Usar fone intra-auricular faz mal ao ouvido? O que dizem otorrinos
Por Nathan Vieira • Editado por Léo Müller |

O uso de fones de ouvido faz parte da nossa rotina, mas junto com a praticidade, cresce também a preocupação com os possíveis danos à audição. Afinal, usar fone intra-auricular faz mal ao ouvido? Especialistas alertam: depende da forma e da frequência de uso.
- Seu próximo fone de ouvido tem que ser um "headphone"; 5 motivos para comprar um
- Fone por condução óssea | O que você precisa saber antes de comprar?
Segundo o médico otorrinolaringologista Alexandre Camilotti Gasperin, professor da Escola de Medicina e Ciências da Vida da PUCPR, o problema não está exatamente no fone, mas no excesso.
“As crianças e adolescentes têm utilizado por períodos longos, e muitas vezes sem controle do volume, deixando o som muito alto”, explica o médico.
Essa exposição frequente e prolongada pode causar danos internos no ouvido, afetando estruturas responsáveis pela audição. O alerta vale principalmente para quem usa fones todos os dias, por várias horas seguidas.
Qual fone é mais seguro?
Uma dúvida comum é se o tipo de fone interfere na saúde auditiva. De acordo com o especialista, sim.
“Entre o intra-auricular ou os de concha, o de concha é mais seguro, pois possui melhor vedação, e por isso, podemos deixar o som mais baixo e com melhor qualidade”, afirma o dr. Gasperin.
Além disso, os fones de concha ficam mais afastados do tímpano, o que reduz o impacto direto do som dentro do ouvido.
Para quem não abre mão dos fones, o otorrino recomenda uma orientação simples e prática, conhecida como regra 60/60: usar o fone por no máximo 60 minutos seguidos, fazer pausas de pelo menos 20 minutos e manter o volume em até 60% da capacidade máxima
“Nada em excesso faz bem. Usar as coisas com cuidado e sem exageros é o melhor caminho”, reforça o médico.
Chiado no ouvido após usar fone é sinal de alerta?
Sentir um chiado ou zumbido no ouvido após retirar o fone não é normal e merece atenção.
“Esse ‘chiado’, conhecido como tinnitus, é um sintoma de sofrimento das células auditivas”, explica o otorrino. Na maioria das vezes, o sintoma é passageiro. No entanto, quando a exposição ao som alto continua de forma frequente, o problema pode se tornar permanente e indicar perda auditiva.
De acordo com o especialista, a tecnologia faz parte da vida moderna e não precisa ser inimiga da saúde. O segredo está no uso consciente.
“A melhor dica é prevenção. Assim podemos usufruir da tecnologia sem que ela se torne danosa”, conclui dr. Gasperin.
Adotar hábitos simples hoje pode evitar problemas auditivos no futuro e garantir que ouvir bem continue sendo algo natural ao longo da vida.