Prévia | Nos celulares, King quer lançar jogo mais autêntico de Crash Bandicoot

Por Felipe Demartini | 23 de Março de 2021 às 11h00
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Após anos no ostracismo, nas lembranças e nos procedimentos de remoção de tatuagens, Crash Bandicoot está de volta e parece mais forte do que nunca. Após remakes de extrema qualidade nos consoles, que trouxeram o personagem do passado a novas e antigas audiências, os fãs foram agraciados com um novo game tão interessante quanto. Agora, é hora de ele estrear nos celulares carregando esse potencial e, da mesma forma, trazendo novas ideias a um estilo já plenamente conhecido.

Desenvolvido pela King (a mesma de Candy Crush Saga e Pet Rescue), Crash Bandicoot: On the Run, mais do que um jogo do tradicional estilo runner, é um passeio pela história. Afinal de contas, lá se vão 25 anos desde a estreia do marsupial no PlayStation; para a produtora, a personalidade e as histórias da franquia podem trazer o necessário frescor para tornar essa aventura única e não apenas mais um exemplar de um formato de jogabilidade um bocado batido.

Esse processo acontece antes mesmo de o desenvolvimento do título começar, ainda na prancheta e como parte de um processo de estudos que envolveu os títulos anteriores do protagonista. “Queríamos celebrar a história e criar o jogo mais ‘Crash’ da franquia. Para isso, olhamos para todos os jogos e também outras mídias, além de diferentes representações do personagem”, explica Stephen Jarrett, vice-presidente de design de games da King e diretor criativo de On The Run. E quanto ele fala em “todos”, é exatamente isso o que quer dizer.

Em pauta estão não apenas os remakes recentes dos games originais ou o novo título, Crash Bandicoot 4: It’s About Time, como também versões menos lembradas para consoles portáteis. As fases rebeldes do marsupial foram consideradas, assim como os elementos cartunescos de peças publicitárias e quadrinhos japoneses — apenas a versão “Carreta Furacão”, vista andando por aí no ano passado, parece ter ficado de fora, infelizmente.

Tais aspectos, explica Jarrett, foram integrados tanto para trazer personalidade ao game quanto para garantir a longevidade necessária para um jogo mobile. A partir do extenso material veio a decisão de trazer temporadas de conteúdo para Crash Bandicoot: On The Run, com a primeira já sendo iniciada em 25 de março, quando o título chega ao iOS e Android, com foco no vilão Nitros Oxide, que estreou no clássico Crash Team Racing.

Dezenas de skins servem como recompensa em Crash Bandicoot: on the Run, além de servirem como referências a diferentes fases dos personagens (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

“Cada temporada será focada em um personagem clássico da franquia”, explica Gigi Chui, game designer sênior de Crash Bandicoot: On The Run. De acordo com ela, isso se aplica não apenas às fases e elementos de narrativa, mas também skins para os protagonistas, trilhas sonoras, combates e todos os aspectos do título, que giram em torno do conteúdo abordado a cada etapa. E isso, claro, também vale para os easter eggs, que devem agradar aos mais fanáticos. “De tempos em tempos, tudo mudará e essa é uma das formas que encontramos para expandir o game e o deixar fresco e interessante por anos”.

Isso se reflete não apenas no carinho que o Canaltech pôde perceber durante uma recente prévia coletiva do game, mas também em diferentes elementos. Entre conceitos exibidos à imprensa e imagens de jogabilidade, alguns dos presentes, mais inteirados sobre as histórias de Crash Bandicoot, já identificaram personagens descartados de games anteriores, referências bastante específicas a títulos do passado e até mesmo o retorno de vilões que, depois de serem os inimigos de versões portáteis obscuras desenvolvidas pela Tiger Electronics, ganham agora um holofote merecido e desejado pelos fãs.

Cada indicação desse tipo era uma alegria aos desenvolvedores, que querem ver exatamente esse tipo de coisa acontecendo durante a experiência com Crash Bandicoot: On the Run. “Queremos que os fãs se sintam em casa ao iniciarem o game, encontrando elementos familiares. Ao mesmo tempo, queremos trazer nossas próprias influências, e brincar com elementos menos conhecidos permite isso, sem perder a autenticidade”, completa Nana Li, artista sênior do título e uma das principais responsáveis pelo design dos personagens.

Essa mistura do novo com o antigo também se reflete na trilha sonora do jogo, que não se resume apenas a novas interpretações dos temas originais. “Existem pessoas que cresceram com esses games, então é claro que incluímos diversas referências nas músicas, mas, ao mesmo tempo, também inserimos novos instrumentos e estilos”, explica Sebastian Aav, compositor e designer de som do título.

Na amostra exibida à imprensa, isso se reflete em uma mistura de instrumentos reais com virtuais. Há, também, uma mistura de rock, jazz, funk e demais ritmos, compondo um todo variado e que remete diretamente à personalidade de cada personagem e vilão. A versão falsa do protagonista, por exemplo, surge ao som do tema original, mas tocada de forma desafinada, enquanto sons regionais e exóticos dão o tom de cada bioma e estágio de Crash Bandicoot: On The Run.

Além das referências

A criação de um jogo com personalidade, entretanto, vai além apenas dos easter eggs e referências, com a equipe da King sabendo muito bem disso. Por outro lado, ao mesmo tempo em que estão em um campo confortável em termos de material, a escolha de estilo também ajudou um bocado. Afinal de contas, os games de Crash Bandicoot sempre foram sobre correr e a franquia caiu como uma luva ao estilo runner, já consagrado nos smartphones.

Adoção do estilo runner se encaixa perfeitamente em um jogo de Crash Bandicoot, mas ao mesmo tempo, também permitiu que os criadores de On The Run ousassem e criassem novos desafios (Imagem: Divulgação/King)

A adesão fácil entre os conceitos também permitiu que a equipe de desenvolvimento pensasse fora da curva. Na superfície, temos um game como os “corredores infinitos” tradicionais, no qual controlamos Crash, Coco e outros protagonistas em um “trilho” com três caminhos possíveis, saltando sobre obstáculos, evitando armadilhas e pegando itens enquanto o desafio é crescente e mais elementos são colocados na tela. Com exceção do fato de não controlarmos mais a corrida em si, apenas a direção, não é nada que os jogadores já não estejam acostumados.

“Temos uma maior sensação de progressão [em On The Run], diferenciando nosso game dos runners tradicionais”, explica Jarrett. Isso se dá por meio do já citado foco na história, por meio de temporadas de conteúdo e missões com objetivos específicos, que não só requerem chegar ao final como também obter um item específico. A dificuldade também está presente aqui, mas a equipe fez questão de garantir que o game não é punitivo.

Fases dos jogos originais do personagem se misturam a conteúdos inéditos em On The Run, que também marca o retorno de vilões obscuros da saga de Crash Bandicoot (Imagem: Divulgação/King)

“Os jogadores vão morrer muito, mas até isso será divertido. Não queremos punir ninguém pelos erros”, completa o diretor criativo, indicando que muita gente vai querer fazer isso de propósito, apenas para ver as dezenas de animações de mortes diferentes disponíveis para cada personagem. Mais um aspecto vindo diretamente dos originais, que aqui aparece ampliado.

O conforto no formato também permitiu que a equipe de desenvolvimento ousasse, mas novamente conversando com os fanáticos pelo personagem. Li, por exemplo, conta que há um esforço em reproduzir fases originais em Crash Bandicoot: On the Run, mas que o formato permitiu brincar com os conceitos. “Estágios com visão lateral, nos games antigos, serão vistos de outro ângulo, enquanto desafios presentes neles também deverão ser abordados de outras maneiras”, explica.

Corridas competitivas ao lado de amigos, além da criação de grupos com bônus compartilhados, são elementos de progressão citados como diferenciais pelo time de Crash Bandicoot: On The Run (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

O time da King também mostra empolgação com a adição de elementos sociais e multiplayer, uma das grandes novidades do título para celulares. A jogatina com os amigos, afirma Chui, é um dos aspectos inéditos mais queridos à equipe que trabalha no novo game, estando intrínseco não apenas à progressão pela história como também às adições do passe de temporada e à própria obtenção de itens e skins. “Esse aspecto de conectividade [também conversa] com a dificuldade e permite vencer alguns desafios que, sozinho, [o usuário] pode não conseguir.”

Um modo competitivo, por exemplo, coloca até três jogadores para ver quem chega mais longe em fases com dificuldade e velocidade crescentes. No sentido oposto, também é possível criar grupos para que os usuários corram juntos ou de forma individual, com o progresso de todos sendo compartilhado. Ligas periódicas também garantem prêmios especiais para os melhores colocados, um aspecto que incentiva o retorno e a dedicação ao título.

Temporadas de conteúdo e expansões com novos desafios fazem parte dos planos de longevidade de Crash Bandicoot: On The Run (Imagem: Divulgação/King)

Essa multiplicidade de métodos e elementos também dialoga com o ideal da King, que é de fazer de Crash Bandicoot: On The Run um jogo longevo. Enquanto a jogatina conectada garante mais acesso à progressão, a empresa também adianta que nem todos os elementos das sagas do personagem estarão disponíveis neste primeiro momento. As fugas de pedras rolantes ou dinossauros, por exemplo, que inverte a perspectiva fazendo com que os personagens corram em direção à câmera, já são adiantadas como elementos principais de futuras atualizações de conteúdo.

Essa jornada começa nesta quinta-feira, 25 de março, quando Crash Bandicoot: On The Run chega aos celulares com sistema operacional Android e iOS. O game é gratuito, mas conta com microtransações e conteúdos pagos.

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