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Era do console barato acabou? Por que o Xbox Magnus pode custar US$ 1.000

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Divulgação/Microsoft
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O mercado de jogos, desde a década de 1980, vive com a mesma dinâmica para produzir seus videogames: Nintendo e SEGA, posteriormente a Sony e a Microsoft, vendiam seus dispositivos no modelo “lâmina de barbear”: com perda financeira a cada aparelho vendido ao público.

Se no passado essas companhias faturaram na produção de acessórios e cartuchos (posteriormente CDs), hoje elas se recuperam através da taxa de 30% cobrada a cada título vendido em suas lojas digitais — como a PlayStation Store, eShop e Loja Xbox.

No entanto, um novo modelo vai surgir: caso o Xbox Magnus rode jogos do Steam e da Epic Games Store, esta porcentagem adicional não vai parar nos bolsos da Microsoft. No máximo, da Valve e das demais lojas de PC. 

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Ou seja, se a companhia não lucrará com o seu próximo console de mesa por software, ela precisará recuperar o montante de algum lugar. Afinal de contas, ela sequer cogitará subsidiar uma máquina para você gastar dinheiro na concorrência. E é neste aspecto que seu bolso vai começar a chorar com os supostos US$ 1.000 cobrados.

Hardware de PC custa caro

Mesmo com sua própria interface e sistema operacional, videogames são PCs e utilizam componentes similares há muitos anos. Porém, isso é caro e pode justificar a presença de um Xbox Magnus por US$ 1.000 ou mais.

Basta ver que, se um usuário decide montar um computador com o desempenho equivalente ao de um PS5 Pro, ele vai atingir este valor facilmente — inclusive, a depender do momento, vai gastar ainda mais.

Imagine que o novo console da Microsoft chegue ao mercado com CPU AMD Ryzen Zen 6, uma memória RAM de ponta e a licença do Windows. Isso seria um belo investimento, principalmente pela Crise de Memórias que vivemos e pelo encarecimento dos processadores, conforme as gerações progridem.

Ele seria um PC high-end compacto, não mais uma plataforma subsidiada pela companhia. E além dos custos que isso traz, tem de haver lucro de toda a cadeia de produção — da própria fabricante, transportadoras, impostos, lojistas e de todo o processo indireto envolvido. 

A "Estratégia Surface": o Xbox de referência

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Com isso em mente, pode-se notar que a empresa pode usar a mesma estratégia que tem funcionado com os seus notebooks da linha Surface. São dispositivos caros, “premium” e que servem como um modelo.

O Xbox Magnus terá o desempenho que você esperaria da Microsoft, com jogos que aproveitam seu poder e a tecnologia empregada. No entanto, ela produzirá poucas unidades — que serão vendidas para alguns fãs aqui e ali, enquanto os demais devem apelar para os parceiros.

Assim como o ROG Xbox Ally, a companhia permitirá que outras produzam a sua própria versão do console de mesa. Alguns podem ser mais baratos, outros mais caros (talvez com componentes que vão ao extremo do high-end) e o público decidirá o que vai levar para casa.

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Isso significa que veremos diferentes faixas de preço. A Microsoft pode trazer o Xbox Magnus por US$ 1.000. A ASUS pode trabalhar no mesmo dispositivo e desenvolver um “ROG Xbox” mais barato. Enquanto isso, a Dell trabalharia em um “Alienware Xbox” de ponta, com o valor alto. E por aí seguiriam.

Pode parecer “bagunça”, mas isso tem uma vantagem para você. A Sony tem um custo estabelecido para o PlayStation 5, assim como a Nintendo com o Switch 2 e, mesmo em promoções, os usuários se tornam reféns do preço sugerido. É aquela faixa e “pronto”. 

Com o Xbox Magnus, pode haver ofertas e rebaixas variadas — de acordo com a ideia de cada fabricante para o console. Imagine que a ASUS traga o seu por US$ 800, por exemplo, mas veja oportunidade para reduzir o valor para US$ 700 ou menos? Algo que seria difícil de vermos pela Microsoft. 

A gigante americana tem vários aspectos para determinar preço: estúdios que comprou, suporte ao Xbox Game Pass, desenvolvimento de jogos ao longo dos anos e vários outros fatores que empresas como ASUS, Dell e as outras não têm. 

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E é aí que mora o diferencial dele. Se um dia todas decidirem reduzi-lo, conforme as condições de mercado, a Microsoft não se envolve diretamente nesta decisão. Ela pode manter o seu valor em US$ 1.000, mas cabe ao usuário selecionar a opção disponível que melhor se encaixe nas suas necessidades. 

Xbox Magnus e a "taxa da liberdade"

Além disso, a estratégia de venda do Xbox Magnus pode ser similar à vista nos PC gamers atuais: você vai pagar os US$ 1.000 — que seria muito caro — agora, mas economiza na aquisição dos seus jogos.

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Não é de hoje que sabemos que os jogos do Steam são muito mais baratos do que as versões vendidas na PlayStation Store e na Loja Xbox. E esse equilíbrio pode justificar ir atrás do videogame, mesmo a um alto preço.

Isso sem falar nos jogos clássicos presentes no GOG, nos games grátis semanais da Epic Games Store, bundles da Humble Bundle ou até com a possível presença de emuladores na plataforma. 

Ou seja, você pode pagar por um hardware de US$ 1.000 e, no fim das contas, gastar menos do que se comprasse um de US$ 500 — onde cada novo jogo lançado custa em torno de US$ 70 e está prestes a aumentar para US$ 100. Se enxergar por este ponto de vista, não valeria a pena?

O curinga da Microsoft

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Após a derrota da marca por gerações, o Xbox Magnus nesta estrutura pode ser a carta curinga da Microsoft para lutar de forma igual com a concorrência. Gastar mais pelo console é pesado para o usuário, mas a liberdade de software com certeza vai atrair os seus adeptos.

Se levar em consideração que os jogos também ficam cada vez mais caros, é uma boa saída para aqueles que desejam ter uma economia maior a longo prazo — principalmente se vermos versões mais baratas produzidas pelos parceiros comerciais da companhia. 

No entanto, no meio disso ela tem um grande desafio: o Steam Machine, que será produzido pela Valve e possui a mesma proposta que o futuro videogame. Como híbrido entre PC e console, ele pode abrir as portas antes e cativar o público que a Microsoft esperava ver em seu Xbox Magnus.

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