Análise | JBL Everest 710GA é bonitão, e traz "sonzeira" com graves comportados

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Conhecida pela alta qualidade sonora de seus equipamentos e popularizada no Brasil com as caixinhas de som quase onipresentes em festinhas e get togethers por aí, a JBL traz um som de responsa também para quem quer escutar música sozinho. Os novos fones da linha Everest trazem um conjunto de características que aliam mobilidade, qualidade e acesso ao Google Assistente, que aliás, é a grande novidade do novo modelo que vamos analisar aqui.

Se você já conhece o Everest 310GA, imagine-o mais robusto em todos os sentidos: no físico, na pegada e na qualidade sonora. O Everest 710GA é um modelo voltado para quem quer ouvir um som limpo, com ênfase nos graves e uma ajudinha do Google Assistente para desempenhar atividades com mais praticidade, como atender e fazer ligações, escolher músicas e se comunicar com seu smartphone sem ter de usar as mãos para isso.

Vamos conhecer mais do 710GA em detalhes!

Design & Ergonomia

Honestamente? Os Everest são fones muito bonitos quando estão na caixa ou fora da cabeça, mas como toda análise leva por si um viés, permita-nos dizer que, na cabeça, eles têm um design, digamos assim, peculiar. Pelo formato das conchas e todo o seu acolchoado, parece que o arco fica um pouco distante demais da cabeça na região das têmporas — o que pode causar uma impressão um tanto quanto estranha no início, mas que é rapidamente compensada pelo jeitinho JBL de ser, ou seja, pela qualidade sonora do brinquedo.

O Everest 710GA vem na cor grafite e é um fone imponente, bem construído e com um acolchoado bastante confortável. Ele é feito de um polímero bacana, revestido por material que imita couro tanto na parte superior do arco (acolchoado) quanto nas almofadas. O arco, aliás, tem uma armação metálica que confere maior robustez ao fone, e não dá medo de quebrar ao ajustar o tamanho desejado na cabeça. Suas conchas são fechadas e abrangem bem as orelhas.

Everest 710GA: imponente e bem construído (Foto: Divulgação/JBL)

Além disso, a JBL merece destaque por ter colocado almofadas para lá de confortáveis no seu 710GA. Além de serem formidáveis em termos de revestimento e usarem espuma com boa memória, elas são articuladas.

Isso é bastante bacana, porque, além da leveza natural do conjunto, esse sistema dá um alívio maior à região da mandíbula do usuário, que por vezes pode queixar desconforto na parte alta das bochechas depois de passar horas e horas com o fone na cabeça.

Como todo modelo extra-auricular (over ear), o forte do Everest 710GA não é mobilidade, então não é um foninho discreto que se dobra em várias partes e fica pronto para você carregar no bolso. Ele é articulado em três partes, sim, e vem com um case semi-rígido bem charmoso para transporte. Para quem está sempre de mochila ou bolsa, é um apetrecho bem bacana. Aliás, o case é bem resistente e de alta qualidade, todo revestido com tecido por dentro e, por fora, com um material sintético bem bonito e que lembra couro.

Case legal, hein? Detalhe para a articulação dos fones (GIF: Luciana Zaramela/Canaltech)

O acabamento, como é de praxe na linha Everest, é premium, e o conforto é digno de nota. Os fones não pesam na cabeça, não machucam e podem te acompanhar durante horas.

Controles

O 710GA, como o nome indica, traz compatibilidade com o Google Assistente, e vamos falar sobre isso daqui a pouco. Antes, vale focar um pouquinho nos controles sempre à mão e bem fáceis de memorizar e usar.

A JBL colocou, na concha direita dos fones, uma série de botõezinhos, como você vê na imagem. Ali temos botões para pausa, reprodução, avançar e retroceder músicas, bem como atender a ligações, ativar o Bluetooth, usar a tecnologia ShareMe (falaremos dela mais adiante), ligar e desligar o aparelho. Há também uma conexão P1 para o cabo de áudio.

Concha direita do 710GA (GIF: Luciana Zaramela/Canaltech)

E basta tocar na concha esquerda para ativar o Google Assistente. Lembre-se que é preciso tê-lo ativo em seu smartphone para que o fone reconheça e use o aplicativo (seja no Android ou no iOS). Também nesta concha está a entrada micro USB para carregamento da bateria.

Bateria

Uma boa característica do 710GA é a durabilidade da bateria, que quando cheia, aguenta até 25 horas (o que, no site oficial, a JBL chama de 25 horas de fala contínua, ou seja, nos nossos testes, em volume moderado e reproduzindo música, a autonomia ultrapassou esse número). Com uma recarga de duas horas, o fone atinge uma autonomia de 20 horas.

Conectividade

O que não falta neste modelo é conectividade. Começando pela ausência de fios, que confere total liberdade ao usuário, o Everest 710GA trabalha com Bluetooth 4.1, e apesar de esta não ser a última das tecnologias, ele tem um alcance bem bacana, sem gargalos nem repiques, mantendo uma boa estabilidade quando pareado com seu celular, computador ou tablet. Nos nossos testes, andamos por uma sala ampla de aproximadamente 80 m² e por um imóvel de 200 m² sem problemas — inclusive com paredes no meio do trajeto, e o smartphone a um raio de aproximadamente 10 m dos fones. O alcance é muito bom, mesmo. Em campo aberto, melhora ainda mais, obviamente.

O legal é que o modelo também vem com a opção cabeada, ou seja, você pode aproveitar toda a qualidade que uma conexão passiva oferece ao plugar o cabo P2 do 710GA direto num amplificador, computador ou mesmo smartphone. Como são fones ativos, eles dispensam o uso de DACs, mas o fato de se ter um cabo para usar quando necessário vai além de simplesmente preferir o som analógco: como os fones funcionam passivamente, se acabar a bateria no meio do caminho, você tem a opção de plugá-los com o cabo no emissor e continuar curtindo sua música de onde parou. Essa é uma vantagem espetacular!

Tem latência? Tem, sim. Não é um fone para quem quer assistir a vídeos, muito menos um fone gamer. Você pode sentir um atraso beirando os dois segundos quando estiver usando os fones pareados no Bluetooth da sua TV ou videogame, mas isso não é o foco do modelo. E, para todos os efeitos, ele vem com entrada P2, não é mesmo?

E aí, bonito ou não? (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

E por falar em vantagens em conectividade, a JBL traz no 710GA a tecnologia ShareMe 2.0, que te deixa compartilhar músicas com outras pessoas que também estejam curtindo um som com fones Bluetooth. E para a brincadeira funcionar, os fones nem precisam ser todos da mesma marca. Bom, teoricamente, funcionaria assim, mas em nossos testes, o Everest 710GA não o som, nem com um Beats Studio3, nem com seu irmão menor, Everest 310 GA. Entramos em contato com a Harman do Brasil para entender o que pode estar acontecendo com o modelo e atualizaremos o review assim que obtivermos a resposta dos especialistas.

Por último, mas não menos importante, o modelo vem otimizado com o Google Assistente, para que você peça ajuda sempre que estiver ocupado demais para olhar para a tela do celular. Com os fones conectados a seu smartphone, basta tocar na concha esquerda (que é sensível ao toque) para ativar o Google Assistente e deixar que ele leia as notificações da tela, te conte quem ligou, as mensagens que recebeu, leia seus compromissos etc. E para os usuários de iPhone, também é possível "conversar" com a Siri.

Uma crítica: quando a música está boa demais e você dá aquela "apertada" nos fones com as mãos para curtir um som mais chegado aos ouvidos, você vai, invariavelmente, ativar o Google Assistente. Se ele não estiver ativo, a vozinha da moça da JBL vai avisar nos fones, no meio da música, que "The Google Assistant is not connected". Isso é chato… e não encontramos uma maneira de desabilitar isso.

Áudio

Chegamos na parte que mais interessa em nossa análise: o som propriamente dito! Afinal, quando posto a prova, como o Everest 710GA, que é equipado com a característica tecnologia JBL Pro Audio, se comporta?

Aqui vamos pedir licença para a primeira impressão que tivemos, e que não foi a que ficou. Os fones têm um "feeling" muito moderno, não só no visual, como também no som. E como começamos os testes ouvindo um som avant-garde, voltado para o fusion contemporâneo, tivemos uma impressão gloriosa. Quem ouve esse estilo de música geralmente é cativado pelas frequências mais médias e brilhantes que pelos graves profundos e avantajados. E nisso o Everest, aqui, caiu como uma luva. Usamos um iPhone 7 para realizar os testes.

L e R grafados dentro das conchas (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Em questão de graves, os fones entregam um som balanceado, sem bufar nos ouvidos, nem saturar em volumes mais altos. Pode ser que os viciados nessa frequência sintam falta de um equalizador — coisa que o modelo também não oferece, já que não tem um aplicativo dedicado para você moldar o som do jeito que gosta mais. Antes de se desanimar, tenha em mente que os graves do 710GA não são ruins, muito pelo contrário. Têm resposta rápida, são bem presentes, não se embolam e são bastante honestos, encorpados e com bons ataques. Isso vai variar bastante dependendo da masterização e da mixagem do que você ouve, e, principalmente, do selamento das conchas nas suas orelhas. Se você estiver suado, usar óculos ou deixar os fones mais frouxos na cabeça, vai perder, consideravelmente, em qualidade de graves. Sensível, é a palavra — tanto às masterizações quanto ao "modo de usar". Uma das nossas músicas de escolha para traduzir o poder dos baixos no Everest 710GA foi Another One Bites The Dust, do Queen. A "patada" do John Deacon, baixista da banda, é perfeitamente sentida nos fones, mas os graves e sub-graves não impactam, nem mesmo em volumes beeeem altos. Já em We Don't Need Another Hero, da Tina Turner, os graves soam bem proeminentes, incrivelmente deixando o pancadão do Queen para trás. Sensibilidade, meus amigos. Sensibilidade!

Agora, falando de médios, é que sentimos o quão "moderno" esse fone pode soar. Musicalmente falando, uma timbragem moderna é rica em frequências de médias para agudas, o que confere uma boa dose de calor à música, de modo geral. Usando a mesma We Don't Need Another Hero como exemplo, tivemos a impressão de um som muitíssimo bem preenchido. Mas o que nos mostrou a potência dos médios aqui foi o jazz-fusion It Is What It Is, do contrabaixista Brian Bromberg. A música explora bem os metais, como saxofones e trombones e tem um incrível solo de piano, mas, claro, bota o contrabaixo solo, rico em frequências médias, em evidência. E no 710GA é gostoso demais ouvir um som assim, porque os médios, embora marcantes, não mascaram os graves — que são sentidos com nitidez por todo o walking bass que marca a faixa.

Já em termos de agudos, o que sentimos foi que a JBL investiu menos nessa gama do que nas outras. Dependendo da masterização ou da mixagem, algumas (não todas) músicas ficaram enjoativas. O que nos deu esse insight foi todo o disco Kamakiriad, do Donald Fagen. Esse é um disco que sempre esteve entre os nossos preferidos e, infelizmente, se tornou maçante no 710GA, devido aos agudos extremamente saltados e picantes que o fone entregou. Para sair um pouco da bolha do jazz-rock, vamos fazer uma viagem direto para o interior "simprão" do Brasil. Arriscamos com Chico Mineiro, justamente para provar das violas choradas e mixagem simples de Tonico e Tinoco. Tivemos a mesma impressão que rolou com Donald Fagen. Não pelas violas, que até soam de médias para graves, mas pelo dueto vocal. Ficou agudo demais. As vozes também sibilam muito (sons de S e Z ficam acentuados), além de percussões e chimbais aparecerem mais do que deveriam.

Em termos de palco sonoro e ambiência, por serem fones fechados, não dá para esperar um grande resultado, e isso é natural.

Observação: usando um Mac mini 2018 para transmitir o áudio via Bluetooth, a qualidade dos agudos melhorou bastante em relação às outras frequências. Isso depende muito do aparelho que você vai usar no modo sem fio.

Para fechar essa parte do áudio: vamos usar uma música só para ilustrar todo o comportamento do Everest 710GA para que você entenda como é o som, aqui: Black or White, do Michael Jackson. A música começa com o pai de um garoto batendo à porta e pedindo para o menino abaixar o volume alto da música que estava curtindo, certo? Não tem aquela sensação de sala de concerto que um fone aberto passa, mas um bom efeito panorâmico. Infelizmente, a marcação da caixa da bateria soa aguda e alta demais, mais ainda que as guitarras. A voz de Michael soa legal, já que está no espectro das frequências médias, mas fica cruelmente abafada pela marcação. Os graves estão firmes e no lugar certinho. Passados os 2:23, a música se desenvolve e fica mais pesada, com guitarras agressivas. O resultado fica bem interessante nos fones! Daí ela quebra em uma ponte funk/hip-hop e tudo fica mais harmônico, já que, naturalmente, temos menos agudos presentes. Essa impressão foi a que tivemos com o volume em 60%. Se você abaixar o volume para 50% ou menos, a música, de maneira geral, fica bem mais equilibrada.

Isolamento de ruído

Este modelo da JBL não conta com isolamento ativo de ruído, apenas passivo. Em relação a isso, quanto mais "justos" os fones estiverem na sua cabeça, mais imerso na atmosfera musical você estará — no entanto, ainda ouvindo o que acontece no mundo ao redor, mesmo que muito pouco. O nível de isolamento passivo dos fones é legal, dentro do esperado para um over-ear fechado. Só não vá abusar demais do volume para conseguir imersão total e prejudicar sua audição, hein?

E cabeado?

Sem querer dar uma de Capitão Óbvio, é lógico que, cabeado, o fone "muda de comportamento". Tudo fica mais limpo, as frequências se respeitam mais e o prazer de ouvir música no Everest 710GA aumenta bastante. A ênfase fica nos graves, que ganharam mais corpo, sem ainda perder a definição. Os agudos também voltaram ao lugar. De maneira geral, o fone ganha um padrão claramente V-shaped, mas sem desfazer-se tanto dos médios. Ótimo para rock, pop, metal, eletrônico, disco, funk e soul.

Cabeado é ooooutra história (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Vamos chamar a proposta do 710GA de híbrida, porque essa possibilidade torna o fone tanto rico em mobilidade, com resultados bem legais, quanto rico em qualidade, quando cabeado, desde que você tenha um aparelho compatível com entrada de 3,5 mm.

Microfone

O microfone integrado do modelo tem uma qualidade bem bacana para você que curte mandar áudios em programas de mensagens ou conversar sem colocar o telefone na orelha, usando apenas os fones. É uma qualidade que tem resultados dentro do padrão para fones Bluetooth: não superou nossas expectativias, mas também não deixou a desejar.

Um detalhe é que o microfone cancela eco, então é bacana usar os fones em chamadas telefônicas com clareza na comunicação.

O que tem na caixa

  • JBL Everest 710GA
  • Cabo P1-P2 (1/8" TRRS)
  • Cabo de carregamento Micro-USB
  • Estojo semi-rígido
  • Manuais

Preço e onde comprar

No site oficial da JBL, os fones estão com promoção de 10%, saindo de R$ 1.059 para R$ 949 em até 6 vezes sem juros no cartão de crédito.

Veredicto

O JBL Everest 710GA é um fone bem legal, tem uma sonoridade bem interessante, mas não é o modelo mais adequado para:

  • Pessoas viciadas em graves penetrantes;
  • Pessoas sensíveis a frequências agudas.

Ergonômico, gostoso de usar, com almofadas macias e dotado de excelentes opções de conectividade (que são o ponto alto do modelo), o 710GA pode te conquistar por ter várias características positivas. No entanto, é preciso se atentar para o tipo de frequência que você procura e gosta mais. Não vamos dizer que são fones extremamente equilibrados porque os médio-agudos e agudos, de forma geral, se destacam das demais frequências, mas sem sobrepor os graves — estes sim, uma delícia.

Algumas músicas podem soar com alguns instrumentos agudos, vocais e percussões sobrepostas ao restante da mixagem. Aí vai aquela máxima: o ideal mesmo é experimentar antes de comprar — e isso depende do aparelho que você vai usar para reproduzir as músicas, certo? Para o conforto e design, nota 8. Para a conectividade, nota 9. E para o áudio de modo geral, nota 7.5.

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