Conheça a trajetória de John Hanke, o homem por trás de Pokémon GO

Por Gabriel Castro | 10 de Agosto de 2016 às 21h43

Não se pode dizer que o sucesso da Niantic Labs é algo totalmente inesperado. John Hanke, o CEO por trás do nome responsável por levar Pokémon GO para o mundo, está colhendo os frutos de anos de trabalho árduo e muita argumentação para provar que a realidade aumentada era algo não só possível, mas também uma grande oportunidade. Desde o lançamento do jogo, há pouco mais de um mês, a empresa faturou US$ 200 milhões, conquistou milhões de fãs e abriu caminho para um novo nicho de mercado.

A primeira empreitada de Hanke durou seis anos, quando o empresário fundou a Keyhole, que foi adquirida pelo Google em 2004 e se formou como base do hoje conhecido – e fundamental – Google Maps. O sucesso foi rápido: de uma equipe inicial de algumas dúzias, o projeto chegou a contratar mais de mil engenheiros e dois mil trabalhadores.

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John Hanke

John Hanke sempre acreditou que conseguiria fazer com que pessoas fossem às ruas para jogar e interagir socialmente

Porém, faltava um desafio maior para Hanke. A ideia de mapear o mundo pareceu pequena para quem cresceu como um gamer e, ao perceber que havia interesse das pessoas em participar de atividades sociais enquanto jogam, a primeira ideia surgiu. Com autorização da chefia do Google, Hanke formou um grupo seleto para desenvolver o Field Trip, um aplicativo que permite que o usuário descubra sítios históricos e outras informações culturais nas imediações. A partir daí, a equipe passou a trabalhar no jogo Ingress, que aproveitava o sucesso do gênero MMO (multiplayer massivo online) para estimular a interação do jogo com o mundo real, e que foi lançado em 2012.

A grande motivação, no entanto, era criar algo novo e não aproveitar a ideia de alguém. Uma das ideias levantadas nos brainstormings iniciais foi literalmente, segundo Hanke, "um jogo que se deve sair e andar para jogar, levando os jogadores para a rua para visitar novos lugares". Foi daí que surgiu a ideia de ver o mundo com novos olhos.

Pouco tempo depois do lançamento, o Ingress estava indo muito bem, com 15 milhões de downloads. E a filosofia da empresa de "explorar, descobrir, exercitar, interagir" estava funcionando na prática. Foi então que veio o questionamento: como levar isso para uma audiência ainda maior? Aí surgiu a palávra mágica Pokémon.

A franquia dos monstrinhos representava uma geração no mundo todo que se sentia conectada com ela, além de ter nela mesma a filosofia de sair para explorar e interagir com o mundo como um mestre Pokémon em seu roteiro.

Surgimento da ideia

mapa Pokémon GO

No Dia da Mentira (1º de abril) de 2014, o Google promoveu uma ação comemorativa com os monstros no Google Maps, que viralizou em horas, alcançando audiência global. Hanke contatou a Pokémon Company e marcou uma reunião. Para sua surpresa, o CEO da companhia estava no nível 11 do jogo Ingress e costumava jogar com sua esposa todos os dias. Em pouco tempo já estava assinado o contrato que traria Pokémon GO em um futuro próximo.

No começo de 2015, o Google passou por uma reformulação interna que reorganizou as companhias menores na holding Alphabet, o que despertou em Hanke a vontade de se tornar independente. Além disso, o Google prezava pela neutralidade em seus projetos, como o Maps e a Play Store, ou seja, caso a Niantic precisasse de uma atenção especial, ela dificilmente a teria. No final de 2015, a Niantic se separou do Google e encontrou pouca dificuldade em encontrar um investidor, afinal, a Pokémon Company já estava trabalhando em conjunto.

Aproveitando a estrutura dos irmãos mais velhos Field Trip e Ingress, a equipe de Hanke desenvolveu o Pokémon go visando a interação e engajamento dos jogadores com a cidade, evitando o caráter doutrinador, definido como história acidental. Posteriormente, os desenvolvedores sugeriram para os jogadores do Ingress participarem da seleção de pontos que eles achavam interessantes para o jogo, o que, para muitos, foi a parte mais divertida.

Novo mercado

A aposta foi certeira. Além do sucesso entre os fãs e jogadores, muitas pessoas viram a potencialidade do novo nicho que a Niantic abriu. O lucro de compras dentro do jogo já é enorme, mas as possibilidades maiores ainda. No Japão, a empresa lançou Pokémon em parceria com o McDonald's. Empresas menores, como restaurantes, franquias, academias, shopping centers, entre outros, já perceberam que podem atrair clientes ao entrarem para o jogo – isso sem contar um programa de patrocínio e parceria com empresas que a Niantic não descarta.

Jogo Ingress

O jogo Ingress foi a primeira aposta de John Hanke na realidade aumentada

Hanke precisou do Ingress para uma "comprovação empírica" do Google, mostrando que sua proposta era possível. A partir dela, veio uma ideia revolucionária que não só teve um enorme retorno, como proporcionou um aumento de mercado de 23% para a parceira Nintendo, dona da Pokémon Company.

Entusiasta da tecnologia, Hanke espera pelas lentes de contato que vão permitir que a gente veja o mundo como queremos. Porém, enquanto elas não chegam, ele aposta na potencialidade dos smartphones em trazer a realidade aumentada para a vida das pessoas. O ponto onde a tecnologia se encontra, isto é, a mecânica atual de Pokémon GO e Ingress, é apenas a ponta de um grande iceberg.

Além do que pode ser feito dentro dos jogos, há uma variedade de produtos que poderão ser desenvolvidos a partir da tecnologia para trazer experiências novas. A Niantic pode ser quem tornou isso possível, mas Hanke espera que outras pessoas e empresas se envolvam nessa indústria promissora.

Com informações de VentureBeat, Forbes e Business Insider (1) e (2)

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