Arquivos de Epstein revelam conexões de empresário com mundo gamer
Por Lillian Sibila Dala Costa • Editado por Jones Oliveira |

Poucos assuntos são tão falados quanto os Arquivos Epstein, onde e-mails e fotos do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein mostram suas conexões com o mundo das celebridades, negócios e política. Novas partes liberadas do conjunto de e-mails trazem à luz a relação do estadunidense com o mundo dos jogos, de planos para jogos “educativos” a conversas com grandes nomes da indústria.
Vale lembrar que a mera associação com o nome de Epstein não implica em atividade criminosa, mesmo assim não é visto com bons olhos pela opinião pública. Aparentemente, o empresário começou a adentrar o mundo dos jogos em 2012, quando enviou dezenas de e-mails ao CEO da Activision Blizzard, Bobby Kotick, incluindo convites para visitar sua ilha privada e sair em jantares.
Kotick também teria se correspondido por e-mail com Ghislaine Maxwell, condenada por tráfico sexual em 2021: ela foi cúmplice de Epstein ao atrair adolescentes para festas do empresário em 2004, segundo provas documentais.
Jogos “educativos”
Em conversas entre Epstein e Kotick, foi discutida a possibilidade de criar jogos educativos, conhecidos como edutainment. Jeffrey, em 2023, escreveu um e-mail onde teoriza que o poder dos jogos de desafiar o gamer em seu nível de conhecimento e estimular o aprendizado é valioso.
Com incentivo de prêmios, Epstein disse acreditar que professores poderiam acabar defasados ou ter seu poder educacional ampliado através dos games. Ele reconheceu, no entanto, que os jovens “aprendem pouco, fora saber que é para atirar nos caras maus”.
Epstein, no entanto, escreveu, em tradução livre, que “edutainment é para maricas [...], não funciona. Quando crianças veem que você está tentando ensinar algo, elas se fecham. Temos que manter seios, armas e lucros. Você viu quanto os jogos fazem [de dinheiro] hoje em dia? Que se dane a reforma educacional. Precisamos de subversão educacional!”.
Kotick, em resposta, disse que as recompensas são uma boa ideia. Já em 2018, Epstein conversou com conselheiros financeiros sobre comprar ações da Activision Blizzard antes do lançamento de Call of Duty: Black Ops 4, da desenvolvedora, já que acreditava-se que o game seria um grande sucesso.
Rockstar e polêmicas
Os arquivos liberados recentemente também citam Leslie Benzies, antigo chefe da Rockstar North e fundador da Build A Rocket Boy, bem como Sam Houser, presidente da Rockstar Games. Seus nomes aparecem em um arquivo onde a vítima de Epstein e Maxwell, Sarah Ransome, afirma que os empresários sabiam dos abusos sofridos por ela. Eles não são mais citados no documento.
Benzies, após o surgimento das falas, negou envolvimento com quaisquer atividades ilegais de Epstein em comunicado ao Kotaku: “As alegações são falsas, eu tive um envolvimento consensual de três meses com essa pessoa, e nunca encontrei Jeffrey Epstein, nem visitei sua ilha, propriedades ou sequer viajei em seu avião. Qualquer sugestão do contrário é enganosa.”
Strauss Zelnick, CEO da Take-Two, da qual a Rockstar é subsidiária, também aparece nos arquivos, mas apenas citado por meio de um amigo em comum com Epstein, Leon Black. Não há relação direta do empresário com o já falecido estadunidense.
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Fonte: Kotaku