Prévia | Humankind eleva gênero de Civilization ao máximo

Por Wagner Wakka | 21 de Dezembro de 2020 às 08h55
Wagner Wakka/Canaltech

Os jogos de estratégia por turno nasceram devido a uma limitação de época, mas receberam modernizações que fazem deles um novo gênero completamente diferente na atualidade. A brincadeira aqui é tentar transpor para os games um efeito semelhante aos jogos de tabuleiro, com regras específicas e ações limitadas. Humankind chega com a proposta de ser um jogo a altura e complexidade de gigantes como Civilization. E pode colocar complexidade nisso.

O título é desenvolvido pela Amplitude Games, companhia já experiente em games de estratégia por turnos, como a série Endless Space. Se este último tinha uma ambientação espacial, Humankind tenta voltar o olhar mais para Civilization mesmo, oferecendo guerras, diplomacia e conquistas de territórios por diferentes civilizações.

O nome real do gênero atualmente é 4X, abreviação das quatro palavras inglesas que têm som de X: explorar, expandir, aproveitar-se do recurso do adversário e exterminar. São exatamente essas as funções básicas do jogo de tabuleiro que Humankind proporciona.

Contudo, a Amplitude Games queria fazer algo mais amplo, elevando exponencialmente o que games do gênero já entregavam. O mote aqui é a possibilidade de misturar civilizações entre as eras da partida. Por exemplo, se você começa com os Bizantinos, pode trocar para os Romanos ao passar do Neolítico para a Idade Antiga. Como o jogo conta com 60 diferentes culturas da História, a empresa promete mais de um milhão de combinações diferentes, tornando as partidas bem únicas.

O Canaltech teve acesso ao Lucy OpenDev, acesso antecipado ao título que está disponível até 28 de dezembro. A prévia já permitiu umas boas seis horas de gameplay, mas ainda limita os conteúdos. Será que toda essa mistura entrega um game com bom sabor no final?

O que deu para jogar?

No Lucy OpenDev, é possível jogar até 150 turnos, o que é suficiente para entender a proposta do jogo. Nesta versão, estão disponíveis 40 culturas e cinco eras. Se você quer saber qual a combinação disso, eu respondo fácil: aqui já são 100 mil modos de organizar a sua linha do tempo. Esta demo permite jogar contra sete inteligências artificiais ao mesmo tempo em um mapa.

O ponto interessante são que as diferentes eras também trazem diferentes formas de jogar. Por exemplo, no neolítico os participantes começam com uma construção central e precisam sair em busca de conhecimento e comida para evoluir sua população.Já a partir da Idade Antiga, existe diplomacia entre os reinos, sendo que é preciso negociar terras e avançar com cautela.

A cada avanço de era, jogador precisa escolher entre 10 novas civilizações com bônus especiais (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Quando você evolui de uma era para outra, pode assistir a animações relacionadas ao tipo de sociedade que você montou. As artes são bem interessantes e oferecem pequenas modificações de acordo com suas escolhas.

Essa mistura de civilizações não é meramente estética ou para inflar o título, mas oferece opções de contornos e direcionamentos. Caso o jogador esteja em uma situação de enfrentamento, pode trocar de uma sociedade mais científica para uma que tenha bônus de combate, por exemplo, e recuperar a partida. Desta forma, o jogo oferece várias ferramentas para levar seu time à vitória. Entretanto, a quantidade de ferramentas pode ser grande até demais.

E a gameplay? 

Estamos diante de um jogo de tabuleiro transposto para um game eletrônico. Como tal, ele tem as regras que são difíceis de entender logo na primeira jogada. De modo básico, há somente duas ações para fazer em cada rodada: mover seu pelotão pelo mapa, desbravando novos lugares e conquistando terras; ou evoluir e construir onde você já domina. Mais para frente, também é preciso realizar outras tarefas, mas a base é esta.

O jogo começa tranquilo, exigindo basicamente a movimentação de personagens pelo mapa. Contudo, depois de passada para a Idade Antiga, tudo começa a ficar bem mais complexo. É preciso ser direto aqui: estamos falando de um game pregando para convertidos. Ou seja, este é um título para quem já gosta e joga os mais modernos games 4X que existem. Espere muitos e muitos sistemas, um em cima do outro, que você precisa coordenar a cada rodada.

Número de elementos na tela pode complicar a vida de quem não está acostumado (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Para se ter uma ideia, lá pelas tantas de uma partida, foi preciso mover cinco pelotões pelo mapa, negociar com três civilizações que estavam bravas comigo quando entrei em guerra com uma quarta, além de verificar árvore de habilidades e construções. Tudo em um só turno. Quem joga Civilization e está lendo este texto pode pensar: “OK, um turno durar mais de 10 ou 20 minutos é a coisa mais normal do mundo”. Concordo, mas não para quem está de fora do gênero.

Humankind parece aquele jogo de tabuleiro que toda família jogou somente uma vez, pois é preciso que todos entrem de férias para aguentar os dias e dias de uma só partida. Ele quer elevar o nível de complexidade e, para quem não é tão habituado ao gênero, isso pode acabar sendo um pouco além da conta.

Veja bem, só nos mecanismos básicos é preciso ficar de olho em se seu território está sendo invadido pelos outros seis, se alguém não está descontente com você por alguma ação relacionada a outra civilização, garantir todos os recursos internos em bom número e verificar se sua religião está avançando pelo mapa ou não.

Recursos de diplomacia são um dos pontos mais interessantes do game (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Isso atrelado às combinações que as 40 civilizações exigem do jogador muita paciência e reflexão antes de fazer qualquer movimento.

Quem já gosta…

Tirando essa barreira de entrada no gênero, Humankind tem tudo para ser uma excelente pedida para quem já se aventura em jogos como Civilization. A Amplitude prometeu elevar o nível de opções aqui e realmente conseguiu, oferecendo muitas e muitas ferramentas que os jogadores criam várias e várias partidas de modo único.

Um dos principais pontos de destaque está nas opções de interação com outras civilizações. É possível oferecer diferentes níveis de comércio, compartilhamento de informações, níveis de acesso entre territórios e acordos militares. Contudo, de acordo com suas decisões e dos adversários, sua sociedade pode desejar automaticamente entrar em guerra ou não.

Outro ponto também bastante interessante são os combates. Quando há um confronto, o jogo entra em uma tela especial que acomoda estratégias específicas de batalha. É preciso posicionar exército e direcionar os movimentos para sair vitorioso. Ou seja, não se trata apenas de mandar os personagens atacarem e ficar observando se vai vencer ou não. Isso é uma camada adicional bem interessante para um estilo que geralmente não foca nisso.

Por fim, o mapa também conta com terrenos que fazem diferença em momentos distintos. Por exemplo, nas batalhas, se você está mais alto que o inimigo, leva vantagem. Para construção, estar próximo de matérias-primas também é sempre bem-vindo. Caso você queira andar de um lado até o outro do mapa, também pode ser necessário contornar morros, adicionando, assim, mais turnos à movimentação.

Mapa é vasto, mas também com informações fáceis de identificar (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

O mapa é bastante bonito e estilizado, com detalhes que podem atrapalhar a visualização do todo. Contudo, tais texturas somem quando você afasta a câmera, facilitando reconhecimento do território. Visualmente, também há uma série de avisos e informações que ajudam bastante na qualidade de vida do jogador. Por exemplo, na parte inferior do mapa, existe um ícone de notificações (que pode ser desligado) avisando de algumas coisas para as quais é interessante você dar atenção.

Por exemplo, vamos supor que você tenha construído um posto avançado dentro do território de um aliado. Isso pode criar uma rusga entre vocês e o jogo avisa antes se é isso mesmo que você tem em mente para aquela rodada.

Tem potencial? 

Novamente, Humankind parece um título feito para quem já está mergulhado no universo dos 4X. Ou seja, não será aquele jogo acessível para abraçar um jogador novo que nunca tocou em Civilization.

Entretanto, para os amantes de estratégia por turno, este é um game que deve elevar a barra do gênero. Existem várias e várias possibilidades com a mistura de civilizações. Isso também implica em diferentes árvores de tecnologias, habilidades, conhecimento e religião.

Ou seja, quem pegar Humankind para jogar, certamente terá centenas e centenas de horas de diversão sem que encontre uma partida com mesmo cenário. O acesso antecipado está aberto até o dia 28 de dezembro no Steam para todos que já fizeram a compra do jogo.

Bastante detalhista, jogo tem tudo para ser um novo nome forte no gênero (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Humankind foi desenvolvido pela Amplitude Studios e publicado com a SEGA of Europe e chega para PC via Epic Games, Steam e Google Stadia. O acesso a esta prévia foi cedido ao Canaltech pela publicadora.

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