Vender, doar, reutilizar: o que fazer com seu eletrônico usado?

Por Felipe Demartini | 03 de Dezembro de 2013 às 14h28

Todos os dias, mais e mais novidades tecnológicas estão chegando ao mercado. Desde smartphones, que têm novas funções sendo anunciadas a cada semana e dispositivos dos mais diferentes tipos disponíveis, até computadores e videogames, que não possuem uma taxa de atualização tão constante mas também acabam sendo abandonados quando um mais moderno é lançado.

Por um lado, a questão movimenta os negócios de centenas de empresas e gera milhões e milhões em lucros. Por outro, constitui um problema real para o meio ambiente. De acordo com dados da ONU, cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico são produzidas todos os anos, com o Brasil liderando o ranking de países.

Quem não joga fora seus equipamentos acaba ficando com pilhas e pilhas de produtos inutilizados. Muitos, em pleno estado de funcionamento, mas que não são mais usados por estarem obsoletos, não servirem mais ao estilo de vida do usuário ou terem sido substituídos por apresentarem danos que não valem a pena o conserto.

Pensando nisso, o Canaltech preparou algumas dicas sobre o que fazer com todos os seus gadgets guardados e garantir que eles continuem funcionando por mais algum tempo.

Troque por moedas

Celular

A venda de produtos eletrônicos usados pode parecer uma opção óbvia para muita gente, mas a maioria não pensa em fazer isso. Outros consideram a opção complicada, pois envolve ofertas incessantes para os amigos ou a criação de anúncios. A internet, porém, veio como grande facilitadora de tudo isso.

Enquanto o mercado de eletrônicos vem registrando crescimento de 3,7% em 2013, o mesmo setor nos sites de classificados já soma um aumento de 65% em relação ao ano passado, de acordo com números do site OLX. É um dos segmentos com maior aumento na inserção de anúncios no serviço.

Na visão de Graziela Carmezine, gerente de marketing da empresa, o aumento do poder aquisitivo da população e a grande quantidade de lançamentos que invadem o mercado são os principais motivadores desse aumento. “O usuário, ao comprar um item novo, não sabe o que fazer com o antigo que, na maioria das vezes, tem pouco tempo de uso. Nossa plataforma [acaba se tornando] uma forma rápida de dar um fim ao produto e ganhar dinheiro”, explica.

Computadores e smartphones estão entre os produtos mais ofertados na OLX, juntamente com acessórios diversos, games e consoles. A empresa, porém, não informa o número de anúncios bem-sucedidos, uma vez que toda a transação e compra dos produtos é feita entre os próprios usuários.

Justamente por esse motivo, existe a questão da confiança. Para muitos, comprar dessa maneira é ainda mais inseguro que em lojas online, devido à ausência de uma grande marca por trás de tudo. A OLX está ciente desse problema e, segundo Carmezine, realiza um forte trabalho de marketing com o intuito de educar o usuário e mudar o hábito com relação aos produtos usados.

É o caso da campanha de comerciais que brinca com o conceito do desapego. “Procuramos mostrar as vantagens de se desapegar daquele item parado em casa, trazendo significativos ganhos financeiros e para a vida”, explica Carmezine. O objetivo, ainda, é desmistificar os sites de leilão e mostrar que os produtos usados possuem qualidade e podem atender aos mais diferentes gostos e padrões financeiros.

Adaptação

Você está cansado de seu notebook e compra um novo, equipado com o que há de melhor no mercado. Ou, então, percebe que seu computador atual apresenta um problema simples, que não prejudica como um todo seu funcionamento. Que tal utilizá-lo para outro fim?

XBMC

Esse foi o caminho seguido pela desenvolvedora de software Elaine Martins, que transformou dois notebooks com problemas no display em centrais multimídia, para assistir a filmes ou ouvir música. Conectados à televisão, bastou a instalação de um aplicativo como o XBMC Media Center, que modifica a interface, e a aquisição de um mouse controle remoto para trazer os velhos equipamentos de volta à vida.

A mesma ideia foi aplicada em casa pela designer Lanna Solci, que possui um PC ligado em rede e funcionando como servidor de arquivos. “Meu namorado tem um cemitério de peças, fomos pegando as melhores e jogando ali. Não gastei nada”, conta ela, que montou um 'frankenstein' com 950 GB de armazenamento, divididos em cinco discos rígidos, sendo um HD externo.

Inclusão digital

Idosos e computador

Solci também é adepta da transferência tecnológica e costuma dar seus aparelhos antigos para membros da família. Ao todo, cinco gadgets já ganharam novos donos: três celulares, uma câmera digital e um notebook, acompanhados de bastante paciência para explicar o funcionamento de tudo para os mais velhos.

O computador, em particular, ficou com a avó da designer, que se adaptou bem ao PC após duas ou três explicações e já está pensando em comprar um novo, com tamanho menor. O mesmo, porém, não aconteceu com o smartphone. “[Ela] encontrou bastante dificuldade e acabou devolvendo. Já minha irmã não teve dificuldade e já repassou os telefones que dei para ela, arranjando melhores com outros parentes”.

O velho Motorola Razr da analista de mídias sociais Natalie Rosa foi, justamente, a entrada de sua mãe no mundo que serve de trabalho para a filha. Após quebrar a tela do aparelho, ela buscou serviços de assistência técnica que se mostraram caros demais. Acabou com um smartphone funcional, mas quebrado.

“Eu ia tentar vender, mas ninguém compraria. Minha mãe sempre perguntava se eu daria o celular para ela e eu acabei cedendo”, conta ela. Após ensinar conceitos básicos do funcionamento do aparelho, Maria Inês Rosa foi apresentada ao Google Play. Hoje, usa o celular para jogar, utiliza aplicativos e tem perfis em redes sociais, além de mandar mensagens para a filha pelo WhatsApp.

Faça uma boa ação

A solidariedade também é uma opção bastante usada por Elaine Martins, apesar da dificuldade para se desfazer de determinados equipamentos. “Nem todos têm condições de fazer um upgrade nos PCs ou periféricos, mas também gostam e possuem todo o direito de ficarem conectados. É engraçado, pois aparecem doações de todo tipo e de artigos que você nem imagina que alguém ainda pode ter ou precisar.”

Ela conta que, certa vez, doou um monitor CRT bastante antigo e com um problema que deixava a imagem completamente azul. O rapaz que recebeu o equipamento, porém, não tinha condições de adquirir um display novo e precisava finalizar trabalhos para a faculdade. “Ele me disse que para escrever os textos não interessa a cor que aparece na tela, apenas o conteúdo”, lembra.

Martins utiliza a lista de emails Curitiba Freecycle, que não é voltada especificamente para a doação de eletrônicos, e sim, para todo tipo de objeto. Grupos no Facebook também são bastante úteis para quem estiver a fim de fazer uma doação para pessoas. Quem prefere ajudar instituições pode entrar em contato, por exemplo, com o Exército da Salvação, que inclusive envia emissários para retirar os artigos em domicílio.

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