Como era o mercado de games em 2016? Relembre e veja o que mudou de lá para cá
Por Gabriel Cavalheiro |

A indústria dos games tem um poder incrível de nos lembrar sobre como estamos ficando velhos como nenhuma outra arte do setor do entretenimento consegue. Estamos falando de um universo onde as melhorias de tecnologia e gráficos avançam de uma forma realmente assustadora, o que bagunça nossa percepção de tempo. Há 10 anos víamos a histeria coletiva com o lançamento de Pokémon GO, o prego no caixão do Wii U ou a polêmica decisão do Jogo do Ano no The Game Awards 2016.
Sim, 2026 marca uma década desde que muitos jogadores compraram seu PlayStation 4 ou Xbox One (ou você é uma das pessoas que comprou um Wii U?). De lá para cá muita coisa mudou, algumas desenvolvedoras ascenderam enquanto outras caíram no limbo.
Nesta mistura de retrospectiva nostálgica com o atual cenário de incertezas na indústria dos games, o Canaltech trouxe um comparativo entre como era a vida dos gamers em 2016 versus como estamos hoje.
2016: o auge da oitava geração de consoles
O ano de 2016 foi um momento de fervor em todo o mundo dos games. O Xbox One ainda tentava se recuperar do fracassado início do console em 2013, enquanto a Sony se mantinha líder absoluta no segmento de consoles. Podemos ver muito disso ao analisar os hardwares lançados por cada empresa na época: enquanto a Microsoft investia no agora falido HoloLens e no Xbox One S, a companhia japonesa apostava no PlayStation 4 Pro e no PSVR.
O embate entre PS4 e Xbox One era acompanhado de inúmeros lançamentos de jogos ilustres, desde reboots, sequências, novas IPs até casos de redenções. Foi em 2016 que recebemos jogos como INSIDE, Persona 5, Uncharted 4, Dark Souls III, DOOM (2016) e Watch Dogs 2, que de alguma maneira conseguiu redimir a Ubisoft do fiasco do primeiro jogo e chamou o interesse para a nova franquia.
A disputa pelo Jogo do Ano no The Game Awards 2016 foi acirrada. Entre DOOM (2016), INSIDE, Titanfall 2 e Uncharted 4: A Thief's End, a crítica na época elegeu o hero shooter que virou febre no mundo todo: Overwatch. A premiação deixou o gosto amargo na boca de muitos jogadores, principalmente pelo shooter da Blizzard se tratar de um multiplayer online. O caso acabou entrando no hall de polêmicas do TGA, junto ao fato de God of War ter levado o GoTY em cima de Red Dead Redemption 2 em 2018.
Foi em 2016 que outra febre chegou aos dispositivos móveis de todos os jogadores: Pokémon GO. Era de lei: você abria uma rede social ou mesmo o Google e batia o olho em notícias e vídeos de multidões desesperadas atrás do raro Vaporeon ou invasões a estabelecimentos como igrejas. Quem não jogou Pokémon GO nesta época ficava de fora das rodas de conversa. Apesar de não ter sido uma das melhores formas de tirar as pessoas de casa, muita gente tocou na grama ao jogar o título da Niantic.
Após o fracasso retumbante do Nintendo Wii U, a Big N revelou em 2016 as principais novidades de seu mais novo sistema que chegaria em março de 2017: o Nintendo Switch. Na época, a empresa passava por um dos seus piores momentos desde a entrada no mercado de videogames nos anos 70. E a aposta era alta em The Legend of Zelda: Breath of the Wild, que prometia revolucionar a saga de Link.
Isso ocorreria após a companhia e a indústria dos games perderem um dos executivos mais amados e lembrados de todos: Satoru Iwata, que veio a falecer em 11 de julho de 2015 em decorrência de complicações causadas por um tumor no ducto biliar. Iwata morreu aos 55 anos e, infelizmente, não conseguiu ver o resultado dos seus esforços com o Nintendo Switch.
2026: o pessimismo toma conta da indústria dos games
Uma década mais tarde, 2026 marca um período estranho assolado por demissões em massa após uma pandemia devastadora em 2019, queda de estúdios e preços exorbitantes.
Se Watch Dogs 2 salvou a franquia e limpou um pouco da imagem da Ubisoft em 2016, que vivia em um excelente momento, hoje a companhia francesa é conhecida por suas crises, demissões em massa, jogos medianos e fechamentos de estúdios a torto e a direito. Em 2026, a Ubisoft tenta se reerguer com investimento da Tencent, enquanto conta com dificuldades para se organizar e baixas vendas de jogos como Star Wars Outlaws.
A Inteligência Artificial generativa se tornou outro debate que nem sonhávamos em 2016. A preocupação dos jogadores e do campo artístico quanto ao uso da ferramenta, substituição de mão de obra, plágio e questões ambientais vem reinando sobre o assunto, enquanto corporações apoiam e até obrigam o uso das IAs.
Essa demanda fora da curva pela tecnologia também causou um aumento expressivo no valor de componentes como a memória RAM, o que afeta diretamente a montagem de PCs, fabricação de consoles e tudo ao redor disso. Ou seja, tudo ficou mais caro e não há esperanças de melhorar tão cedo assim.
Neste ano de 2026 vemos basicamente uma terra arrasada. Empresas ocidentais como Microsoft, Unity, EA, Ubisoft e ocidentalizadas como Sony e Square Enix promoveram cortes que afetaram dezenas de milhares de desenvolvedores.
A expectativa é de que mais demissões em massa, fechamentos de estúdios e cancelamentos sigam a todo vapor, ao passo que os jogos vão encarecendo. Este é o caso de Mario Kart World que inaugurou a faixa de US$ 80, absurdos R$ 500 no Brasil. Outros jogos, como GTA 6, devem seguir o mesmo caminho.
Nos consoles, a Microsoft chutou o balde ao anunciar sua estratégia multiplataforma e de serviços, jogando o Xbox Series para escanteio. O ano de 2025 foi inclusive o pior ano para hardware do Xbox que vende menos a cada trimestre. Já a Sony, apesar de liderar a geração, tem dificuldades para manter uma boa cadência de first-party e entrou numa obsessão estranha por jogos como serviço, herdada por Jim Ryan, o que inseriu a japonesa em frias como Concord.
Um respiro para a indústria?
Quem diria que nasceriam flores de um vulcão? Apesar de todo este panorama negativo, 2026 promete ser um excelente ano para jogos indie e AA. Os segmentos deram um show no ano passado com Hades II, Hollow Knight: Silksong e Clair Obscur: Expedition 33, com o último sendo aclamado em centenas de premiações e colocando a Sandfall Interactive no mapa.
Apesar do tempo de desenvolvimento de jogos ter crescido substancialmente desde 2016, esses jogos provaram que projetos mais modestos e curtos ainda possuem espaço na indústria. Este é o caso do Xbox, que trouxe nos últimos anos Pentiment, Keeper e Hi-Fi RUSH (apesar de fechar o estúdio deste último com uma demissão brutal).
A Nintendo está anos-luz à frente do que era em 2016. O primeiro Switch foi um sucesso estrondoso com mais de 150 milhões de unidades vendidas (atualmente é o 3º videogame mais vendido de todos os tempos) e o Nintendo Switch 2 promete continuar seu feito, visto que vendeu como água no deserto.
A Rockstar Games promete trazer de volta o que sentíamos com videogames em 2016. GTA 6, o maior jogo do estúdio até então, tem data marcada para 19 de novembro de 2026 e promete estremecer as bases da indústria. A expectativa para o jogo é tão alta que devemos ouvir falar dele por décadas após seu lançamento, sendo ele uma masterpiece ou desastre completo.
De erros a acertos, a indústria dos videogames seguirá de alguma forma: seja com marcas tradicionais caindo e dando espaço para estúdios inovadores, seja com aumento de preços e todos os malefícios do uso de IA de forma descontrolada.
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