Epic é processada por roubar de rapper dança usada em Fortnite

Por Rafael Rodrigues da Silva | 06 de Dezembro de 2018 às 16h35

Há tempos a Epic tem sido criticada por copiar movimentos de dança reais e usá-los como “inspiração” para os emotes de Fortnite sem oferecer nenhum tipo de compensação aos criadores dessas danças e, pela primeira vez, ela irá enfrentar consequências judiciais sobre essa atitude.

O rapper conhecido como 2 Milly (que tem o nome real de Terrance Ferguson) é o primeiro artista a processar a Epic pelo roubo do passo de dança “Milly Rock”, que foi copiado em Fortnite no emote conhecido como “Swipe It” sem a permissão do artista. O processo foi enviado ao Departamento de Justiça da Califórnia, e alega que a Epic não apenas não creditou Ferguson como o criador da dança como também não o procurou para conseguir consentimento de uso, reprodução, criação derivativa e venda de qualquer trabalho baseado no trabalho do rapper.

O movimento usado na dança Milly Rock data de 2014, quando foi popularizado ao viralizar no YouTube como parte do videoclipe de uma música de mesmo nome, e que conta atualmente com mais de 18 milhões de visualizações. Já o emote Swipe It é vendido na loja do jogo Fortnite por 500 V-Bucks (moeda especial do jogo e que tem o valor de aproximadamente U$5).

Participe do nosso GRUPO CANALTECH DE DESCONTOS do Whatsapp e do Facebook e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

O processo alega ainda que a Epic uso a Milly Rock e outras danças de modo a criar nos jogadores a falsa impressão de que foi a Epic que criou essas danças virais, ou de que os artistas que criaram esses movimentos recomendam o jogo, algo que pode ser provado com os milhares de vídeos postados em redes sociais da dança que utilizam a hashtag #fortnitedance e em nenhum momento fazem referência ao rapper como criador do movimento.

O texto ainda sugere que o uso não-creditado da Milly Rock faz parte de um padrão consistente de exploração dos talentos de artistas afro-americanos no jogo Fortnite para lucros da empresa, citando Snoop Dogg, Alfonso Ribeiro, Marlon Webb e Donald Faison como outros artistas negros que tiveram seus movimentos de dança característicos copiados no jogo.

Em novembro, Milly revelou em uma entrevista para a CBS que iria processar o jogo não por causa de querer compensação financeira, mas porque precisava proteger o seu trabalho. E apesar de ser o primeiro a processar a empresa, outros artistas já criticaram a atitude da Epic de copiar músicas conhecidas sem creditar os criadores dos movimentos. Em julho, Chance the Rapper sugeriu no Twitter que a empresa deveria inserir no jogo também as músicas que tornaram aquelas danças famosas, enquanto o ator Donald Faison disse a seus fãs que a Epic roubou na cara dura a dança que ele havia popularizado durante a década de 2000 na popular série de TV Scrubs, e que agora não só ninguém mais lembrava que ele que inventou a dança como ainda não recebeu nem um centavo pelo sucesso dela no jogo.

Essa não é a primeira ação por roubo de imagem e direitos autorais que a Epic sofre, e a empresa já foi processado pelo ex-jogador da NFL Lenwood “Skip” Hamilton por ter usado sem autorização a aparência do jogador na criação do personagem Cole Train, da série Gears of War. Por enquanto, nenhum representante da Epic ainda se pronunciou sobre o caso.

Fonte: Ars Technica

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.