Ninja teria recebido entre US$ 20 milhões e 30 milhões para migrar para o Mixer

Por Rafael Arbulu | 29 de Janeiro de 2020 às 10h15
Reprodução

Foi em agosto de 2019 que o streamer de jogos Richard Tyler Blevins, mais conhecido pelo seu apelido online — “Ninja” —, abandonou o Twitch como plataforma oficial de streaming após assinar um acordo de exclusividade com a Mixer, da Microsoft. Evidentemente, acordos de exclusividade, independente do meio onde eles são assinados, envolvem uma boa compensação financeira, mas até então os valores envolvidos na negociação com a gigante de Redmond e o popular streamer eram desconhecidos.

Não mais. Segundo uma reportagem veiculada pela CNN que fala justamente sobre isso, a emissora norte-americana disse que Ninja recebeu algo entre US$ 20 milhões ou US$ 30 milhões para migrar seu conteúdo para outros mares. A fonte da matéria é devidamente identificada: Justin Warden, o CEO da Ader, uma empresa de gerenciamento e busca de talentos online, que diz ter “acesso” às informações da tramitação.

Richard Tyler Blevins, conhecido como "Ninja", é um dos mais populares streamers da atualidade: influenciador teria assinado um contrato milionário de exclusividade com a plataforma Mixer, da Microsoft

Nem a Microsoft nem o próprio Ninja comentaram a informação, mas as largas cifras representam uma atenção forte de grandes empresas que competem por talentos mais públicos: o Twitch foi adquirido pela Amazon em 2014 e rapidamente tornou-se a principal plataforma para streamers veicularem seus vídeos. A ampla popularidade de Ninja o levou a ter até mesmo a sua própria skin em Fortnite, um dos jogos que ele mais transmite. Como uma competição direta, faz sentido que a Microsoft tenha despendido uma boa cifra para “roubar” o rapaz de sua oponente.

Ninja não é o único a figurar na matéria da CNN: Jeremy Wang, conhecido pelo codinome “Disguised Toast”, também chocou seguidores ao migrar para o Facebook Gaming após anos de sucesso no Twitch. Nos bastidores, porém, a CNN afirma que Wang tinha propostas da Amazon, Microsoft e até do Google, com o YouTube Gaming. A decisão tomada por Wang, para o público, pareceu uma negociata rápida, mas ele disse em entrevista à emissora americana que o processo todo levou mais de seis meses, com ele próprio buscando aconselhamento com seus pais e amigos.

O foco da reportagem parece ser o de que grandes nomes do streaming mundial estão abandonando o Twitch em favor de contratos lucrativos para qualquer um de seus concorrentes. Citando cifras a partir de US$ 10 milhões, a CNN ainda menciona nomes como Michael Grzesiek (Twitch para Mixer), Soleil Wheeler (Twitch para Mixer), Corinna Kopf (Twitch para Facebook Gaming) e Rachell Hofstetter (Twitch para YouTube Gaming).

Camila "Kalera" Vieira foi uma streamer que atuou junto com o Facebook Gaming no Brasil, embora nem ela, nem a plataforma tenham falado sobre qualquer exclusividade de transmissão: hoje, a influenciadora digital mantém perfis em diversas plataformas (Imagem: Acervo pessoal/Instagram)

No Brasil, a chegada do Facebook Gaming — coberta pelo Canaltech em março de 2019 — também gerou comportamentos similares: a streamer Camila “Kalera” Vieira chegou a assinar parceria com a rede de Mark Zuckerberg, embora tenha retornado ao Twitch meses mais tarde e mantenha perfis em diversas plataformas, fora o fato de quem nem ela, nem o Facebook alegaram qualquer exclusividade. Ainda assim, globalmente a plataforma apresentou aumento de 210% frente aos concorrentes diretos — notadamente, Twitch e YouTube Gaming.

Fonte: CNN

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