Entrevista | Facebook Gaming: "Nosso foco é gerar comunidades gamers"

Por Rafael Arbulu | 25 de Março de 2019 às 19h00
(Foto: Rafael Arbulu)
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O Facebook Gaming — comumente referido como “fb.gg” — está em vias de completar um ano de presença no mercado brasileiro, que deu início à instalação da estrutura de streaming de jogos e hub de influenciadores do setor por toda a América Latina. Em um empenho continuado de manter a aproximação com a comunidade, a empresa promoveu, na noite do dia 24 de março, a segunda edição da “Facebook Creators Cup”, a competição entre streamers e influenciadores digitais dentro do elenco da rede social.

O Canaltech conferiu o evento, que contou com diversas personalidades do universo competitivo dos jogos eletrônicos, como Kalera, Atchiin e Calango — os dois últimos, inclusive, sagrados campeão e vice do torneio (juntamente de seus duos virtuais, Nogz e Nicks —, em uma ocasião que reuniu 100 jogadores de Fortnite (Epic Games) de toda a América Latina, sendo 60 brasileiros e 40 do restante do bloco, na zona sul de São Paulo, capital.

Enquanto a festa de encerramento acontecia no terraço do prédio, em um lounge amplo, um andar abaixo, nossa equipe conversou com Pedro Rodrigues, gerente de parcerias do Facebook Gaming para a Europa e América Latina, para descobrirmos o que essa vertente gamer da rede social tem planejado para o Brasil.

O gerente de parcerias do Facebook Gaming para a Europa e América Latina, Pedro Rodrigues (Foto: Rafael Arbulu/Canaltech)

“O Brasil foi o nosso pontapé inicial na América Latina e, de início, notamos a paixão de uma comunidade diversa e engajada. É um mercado importante para nós”, diz Pedro, entre um pedido de desculpas pela demora e outro, enquanto insere anedotas sobre o fuso horário e a longa viagem de avião que teve de fazer (a equipe dele deixou Portugal em direção a Londres, Inglaterra; e só então vieram ao Brasil).

Devidamente acomodado na poltrona, ele parece mais solto na conversa com o Canaltech e, questionado sobre o que de fato o Facebook Gaming traz ao mercado, não hesita em citar os investimentos feitos pela empresa e o pilar de remunerações — um advento do programa de criadores: “O facebook está investindo em todos os verticais de gaming, não somente em consoles e grandes plataformas, como também de instant games (jogos acionados pelo Messenger), além de um pilar voltado para desenvolvedores”, cita.

“O melhor exemplo disso é o nosso programa de criadores: quando algum streamer é mais engajado nas redes sociais — nao apenas no Facebook —, nós desenvolvemos para eles um programa de parceria que se divide em duas vertentes: o primeiro, chamado apenas de “Parceiros”, é voltado aos influenciadores mais conhecidos, que já possuem um volume de seguidores. O outro é o que chamamos de ‘Level Up’, onde o foco são as pessoas em início de carreira como streamers e criadores de conteúdo. Para ambos, os programas trazem uma série de ferramentas de conteúdo emergente, que visa ajudar o criador de conteúdo a impulsionar a sua fanbase e, com isso gerar receita para os seus canais”.

As apresentadoras do torneio, Cherrygums (dir.) e Nádia Calá (esq.) (Foto: Divulgação/Webedia)

Finalmente, a realização de eventos competitivos também é refletida na estratégia do Facebook Gaming, segundo Pedro, para incentivar o relacionamento com pessoas de interesse do setor: “A promoção de eventos como este é uma forma que o Facebook encontrou de juntar tudo isso, e gerar mais engajamento com a comunidade, além de incentivar o networking de criadores, que é um mercado bem forte no Brasil”.

A realização de torneios competitivos de eSports vem tomando a atenção de diversas empresas dentro e fora do mundo dos games. Um dia antes da nossa entrevista, o Ginásio do Ibirapuera havia recebido a BLAST Pro Series, renomada por seus embates em Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO), que viu até mesmo uma nova player do mercado de periféricos lançar seus produtos na ocasião.

Pedro vê o Facebook seguindo essa mesma estratégia, com o mesmo caráter global. “Temos realizado eventos similares a este por todo o mundo — ora maiores, ora menores, com apenas dois ou três criadores disputando com esportistas ou músicos, por exemplo. O objetivo desse tipo de evento é o de gerar awareness para a plataforma, no sentido de que é uma plataforma gaming forte, com vídeo e streaming, mas que também ajude a comunidade, promovendo o networking entre criadores, para que eles compartilhem conhecimento, troquem as melhores práticas de transmissão e engajamento”, explica. “Queremos criar este hábito no mercado, para que possamos continuar crescendo juntos. Além disso, a parte de eventos é muito importante para nós, para que tenhamos uma ‘frente’ de relacionamento com empresas experientes do setor”.

Os influenciadores que competiram na 2ª Facebook Creators Cup (Foto: Divulgação/Webedia)

Essa percepção de “socialização do gaming” é algo encorajado pela plataforma de streaming do Facebook. É o entendimento óbvio que os influenciadores movem grandes audiências. E promover essa interação entre os criadores de conteúdo e seus fãs, bem como entre os fãs e sua rede de amigos (ou, como Pedro chama, seu “gráfico social”) é, na opinião do gerente, o principal diferencial do Facebook Gaming em relação a outras plataformas.

“O nosso foco é o de gerar comunidades. O Facebook é, antes de tudo, uma ferramenta social. É um foco em seu gráfico social, sua rede de amigos. É esse gráfico social que nós buscamos fazer com que funcione dentro de uma ‘experiência gaming’, como uma forma de visualizar conteúdo de games. E isso é diferente em outras plataformas. O Facebook tem uma identidade real: você pode compartilhar o conteúdo, e essa galera que, antes, não acompanhava isso, passa a dar mais atenção ao que é produzido dentro do Facebook Gaming", pontua.

Sobre os influencers desse nicho, Pedro mostra como funciona todo o modus operandi: "Quanto aos criadores, cabe a eles decidir por onde querem transmitir o seu material. Claro, queremos que usem nossa plataforma, mas nosso elenco possui influenciadores que estão presentes em diversas redes. Eu, pessoalmente, acho que todas as plataformas disponíveis no mercado de gaming têm algo a oferecer. Dentro do Facebook Gaming, temos os nossos diferenciais, como o nosso foco em criar comunidades, que já citamos; e o fato de levarmos conteúdo gamer a quem não é, normalmente, gamer. Isso aumenta o awareness para os criadores”.

(Foto: Divulgação/Webedia)

Em quase um ano de presença no Brasil (o Projeto do Facebook Gaming teve anúncio em junho e julho, mas iniciou-se em março de 2018), questionamos Pedro sobre o que ele enxergava de evolução, nesses aproximados 365 dias. Elusivamente citando a política interna do Facebook, ele não pôde nos fornecer dados, mas ressaltou ferramentas, funções e políticas que, hoje óbvias, eram ausentes no início.

“É importante ressaltar que nós somos, ainda, uma plataforma bem jovem. Iniciamos nossas operações brasileiras em março de 2018 — estamos completando um ano este mês —, e acho que já tivemos muitas coisas aprendidas: como trabalhar com os criadores que estão ao nosso lado, como nos relacionarmos com empresas do setor, e acho que temos investido bem, desempenhando o nosso papel no mercado, e isso vai continuar, vamos continuar buscando feedback de produtos e aprender com os criadores", vislumbra.

"Há muitas funções que temos hoje, que eram ausentes a alguns meses: as doações para os Facebook Stars, ou seja, uma forma do fã espectador remunerar o seu criador favorito de conteúdo por meio de assinatura mensal, ganhando acesso a benefícios. Desburocratizamos as funções de monetização ao aceitarmos pagamento localizados, mesmo sendo uma comunidade global que deve acatar necessidades globais. Nossas práticas de preços de monetização também se adequam ao mercado: no Brasil, é de um jeito; nos EUA ou Europa, é de outro — e por aí vai. Sempre buscamos melhorar a localização dos nossos produtos para facilitar o incentivo ao público e ao criador.”

(Foto: Rafael Arbulu)

Ficamos então, à mercê do futuro. Pedro ambiciona a realização de mais eventos, mais oportunidades de relacionamento e o aumento de awareness do Facebook Gaming como uma plataforma de liderança no mercado de streaming de jogos. Para isso, ele informa que a empresa está continuamente buscando se relacionar com nomes mais experientes do setor de eSports, assimilando os gostos diversificados da comunidade.

“O que eu posso dizer é que todas essas Creators Cups vão continuar. Aqui, tivemos a nossa primeira edição com PlayerUnknown’s Battlegrounds (PUBG), agora realizamos esta segunda, com Fortnite. Nós temos uma população na plataforma que é diversa em gosto, então estamos conversando com outras empresas para trazermos novas opções ao mercado. Nós temos ótimas relações com publishers — todas no mercado. Eu mesmo, antes da minha atual atribuição, já trabalhei com empresas variadas, como a Supercell (Clash of Clans) e outras empresas do mercado — mobile e PC. Fizemos eventos em outros países com a Ubisoft, também. Tivemos um evento com a Activision em Londres. Temos uma equipe diversa para essas parcerias”.

O Facebook mostra que chegou para ficar. A ideia de que qualquer um pode ser um streamer de sucesso por meio da plataforma é realmente tentadora. E a rede tem as ferramentas para fazer valer esse discurso: mais além, o Facebook buscou influenciadores experientes para mostrar, por meio deles, que o sucesso pode vir para quem começa com a nova plataforma.

É uma percepção ousada. Mas uma que faz muito sentido, analisando friamente. Quem sabe não repetimos essa conversa daqui um ano e vemos quais frutos nasceram dessa semente?

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