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Enquanto o PC chora, a Nintendo ri: como o Switch 2 escapou da "Crise da RAM"?

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Divulgação/Nintendo
Divulgação/Nintendo

O efeito dominó da IA generativa chegou em um novo patamar no fim de 2025 e gerou a “Crise da RAM”. Com uma demanda cada vez maior por memória, as big techs consumiram todos os modelos próprios para os seus data centers e, agora, buscam o que sobrou do mercado dos consumidores.

O resultado disso é um aumento expressivo em milhares de eletrônicos. Seu notebook ficará cada vez mais caro. Montar um PC, também. Videogames seguem o mesmo caminho. Até a Raspberry Pi, conhecida pelo seu custo-benefício, recebeu acréscimo nos valores das suas versões recentes.

Porém, em meio à todo este caos tecnológico, há uma exceção: o Nintendo Switch 2, atual console híbrido da Big N. Ele continua a bater recorde de vendas, não precisou aumentar R$ 0,01 do seu preço sugerido e conta com um estoque invejável. Afinal de contas, o que houve?

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Com movimentos de mestre no mercado corporativo e na indústria tecnológica, a Nintendo se manteve firme e está “distante” de ser atingida por toda a “Crise da RAM”. Nós do Canaltech contamos como eles venceram este desafio e o que ela ainda pode fazer pelo seu público:

O Segredo: "Preço Spot" vs. "Preço de Contrato"

O mercado possui dois tipos de preços e é neste ponto que vemos o “pulo do gato”. O principal é o preço spot, que é o valor que determinado produto, serviço ou componente está em determinada data. É como ir ao supermercado — se for comprar algo, é no preço que está na prateleira.

Isso significa que, se companhias como Samsung ou Micron sobem o preço das memórias, quem compra neste modelo pagará o valor mais alto — e repassará aos consumidores, obviamente. E é isto que enxergamos neste momento: uma prática volátil, mas que é amplamente utilizada. 

Já a Nintendo apelou para outra prática, menos comum, mas muito mais segura: os contratos de longo prazo. O presidente da companhia, Shuntaro Furukawa, fechou acordos gigantescos com as fabricantes de memória RAM — provavelmente entre 2023 e 2024 —- em um momento de valor baixo.

Deste modo, eles travaram o preço há muito tempo, bem antes das demandas por IA aumentarem a quantia de forma vertiginosa. O componente que eles usam hoje no Switch 2 já foi comprado, ao menos no papel, com um custo muito menor do que o visto atualmente. 

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A Vantagem da Tecnologia "Madura"

Empresas como a NVIDIA e a Sony exigem memórias RAM mais atuais e rápidas, como a GDDR6X, GDDR7 ou HBM. O PS5 Pro, por exemplo, usa uma GDDR6. Estes são os mesmos modelos que servidores de IA utilizam, o que os faz disputar a sua compra com as big techs. 

a Nintendo escolheu o LPDDR5X para o seu novo console híbrido, a mesma que é vista em smartphones topo de linha. Ela também é cara, mas a sua cadeia de produção segue um caminho distinto e não compete com o mercado de inteligência artificial ou com outros consoles de mesa. 

Deste modo, a companhia garantiu dezenas de milhões de unidades, com prioridade e sem cair na “Crise de RAM”. Um investimento incomum na época, mas que se converteu ao negócio mais bem-sucedido para o que ela propõe dentro do mercado e ao público.

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A Cultura Conservadora de Kyoto

Esta movimentação, alinhada com a postura corporativa conservadora que eles adotaram, garantiu que a Big N tomasse a dianteira nesta problemática. A companhia é famosa por acumular dinheiro em caixa, ao invés de operar “no limite” como as demais.

Além disso, ela não é adepta do modelo “Just-in-Time” — de produzir apenas aquilo que ela vai vender. A Nintendo parece ter estocado componentes essenciais muito antes do lançamento do Switch 2, o que mostra a sua preferência de pagar por armazenamento do que assumir risco de ficar sem.

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Este tipo de estratégia evita que ocorra com ela o que foi visto em muitos líderes de tecnologia, que sequer tinham componentes para vender e provocou uma escassez global. Agora isso tem, mas é vendido por preços exorbitantes e o público tem de encarar os custos mais altos.

Ou seja, se houvesse outro período pandêmico ou enfrentássemos uma crise maior, eles continuariam a vender o Nintendo Switch 2 com os mesmos valores. Isso é bom para eles, já que mantêm o mercado aquecido com seu produto mais procurado, assim como para os fãs, que não precisam gastar mais por ele.

O risco futuro

Apesar da jogada de mestre, a Nintendo admite que isso pode não ser o caminho no futuro. De acordo com Shuntaro Furukawa, o mercado atual está muito volátil e acordos do gênero podem não ser mais oferecidos às companhias em alguns anos.

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Além disso, esta ação os protege neste lote atual — que deve seguir a todo vapor até o próximo ano fiscal. Porém, se esta crise se estender até 2027 ou 2028 — como apontam as previsões — nem ela escapará de mudanças abruptas de preço em um futuro próximo. 

Em algum momento a Nintendo terá de renovar os contratos e é este o maior risco que ela pode ter dentro da margem que estabeleceu. Por enquanto, o Switch 2 continua a ser o sinal que uma boa estratégia e visão de mercado podem trazer estabilidade, mesmo em um período caótico e volátil da indústria. 

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