partida, o jogador pode saltar entre andares, derrotar inimigos e quebrar caixas — algumas das atividades mais comuns do marsupial mais famoso dos games.
Ação intensa
O fator diversão de Crash Team Rumble é inquestionável: as partidas têm um ritmo acelerado, com mapas criativos que evitam uma experiência repetitiva. Tudo isso é aliado a um elenco carismático de personagens, unindo heróis e vilões da franquia, bem distribuídos entre o sistema de classes e habilidades.
Durante todo o tempo da partida, dificilmente você ficará parado no mesmo lugar. Mesmo que não pegue muitas frutas, ainda poderá contribuir para a vitória da equipe de outras formas, como a eliminação de inimigos ou a captura dos impulsos.
Tudo fica mais fácil com o trabalho em equipe: desde o lobby, já é possível comunicar e decidir quais classes serão usadas pelo time. Além disso, o jogo disponibiliza alguns poderes especiais adquiridos durante a partida, que podem ser combinados para proteger a base, curar companheiros e atacar os adversários.
Vale a pena ressaltar as características únicas dos personagens, que trazem equilíbrio e mais possibilidades para as partidas. Crash tem o famoso rodopio e uma rasteira que aumenta a velocidade; Coco pode montar uma parede para bloquear inimigos rapidamente; Catbat consegue planar pela arena e curar companheiros; Dr. Neo Cortex tem uma arma de laser que permite ataques à distância, e por aí vai.
Modo de batalha… e só
Em contrapartida, o modo de batalha é a única coisa que o jogo tem a oferecer: não existe uma campanha para um jogador ou algum tipo de minigame para diferenciar as partidas. Só existem dois modos principais: partida privada, com amigos, ou o modo competitivo.
Dessa forma, pode ser difícil emplacar jogatinas muito longas de Crash Team Rumble, pois a experiência fica repetitiva após algumas horas. A falta de outros modos de jogo é um problema, tendo em vista que o título é lançado a R$ 169 na versão básica.
O lançamento é acompanhado de uma temporada de passe de batalha, com duração até 11 de setembro e novos personagens, como Ripper Roo e N. Gin. No entanto, é necessário adquirir a versão Premium para liberar todos os itens cosméticos.
Não houve problema de conexão ou lag durante o período antecipado de testes, e vale lembrar que o jogo tem suporte à jogabilidade multiplataforma. No entanto, é necessário esperar o lançamento para conferir se as partidas serão criadas com facilidade, com oito jogadores totais (caso o lobby não esteja cheio, o jogo cria bots para cada time).
Gráficos, som e performance
A imersão ao “crashverso” não ocorre somente com os personagens. Todos os cenários resgatam elementos da franquia e usam uma identidade visual muito similar à de Crash Bandicoot 4: It’s About Time.
A customização também é um fator interessante, com skins variadas para cada personagem jogável, liberadas no passe de batalha. O pacote de sons inclui até mesmo músicas de jogos passados, que podem ser tocadas pelo seu perfil após uma vitória e o prêmio de MVP da partida.
Crash Team Rumble está disponível em português, com menus traduzidos e narração durante as partidas.
Crash Team Rumble vale a pena?
Crash Team Rumble esbarra num fator muito importante: o preço. O jogo diverte, traz novas dinâmicas, mexe com a nostalgia de fãs da série, mas ainda é um multiplayer com apenas um modo de batalha disponível e vendido por a partir de R$ 169. Não é o valor de um lançamento AAA, mas ainda é alto.
A Toys for Bob claramente tenta adotar uma estrutura de Games as a Service (“Jogos como serviço”, em tradução), com um passe de batalha e roadmap para ações a longo prazo, mas o jogo inicial ainda não parece sustentar o valor de venda. Caso fosse um título gratuito ou lançado no catálogo de uma plataforma de assinatura, por exemplo, poderia ter uma recepção muito positiva e criar uma comunidade ativa já nos primeiros dias.
É difícil desvendar qual será o futuro do título, mas dá para notar que o jogo é uma consequência de um modelo de negócios cada vez mais frequente na indústria dos games. A princípio, é um valor muito caro pelo game, mas uma boa indicação caso entre em promoções futuras.
Crash Team Rumble será lançado no dia 20 de junho para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X e Series S.