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Prévia Dragon’s Dogma 2 | Matei um grifo no meio da Capcom e foi incrível

Por| 05 de Março de 2024 às 19h00

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Capcom
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Uma batalha contra um grifo. O cenário é uma estrada à beira de um morro em meio a ruínas do que já foi uma ponte. A criatura ataca dos céus enquanto os NPCs revidam com magia e tentam alcançá-la com a espada sempre que a fera se aproxima. Em determinado momento, ela se afasta da encosta e se esconde um pouco abaixo da ponte destruída. Sem muitas alternativas, apenas corro em direção ao vazio e me jogo em direção ao monstro — um salto daqueles de cinema precisamente na cabeça do animal, deixando-o tonto e levando a luta para seus instantes finais. 

Qualquer pessoa que tenha jogado algum RPG na vida já imaginou uma cena parecida com essa. Comigo não foi diferente, mas foi apenas com Dragon’s Dogma 2 que eu pude finalmente viver isso de verdade. E foi incrível.

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Aliás, incrível é uma boa forma de descrever o novo game da Capcom, que chega ao PlayStation 5, Xbox Series S/X e PC no próximo dia 22 de março e marca o retorno da franquia depois de mais de uma década do seu capítulo inicial. Embora tenha jogado apenas por algumas horas, foi o suficiente para ver como aquela ideia apresentada na geração PS3  Xbox 360 amadureceu, evoluiu e melhorou. Ele é, hoje, o jogo que a empresa quis lançar 12 anos atrás.

Amadurecendo uma boa ideia

O Canaltech foi até os estúdios da Capcom em San Francisco e pôde jogar cerca de três horas de Dragon’s Dogma 2. O teste disponível no PlayStation 5 era dividido em duas partes distintas, situadas na metade da campanha, então não era possível ter uma noção muito clara da grande história envolvendo o herói Nascen e sua jornada por este mundo de fantasia. No entanto, foi o suficiente para entendermos que tipo de experiência o diretor Hideaki Itsuno quis imprimir.

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O primeiro Dragon’s Dogma, lançado em 2012, era bem ousado para o seu tempo. A ideia de recriar a liberdade de partidas de RPG com um tipo de combate que prezava a verticalidade das lutas era algo que não estávamos acostumados a ver na época. E tudo isso era amarrado por um sistema de companheiros — os Pawns — que se apoiava em uma inteligência artificial bem consistente. 

As ideias eram boas, mas a execução esbarrou em alguns problemas, seja por causa das limitações dos consoles ou por decisões criativas na hora de conduzir o jogador pela campanha. Por isso mesmo, o jogo recebeu boas críticas e foi considerado um sucesso de vendas, mas demorou quase uma década para garantir sua sequência. E, agora que ela chegou, fica mais claro qual era a ideia inicial que Itsuno tinha para esse universo desde o início.

Dragon’s Dogma 2 é muito parecido com o título anterior, ao mesmo tempo em que deixa evidente o quão diferentes eles são. Parece um pouco contraditório, mas é nítido como a sequência não se afasta em nada da proposta de seu antecessor, preferindo apostar nas mesmas fichas, inclusive aquelas que foram criticadas uma década atrás — mas agora trabalhadas de forma muito mais precisa e refinada.

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"O mundo do jogo é muito maior por causa do feedback dos fãs", revela Itsuno, destacando o quanto os jogadores queriam mais opções de explorar o mundo do jogo no game original. "Ao mesmo tempo, ouvimos as críticas sobre as quantidade de quests e como elas eram gerenciadas pelo jogador, então buscamos equilibrar essas coisas e como você pode evoluir seu personagem".

Ao mesmo tempo, muita coisa segue igual. Os pilares de jogabilidade são os mesmos: a liberdade total, os Pawn e as lutas épicas. Em outras palavras, o DNA presente no jogo de 2012 está mais do que presente agora, só que melhor. E a minha luta com o grifo foi apenas uma pequena prova disso.

Encontrando sua própria identidade

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Dragon’s Dogma 2 chegará aos consoles e aos PCs tendo que lidar com uma sombra maior do que a de qualquer dragão: as inevitáveis comparações com jogos como Dark Souls e Monster Hunter. São títulos que se tornaram muito populares nos últimos anos e que têm muitas semelhanças ao que a Capcom faz aqui, embora o próprio Itsuno seja o primeiro a dizer que eles não são influência para o que o jogo apresenta.

E, de fato, são paralelos até injustos. O primeiro Dragon’s Dogma chegou antes da From Software se tornar o fenômeno que é hoje e, no caso de Monster Hunter, o ciclo de influência é o oposto: foi o game de caçada que se aproveitou de algumas mecânicas de combate de DD e não o inverso. 

Ainda assim, as comparações são inevitáveis e até impactam a forma com que a gente joga. É impossível não procurar os controles de Dark Souls durante o combate de Dragon’s Dogma 2, o que traz uma camada extra de dificuldade em um primeiro momento. Sem a capacidade de rolar para fugir de ataques inimigos ou de travar a mira em um oponente em específico, você se sente um pouco perdido nos primeiros embates.

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É uma questão muito mais pessoal — uma espécie de memória muscular, quase — do que realmente um problema do jogo. Na verdade, mostra o quanto o diretor está convicto em imprimir o seu estilo no game ao invés de se apoiar em mecânicas e ideias vindas de outras franquias, sejam elas da Capcom ou não.

Isso porque, segundo Itsuno, a maior influência de Dragon’s Dogma 2 é o primeiro jogo.  “O conceito mudou muito pouco em relação à ideia original”, conta o diretor. “Quando o primeiro jogo saiu, eu tinha certeza de que ele mudaria as coisas. Eu sempre estive muito confiante que ele seria um grande jogo”. 

A partir disso, é fácil entender por que o novo game não se dobra às mecânicas que fazem sentido em outras franquias. Um pouco de teimosia, talvez, mas que funciona à medida que nos habituamos às particularidades desse mundo sombrio — mas que ainda cobra seu preço.

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Uma das principais características da série, o sistema de Vocações recebeu melhorias e foi ampliado. A novidade é que agora há classes híbridas, como o Lanceiro Místico, que reúne habilidades mágicas e físicas e dão nova dinâmica aos combates. Já o Arqueiro Mágico disponível na segunda parte da demo é o que o próprio nome sugere, mesclando golpes mágicos com ataques à distância.

Na prática, essas novas opções dão muito mais possibilidade para os combates — a ponto de eu, alguém que sempre joga como classes mais físicas, me divertir muito mais sendo um arqueiro. Tanto que a já antológica luta contra o grifo se deu justamente com base nessa combinação de flechas e poderes.

Em conjunto com a possibilidade de escalar os inimigos em busca de pontos fracos, Dragon’s Dogma 2 traz um sistema de batalha muito mais complexo e, ao mesmo tempo, recompensador. É divertido encarar os monstros gigantes ao mesmo tempo em que tenta chegar ao topo de sua cabeça para acertar uma espadada bem dada entre os os olhos. Outra opção que chega agora na sequência é agarrar grandes oponentes para desequilibrá-los, ganhando uma boa vantagem quando eles caem no chão.

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Só é uma pena que as coisas tendem a ser sempre um tanto quanto caóticas. Sem a possibilidade de travar a mira em um oponente, a câmera se perde com muita facilidade, principalmente em inimigos maiores. A situação fica ainda pior quando há muita magia e efeitos visuais na tela, o que faz com que os tais embates grandiosos e épicos também sejam, em algumas das vezes, uma bagunça sem fim. 

Amadurecendo uma boa ideia

O primeiro Dragon’s Dogma chegou com uma certa desconfiança. Era um RPG com cara de ocidental feito por um diretor japonês que não tinha muita tradição no gênero — embora assuma ser um grande fã de Dungeons & Dragons. E, embora não tenha se tornado um sucesso absoluto, o título se saiu muito bem a ponto de virar um clássico cult. E é muito bom ver essa ideia retornando em sua melhor forma. 

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Três horas é um tempo considerável para conhecer qualquer jogo, mas a impressão que tive foi a de que não arranhei nem mesmo a superfície do que o DD2 tem a oferecer. Na verdade, a própria demo já era grande o suficiente e com possibilidades demais para ver ao longo dessas horas — o que empolga qualquer jogador de RPG.

E se, o primeiro game foi lançado em um momento em que tudo isso ainda era um tanto estranho para o jogador, Dragon’s Dogma 2 encontra um mercado em que o dark fantasy é mainstream e essa liberdade grandiosa é quase regra. Ainda assim, Itsuno aposta na força das suas ideias para diferenciar o game. “O sistema de vocações e suas ações particulares criam diferentes elementos que são únicos do jogo”, pontua o diretor, que destaca o quanto as mecânicas evoluíram e melhoraram nesses mais de 10 anos. 

“Não acho que é questão de vencer ou perder em relação a outros jogos. Mas eu estou muito confiante que o nosso game vai competir de igual com os outros”.

E, de certo modo, ele está certo. As três horas que encarnei o Nascen foram o suficiente para ver como Dragon’s Dogma 2 é rico e interessante. Com um mundo vasto e orgânico em que as coisas acontecem à sua volta, a ideia do chamado para a aventura está mais do que presente — e é o que realmente importa em um bom RPG.