Blizzard | Por que a empresa está demitindo funcionários no Brasil? Entenda

Por Wagner Wakka | 22 de Março de 2021 às 15h00

Na última semana, a Blizzard demitiu funcionários ligados às equipes de marketing e comunicação responsáveis pela América Latina e Brasil. Segundo apurou o Canaltech, a mudança vem de uma movimentação global que impacta cerca de 2% do quadro de funcionários totais da Activision Blizzard, empresa-mãe que detém a Blizzard Entertainment.

A Activision Blizzard confirmou as demissões, mas disse que isso não significa o encerramento das atividades comerciais no Brasil nem na América Latina, mas apenas uma reestruturação.

De acordo com a apuração do Canaltech, entre os demitidos estão funcionários com foco em distribuição, marketing, vendas e comunicação, incluindo contatos com a imprensa. Apesar de saber os nomes de parte dos empregados demitidos, a nossa reportagem não sabe precisar o número exato de afetados.

Na última sexta-feira (19), também circularam informações de que o prédio da Blizzard em Irvine, nos Estados Unidos, seria fechado. Segundo apurou o Canaltech, isso não deve acontecer.

Havia a expectativa de que, com a demissão de funcionários da Blizzard aqui no Brasil, comunicação e marketing seriam absorvidos por times da Activision. Entretanto, de acordo com empresa, as operações continuam independentes. Assim, a Blizzard não responde pela Activision, nem vice-versa.

Por que mudar? 

Na última terça-feira (16), uma reportagem da Bloomberg revelou planos da Activision Blizzard de também demitir equipes de fora do Brasil. A apuração do jornalista Jason Scheirer reforça a informação a que o Canaltech teve acesso: as demissões impactariam 2% do quadro funcional global da companhia. Na conta da Bloomberg, isso significa 190 pessoas em todos os escritórios, incluindo Brasil.

Lá nos Estados Unidos, os trabalhadores demitidos vão receber indenização equivalente a 90 dias de trabalho, além de plano de saúde para o resto do ano. Como o país não tem um sistema de saúde público como no Brasil, a medida ajuda a segurar os funcionários pelo resto de 2021.

Em resposta às demissões por aqui, a Activision Blizzard se posicionou com o seguinte comunicado:

“Os jogadores cada vez mais escolhem se conectar aos nossos jogos de forma digital. Tudo que fazemos é pela perspectiva de nossos jogadores, e neste último ano temos explorado como melhor podemos atender suas necessidades".

A empresa já está se movimentando, pelo menos desde 2020, para direcionar seus produtos para canais digitais. Por conta disso, os últimos lançamentos da gigante, como Tony Hawk’s Pro Skater 1+2, Call of Duty Black Ops Cold War e Crash 4: It’s About Time, não chegaram ao mercado em mídia física por aqui. Na época, a empresa disse que isso faz com que “os jogos da Activision sejam menos afetados pela volatilidade cambial”.

Do lado da Blizzard, a companhia tem lançado produtos apenas pela sua plataforma Battle.net. O espaço se tornou o principal canal de vendas de games da Activision Blizzard, incluindo games da Activision.

O comunicado continua: “nossos times de América Latina tiveram que evoluir, se adaptando nesta mudança para melhor atender nossos jogadores e preparar a região para os próximos estágios de crescimento. Estamos tomando diversas medidas para dar suporte às pessoas afetadas”.

Assim, o motivo das demissões teria reflexo na movimentação da Activision Blizzard em digitalizar seus canais. Segundo apurou o Canaltech, a maioria dos funcionários impactados aqui era de setores ligados à venda, distribuição e negociações de mídia física no país.

Por aqui, tais times podem contar com outra equipe independente da Activision, ainda não divulgada pela Blizzard no Brasil. Ainda não há informações sobre possíveis benefícios para os funcionários demitidos além dos estabelecidos pela CLT.

O Canaltech tentou contato com parte do time demitido, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.

A movimentação veio pouco tempo depois de a Activision Blizzard anunciar receita recorde de US$ 8 bilhões em 2020, com crescimento no cenário da pandemia da COVID-19.

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