A crise não chegou aos jogos: indústria gamer e suas oportunidades

A crise não chegou aos jogos: indústria gamer e suas oportunidades

Por Giovana Gaiolli | 20 de Março de 2021 às 13h00
Reprodução/Fredrick Tendong (Unsplash

A essa altura, chega a ser repetitivo mencionar o quanto a COVID-19 afetou o mundo. Para o mercado, a pandemia trouxe consigo a temida crise para diversos setores, porém, a indústria gamer não foi um deles. O isolamento social fez com que bilhões de pessoas passassem a ficar mais tempo em casa e, muitas delas, viram nos jogos um meio de passatempo pessoal, familiar, ou muitas vezes, até como uma segunda fonte de renda, o que fez com que o mercado gamer não despencasse na quarentena. Ao contrário, cresceu.

Em linhas gerais, o mercado de jogos teve um aumento de 12% na receita em 2020 no comparativo anual. Enquanto a receita foi 6% maior em janeiro e fevereiro no comparativo anual, teve um crescimento de 14% no restante do ano. Ou seja, como o lockdown da COVID-19 teve um efeito mundialmente em março de 2020, os gastos com games dispararam a partir desse mês e não voltaram a cair mais, de acordo com a SuperData, braço de análise de entretenimento da Nilsen.

A COVID-19 deu origem à utilização de espaços digitais como centros de encontro socialmente distantes. Com eventos presenciais cancelados e como uma forma de fugir das tradicionais lives, muitos encontraram no jogo online uma forma de se comunicar com o seu público-alvo e, até mesmo, atingir um novo público, por que não?

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O cantor Travis Scott, por exemplo, inovou e realizou um concerto digital durante o jogo Fortnite, gerando mais de 45 milhões de visualizações. Temos casos até na política em que congressistas usaram de jogos para atingir um público novo, como as norte-americanas Alexandria Ocasio-Cortez e Ilhan Omar que jogaram Among Us ao lado de streamers populares da Twich e conseguiram ter um público médio de 358 mil internautas por minuto.

O mercado é gigantesco e traz possibilidades para diversos segmentos, ao contrário do que muitos ainda pensam. Hoje em dia, vemos muitas oportunidades de vendas para o público gamer, seja para a pessoa que deseja atualizar seu computador ou para quem está entrando nesse universo agora.

De acordo com a pesquisa Ipsos, encomendada pela Intel em 2020, 50% de todos os jogadores utilizam um computador específico para jogar, ou seja, procuram setups fortes e atualizados que ofereçam desempenho e performance para poderem jogar sem gargalos. No primeiro trimestre de 2021, por exemplo, foi lançada a 11ª geração de processadores Intel com linhas voltadas especificamente para o público gamer, apenas um ano após o lançamento da 10ª Geração, o que mostra como esse mercado é dinâmico e se precisa manter atualizado constantemente.

Para o gamer que gosta de jogar pelo PC, além das demandas mais tradicionais como componentes de hardware, também vemos cada vez mais a procura por itens como mouses, teclados, monitores, microfones ou até a própria cadeira gamer que teve um aumento de 300% nas vendas da Amazon nos EUA.

A consolidação dessa indústria continuará em 2021 e passará a ser cada vez mais competitiva. Para “embarcar na onda”, as empresas precisam escutar o consumidor e se munir de informações sobre esse universo, ou seja, acompanhar lançamentos, seguir tendências e se inserir, de fato, na comunidade gamer.

Somente assim, as companhias poderão, como nos jogos, passar de fase.

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

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