Back 4 Blood traz de volta estilo consagrado, mas com nova roupagem

Back 4 Blood traz de volta estilo consagrado, mas com nova roupagem

Por Felipe Demartini | Editado por Bruna Penilhas | 05 de Agosto de 2021 às 16h00
Divulgação/Warner Bros.

O desenvolvimento de Back 4 Blood poderia ser como uma cadeira de massagem confortável para a desenvolvedora Turtle Rock. Afinal, depois de 10 anos, ela retorna ao tipo de jogabilidade focada no tiroteio contra zumbis que a consagrou, duas gerações atrás, nos tempos de Left 4 Dead. Mas essa luta pela sobrevivência não poderia ser fácil, tanto para os humanos envolvidos no tiroteio quanto para os próprios produtores.

Afinal de contas, muita coisa muda em uma década e, hoje, o tipo de jogabilidade frenética, ainda que siga como uma favorita dos fãs, não é novidade em um mercado que possui diferentes propostas cooperativas, multiplayers e também assimétricas, focadas no confronto entre unidades de tipos bem diferentes — e fatores aterrorizantes também. É um ensejo no qual os responsáveis pelo novo jogo chegam com uma bagagem considerável, mas também enxergando novos desafios que precisam ser vencidos.

Back 4 Blood traz a Turtle Rock de volta ao gênero que ela afirma ter ajudado a criar, chegando também para mostrar que cachorro velho pode aprender novos truques (Imagem: Divulgação/Warner Bros.)

“Somos muito bons em jogos cooperativos, isso faz parte da nossa história. É o que fazemos de melhor e também o que mais gostamos de jogar. Mas esta é a primeira vez que retornamos a um gênero que ajudamos a criar e, sinceramente, foi mais difícil do que imaginei”, conta Chris Ashton, diretor criativo de Back 4 Blood, em entrevista ao Canaltech. Encontrar a própria voz em uma franquia inédita, com fortes raízes no passado, e assegurar o balanceamento entre o novo e o velho se tornaram o principal dilema — mas, felizmente, um que também teve uma resposta direta. “No final, o objetivo é que todos se divirtam.”

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Foi a partir desse ponto que nasceu a experiência com o novo título, que chega em outubro para PC, PlayStation 4 e Xbox One, com versões otimizadas para a nova geração do PlayStation 5, Xbox Series X e Xbox Series S. E aqui, um dos pontos principais foi capitalizar dos sucessos do passado para tornar a experiência mais profunda e estratégica, de forma que a progressão do jogador seja acompanhada por inimigos cada vez mais poderosos, com sistemas que apoiem esse crescimento e permitam pensar de formas que vão além da correria e do dedo no gatilho.

Entra em cena o sistema de cartas de Back 4 Blood. Ao longo das partidas e da progressão de perfil, os jogadores podem montar baralhos que garantem características especiais aos personagens, melhorando suas habilidades ou dando a eles atributos adicionais. A ideia dos desenvolvedores é que o recurso seja fácil e acessível para os jogadores de primeira viagem e também para aqueles que desejarem uma experiência mais casual. Ao mesmo tempo, a intenção é que o sistema seja profundo o suficiente para que a evolução ao longo das campanhas e partidas seja recompensada com mais desafio, criando um ciclo de crescimento e melhoria.

“Você pode achar que está se especializando, então aumentamos a barra”, explica Ashton, indicando que, nessa medida, as cartas se tornam um item essencial de estratégia que pode até mesmo fazer com que Back 4 Blood ganhe ares de hero shooter. Nas dificuldades mais altas, ou até mesmo nos níveis derradeiros da campanha principal, a montagem de equipe se torna um elemento fundamental, com o foco em diferentes papéis e habilidades focadas em resistência para um, cura para outro e assim por diante, assumindo protagonismo nas partidas.

Ninguém precisa ser um jogador profissional, reforça o diretor criativo, e houve uma preocupação para que o sabor da jogabilidade violenta não se perdesse em meio a estatísticas, cartas e combinações. Ainda assim, há aquele passo a mais para quem desejar dar. “[Nos níveis mais altos], quem montar decks apenas pela diversão e de acordo com o que gosta mais, provavelmente não vai sobreviver."

Vista como extra em muitos outros jogos do gênero, controle dos monstros é parte integrante da experiência de Back 4 Blood e, inclusive, compartilha muitos de seus aspectos de jogabilidade e estratégia (Imagem: Divulgação/Warner Bros.)

Esse aspecto também se aplica ao lado dos monstros, que inclusive, estão entre as principais novidades de Back 4 Blood. O game, além do tradicional modo em que sobreviventes combatem hordas, ainda conta com um modo assimétrico no qual jogadores humanos enfrentam criaturas igualmente controladas por usuários. Segundo Ashton, o aspecto cooperativo da experiência também vale aqui, bem como a estratégia nas partidas de nível mais alto. “Toda a progressão é baseada na união entre jogadores”, completa.

Um jogador não muito habilidoso pode, por exemplo, usar pontos de mutação nos zumbis comuns, criando um exército mais resistente ou que cause dano explosivo ao morrer. Outro pode preferir investir em criaturas mais fortes, com essas opções sendo compartilhadas com todo o time durante as partidas. “A cada rodada, há sempre uma estratégia diferente e mesmo que um time perca, sempre fica a ideia de que dá para tentar algo diferente na próxima vez”, explica o diretor criativo.

Contos no apocalipse

Diferentes combinações de personagens levam a diálogos variados e novas revelações sobre a história — segundo a desenvolvedora, quem zerar só uma vez não saberá de tudo (Imagem: Divulgação/Warner Bros.)

Caso seja um veterano de Left 4 Dead ou até mesmo de Evolve, você pode ter estranhado as menções a uma campanha principal no novo game da Turtle Rock. Entre tradições e inovações, o foco em contar uma história surgiu como um dos pontos principais para os desenvolvedores, com o avanço ao longo das missões revelando mais sobre os personagens, os cenários e a própria infecção. Não se tratam de detalhes ou easter eggs, mas sim, de acordo com Ashton, de parte integrante da experiência.

“Nossos jogos anteriores tinham temas e [estágios] interessantes. Agora, queremos contar uma história de verdade, encaixando todas as peças e fazendo com que cada missão seja um gancho para a próxima”, explica ele. Há uma campanha com começo, meio e fim em Back 4 Blood, bem como uma dificuldade e desafios crescentes, além de estilos variados de jogabilidade para não deixar o game repetitivo.

Surgiu, então, outro dilema para a equipe de produção, já que a ideia era inserir a jogatina cooperativa também na hora de trabalhar a campanha. “Queremos contar uma história ao longo de 100 sessões de jogo. Caso você termine uma vez só, não saberá de todos os detalhes”, explica Ashton.

Back 4 Blood tem oito personagens, sendo que apenas quatro vão para a ação a cada rodada. Ao mesmo tempo, os diálogos e interações entre eles ajudam a montar o enredo, tanto dos próprios sobreviventes, quanto desse universo, com diferentes combinações levando a falas variadas. Ainda que o centro esteja nos combates e na sobrevivência, os desenvolvedores enxergam a trama como um motor adicional, com elementos instigantes o bastante para incentivar a experimentação e o interesse dos jogadores em revisitar as missões.

Da mesma forma, a visão da Turtle Rock espera que, no futuro, os jogadores troquem figurinhas sobre os diferentes diálogos e elementos que surgem ao longo das partidas. Nessa união de tiroteio frenético, sobrevivência, estratégia e interesse está o cerne da ação de Back 4 Blood que, como nos títulos anteriores, é um game de cauda longa. Ashton não revela nada sobre expansões de conteúdo ou crossovers com outras franquias, como aconteceu em Left 4 Dead, mas não esconde que espera, sim, ver tudo isso acontecendo com o sucesso do título. O foco atual, entretanto, está em entregar o game e ver todas essas peças se encaixando para os jogadores.

Back 4 Blood chega em 12 de outubro para PC, PS4 e Xbox One, que também dão acesso gratuito às versões de PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Nesta quinta (5), a desenvolvedora inicia testes beta, inicialmente para convidados e jogadores que realizaram a pré-compra do game, com um gostinho dos modos PvE e PvP, em alguns dos mapas iniciais dessa luta pela sobrevivência.

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