Análise | JBL Everest 310GA, uma boa pedida com extras interessantes

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A JBL, com sua linha Everest, está apostando em fones de ouvido com acabamento premium e som de primeira. Aqui no Canaltech a gente testou dois irmãos bem próximos da linha, os modelos Everest 310GA (on ear) e Everest 710GA (over ear), que apesar de serem bem parecidos, carregam significantes diferenças.

Antes de partir para esta análise, vamos deixar claro que ela não é um comparativo. O astro da vez é o 310GA, um garoto bonito, elegante e com um som bem agradável aos ouvidos — claro, a assinatura sonora da JBL por si só já é bastante conhecida (e popular, até) e a construção do modelo já dá essa ideia de qualidade antes mesmo de tirarmos o fone da caixa.

Design & Ergonomia

O design é um ponto em que a JBL investe bem até mesmo em seus modelos de entrada. No 310GA, a coisa não é diferente: os fones têm um visual premium e discreto, feitos em plástico grafite com acabamento de alta qualidade. O arco é acolchoado e revestido com material que imita couro, assim como acontece nas conchas. Aliás, a espuma que a JBL usa tanto no arco quanto nas conchas é bem confortável e não machuca nem esquenta demais a cabeça ou as orelhas. As costuras são discretas e tudo é muito bem acabado.

Os indicadores de L (left/esquerda) e R (right/direita) ficam na parte interna das conchas, que são flexíveis em relação ao arco — o que confere melhor ergonomia ao usuário, principalmente se este usa óculos, brincos ou piercings. Elas também giram em relação ao eixo do arco, conforme você vê no GIF abaixo:

Detalhe ergonômico das conchas (GIF: Luciana Zaramela/Canaltech)

Por ser um modelo on-ear, ou seja, supra-auricular, o 310GA não envolve as orelhas completamente, ficando bem posicionado sobre elas. Em nossos testes, o fone mostrou que se adapta bem à cabeça e não escorrega ao caminharmos, abaixarmos a cabeça ou fazermos atividades do dia a dia com ele em uso. No entanto, pode ser um pouco chato usá-los para curtir um som deitado, pois o modelo tende a escorregar e cair da cabeça rumo ao travesseiro caso você se mexa ou se levante. A menos que você "atole" o brinquedo na cabeça, isso vai acontecer. E atolar o fone na cabeça não é legal, porque machuca, confere?

Em termos de design e ergonomia, o mais legal dos fones é o fato de as conchas serem muito articuladas em relação ao arco. Isso confere muita leveza ao usuário e ao produto, que, aliás, pode ficar por horas na cabeça sem pressionar os músculos do rosto nem machucar a região da articulação da mandíbula nem das têmporas.

Bonito, elegante e ergonômico (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Como você percebe pelas fotos, fones over-ear não foram feitos para serem discretos, muito menos carregados no bolso. Apesar de o 310GA ser todo articulado (plano-dobrável) e caber no case de tansporte (que vem na caixa e é muito sóbrio, semi-rígido), ele não foi feito para caber no bolso — mas sim, na bolsa ou mochila. Um companheiro e tanto para viagens e trabalho no escritório!

Controles

A JBL pensou muito bem em como definir os controles do 310GA. Os fones, como o nome indica, são compatíveis com o Google Assistente e você pode "chamá-los" diretamente pelo gadget, ou seja, sem tocar no seu celular. Aí fica fácil saber o que está rolando na tela de notificações e conversar com o Assistente de modo que ele leia o que há de importante no dia para você, diretamente pelos fones.

Os controles são fáceis, intuitivos e não são confusos. Na concha direita, temos botões para pausa, reprodução, avançar e retroceder músicas, bem como atender a ligações, ativar o Bluetooth, usar a tecnologia ShareMe (falaremos dela mais adiante), ligar e desligar o aparelho. Há também uma conexão P1 para o cabo de áudio.

E basta um toque sobre a concha esquerda para ativar o Google Assistente. Lembre-se que é preciso tê-lo ativo em seu smartphone para que o fone reconheça e use o aplicativo (seja no Android ou no iOS). Também nesta concha está a entrada micro USB para carregamento da bateria.

Controles da concha direita (GIF: Luciana Zaramela/Canaltech)

Bateria

Uma boa característica do 310GA é a durabilidade da bateria, que quando cheia, aguenta até 20 horas (o que, no site oficial, a JBL chama de 20 horas de reprodução após duas horas de carga). Entretanto, os fones suportaram mais que isso em nossos testes, ganhando cerca de duas a quatro horas em uso moderado e volume médio.

Conectividade

O Everest 310GA é um fone superconectado, a começar pela compatibilidade com o Google Assistente, a Siri e o Google Now. Em relação à ausência de fios, que confere total liberdade ao usuário, o Everest 310GA trabalha com Bluetooth 4.1 e tem um alcance bem bacana, sem gargalos nem repiques, mantendo uma boa estabilidade quando pareado com seu celular, computador ou tablet (ou qualquer emissor). Nos nossos testes, andamos por uma sala ampla de aproximadamente 80 m² e por um imóvel de 200 m² sem problemas — inclusive com paredes no meio do trajeto, e o smartphone mantido a um raio de aproximadamente 10 m dos fones. O alcance é muito bom, mesmo.

Sabemos que o forte do modelo é ser independente de fios, mas o fato de ele suportar conexão cabeada dá um "up" a mais. Por dois motivos: a opção cabeada dá mais qualidade sonora e, além disso, os fones funcionam de modo passivo. Ou seja, se a bateria acabou, não há motivo para desespero: eles continuarão te deixando ouvir seu som, desde que o aparelho conectado tenha entrada de 3,5 mm (P2). O 310GA dispensa o uso de DACs por ser ativo, ok; mas se você preferir uma experiência analógica, só vai. Essa é uma vantagem espetacular!

No modo Bluetooth existe latência. Ou seja, o fone aqui é musical, não é um modelo voltado para quem quer assistir a vídeos. Muito menos um modelo gamer. Você pode sentir um atraso beirando os dois segundos quando estiver usando os fones pareados no Bluetooth da sua TV ou videogame, mas isso não é o foco do 310GA. Mas se você se sentir sem opção e quiser assistir à sua série no PC, basta plugar o cabo e ser feliz.

Além de funcionar sem fio, o Everest 310GA também opera cabeado, de modo passivo (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Como abordamos anteriormente nesta análise, o Everest 310GA também conta com a tecnologia ShareMe 2.0, que te deixa compartilhar músicas com outras pessoas que também estejam curtindo um som com fones Bluetooth. E para a brincadeira funcionar, os fones nem precisam ser todos da mesma marca. Nos nossos testes, o Everest 310GA aplicou a funcionalidade muito bem com um Beats Studio3 (leia nossa análise aqui) e o irmão maior, Everest 710GA.

Também tocamos nesse assunto no início do review, mas agora vamos detalhar: o modelo vem otimizado com o Google Assistente, para que você peça ajuda sempre que estiver ocupado demais para olhar para a tela do celular. Com os fones conectados a seu smartphone, basta tocar na superfície da concha esquerda (que é sensível ao toque) para ativar o Google Assistente e deixar que ele leia as notificações da tela, te conte quem ligou, as mensagens que recebeu, leia seus compromissos etc. E para os usuários de iPhone, também é possível "conversar" com a Siri.

ShareMe: Você curte uma música e envia para um amigo curtir junto! Basta conectar o fone dele ao seu pelo botão ShareMe (Divulgação/JBL)

Uma crítica: quando a música está boa demais e você dá aquela "apertada" nos fones com as mãos para curtir um som mais chegado aos ouvidos, você vai, invariavelmente, ativar o Google Assistente. Se ele não estiver ativo, a vozinha da moça da JBL vai avisar nos fones, no meio da música, que "The Google Assistant is not connected". Isso é chato… e não encontramos uma maneira de eliminar esse negócio. A música não repica, mas dá um leve fade out enquanto a voz fala.

Áudio, sim senhor!

Vamos tentar não comparar os irmãos Everest 310GA e 710GA, aqui — por enquanto, não nesta análise. Apesar de já termos testado os dois, talvez um comparativo seja melhor mais para frente. Afinal, vamos ao que mais interessa: como soa o 310GA?

Discreto e bonitão, o modelo on-ear da JBL tem áudio equilibrado e boa resposta geral (Divulgação/JBL)

Com a inconfundível assinatura sonora da JBL, os fones entregam resposta rápida em praticamente todas as frequências e não possuem graves bufantes — apesar de muito bem marcados e presentes. Ponto para a JBL, que soube equilibrar as frequências baixas de modo que o fone seja eclético e agrade em todos os estilos. A frase que você acaba de ler pode parecer um tanto generalista demais, mas é essa mesma a experiência que tivemos. Do blues ao tango, do hard rock à bossa nova, do rap ao clássico.

O desempenho de graves é suave e, ao mesmo tempo, preciso. Talvez, em masterizações de músicas cujos graves precisam se destacar mais, você sinta uns sobressaltos em frequências bem baixas, como sub-graves. Não incomoda, e aliás, é importante ter essa presença na marcação nesses estilos. No entanto, a grande maioria das músicas não explora frequências tão graves e tudo funciona harmonicamente bem em relação ao contrabaixo e aos bumbos e surdos, que se encontram na escala dos médio-graves — a mais sentida pelos ouvintes quando o baixo vem à tona. Em termos de graves mais altos, quase entrando nos médios propriamente ditos, aparentemente os fones perdem um pouco em resposta. Mas isso é algo a ser sentido principalmente por quem curte músicas com muitos pianos e baixos solando como linhas principais. Vozes não são tão afetadas e o resultado continua sendo bastante equilibrado e agradável aos ouvidos. Um exemplo clássico que mostra o equilíbrio das frequências graves, aqui, é Sex Machine, de James Brown. Essa música, apesar de toda a simplicidade, é de um equilíbrio enorme para contrastar as frequências graves com os agudos e médios. E o 310GA entregou tudo muito direitinho.

Agora, os médios: no 310GA, tanto quanto os graves, são frequências bem balanceadas, mas não proeminentes. Se cabe dizer, pela impressão que tivemos, os médios estão bem em nível flat, com alcance no lugar certo. A maioria dos vocais, instrumentos de corda, caixas de bateria e sopro soarão precisos e sem necessidade alguma de alteração em equalização. Aqui, só entramos no mesmo "perhaps" dos graves mais altos: os médios mais graves ficam um pouquinho aquém do ideal. A música que escolhemos para ilustrar isso é Teen Town, de Jaco Pastorius. O timbre do contrabaixo poderia soar mais "meloso" e menos "magrinho". Na mesma música, também dá para sentir falta do retumbar dos surdos, que alcançam os graves mais graves, na escala dos 3 dB.

Vamos então partir para a ignorância com os agudos e colocá-los à prova usando dois estilos bem ricos: o tango argentino e a ópera de canto lírico. Da Orquestra Românticos de Cuba, testamos incansáveis vezes o tango Rodriguez Peñas / Don Juan Mondiola, com seus bandoneons, harpas, bandolins e violinos "no talo". Sentimos um desempenho decente, mas abaixo das frequências graves e médias que o modelo entrega. Falta um pouco de brilho e presença, afinal, tratando-se de agudos, a definição é a palavra de ordem. Em contrapartida, os médios e graves de oboés, clarinetes, baixo acústico e pianos contrastaram muito bem. Na ópera Manon Lescaut / Segundo ato: "In quelle trine morbide", executada pela orquestra da Academia Nacional de Santa Cecília, a voz cristalina de Anna Netrebko soa bem, mas ainda assim não soa tão mordente quanto deveria, com algumas acentuações pungentes. Para popularizar um pouco o negócio, vamos de Freddie Mercury e Montserrat Caballé cantando How Can I Go On. Enquanto a irretocável voz de Mercury soa translúcida como deve ser no 310GA, a de Caballé poderia ser entregue de forma mais intensa, com um pouco mais de ênfase nos crescendos de seu bel canto romântico. Mas, de maneira geral, apesar dos exemplos, os fones são bem balanceados, não incomodando nem nesse pequeno "deslize" dos agudos.

Bom, agora que tentamos ilustrar de modo bem didático o que achamos das frequências, vamos fechar a parte do áudio com algo meio óbvio: ambiência e palco sonoro. Os fones são on-ear e fechados, ou seja, não há, naturalmente, que se esperar uma amplitude como seria a de se estar em uma sala de concertos, certo? Dentro do que se propõe e pelo preço sugerido, são fones muito bons e excelentes para a grande maioria dos estilos.

JBL Everest 310GA: quer mobilidade? Tira o cabo. Quer ganhar mais qualidade? Bota o cabo! (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

E cabeado?

Não é grande novidade que a qualidade do áudio, cabeada, supera a qualidade sem fio, certo? Com o Everest 310GA conectado diretamente a um iPhone 7 com adaptador e o cabo que vem de fábrica (2,5 mm para os fones ~ 3,5 mm para o dispositivo), a qualidade melhorou e o resultado ficou ainda mais equilibrado. Os instrumentos ganharam nitidez e brilho, bem como a mixagem das músicas como um todo. Médios e agudos ficaram mais balanceados em relação aos graves. Reiterando: é a grande cereja do bolo poder curtir um som analógico com alta qualidade usando o cabo, sem gastar a bateria dos fones!

Claro que isso tira o propósito de "liberdade" dado pelo conceito wireless do modelo. Mas com ele, você tem as duas opções sempre à mão, e isso é excelente.

Isolamento de ruído

Aos que chegaram até aqui procurando saber mais sobre uma possível função de isolamento de ruído, sentimos informar que o JBL Everest 310GA não possui nenhum tipo de isolamento ativo — apenas passivo. Ou seja: não há um chip ou função que te isole em um ambiente isento de interferências externas. Todo selamento ocorre de maneira passiva, pelo simples fato de as conchas estarem sobre suas orelhas. Então, é um "abafamento" natural que, sim, vai permitir você ouvir o que está acontecendo ao seu redor quando estiver curtindo suas músicas com o fone na cabeça.

Microfone

O Everest 310GA vem com um bom microfone, também honesto e de qualidade ok. Serve muito bem para conversar ao telefone e mandar mensagens de áudio em aplicativos, mas nada fora do padrão de fones nessa faixa de preço e qualidade.

O que tem na caixa

  • JBL Everest 310GA
  • Cabo P1-P2 (1/8" TRRS)
  • Cabo de carregamento Micro-USB
  • Estojo semi-rígido
  • Manuais
Everest 310GA, case de transporte e cabos (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Preço e onde comprar

Aqui no Brasil, a JBL vende o Everest 310GA em seu site oficial e, na data de publicação deste review, está oferecendo desconto de 10% — ou seja, os fones estão saindo a R$ 899 em até 6x de R$149,83 sem juros no cartão de crédito. O modelo vem na cor grafite e o frete é grátis!

Veredicto

O JBL Everest 310GA é um modelo interessante, dentro da média, ergonômico, leve e com um resultado sonoro interessante. Para o dia a dia, pode ser um companheiro inseparável de quem quer quer trabalhar, viajar, pegar o transporte público, relaxar ou passear curtindo suas músicas preferidas.

Dos pontos altos, destacamos a conectividade dos fones e a opção de usá-lo analogicamente, com o cabo. O Bluetooth é bastante consistente e o equilíbrio geral das frequências agrada. Em músicas mais pouplares, aliás, ele se sai muito bem. Considere que é um modelo eclético, que atende bem na grande e esmagadora maioria dos estilos.

Por serem fones on-ear, não são tão estáveis na cabeça como os modelos over-ear (e para isso, a JBL tem o irmão maior 710GA, que tem praticamente o mesmo visual do 310GA, só que com leves alterações no design, conchas que englobam as orelhas e uma diferença notável nas frequências, principalmente agudas).

Se você procura por mobilidade enquanto precisa de boa qualidade para escutar suas músicas, pode ser uma escolha interessante. Para o design e a ergonomia, nota 8. Para a conectividade, nota 9. E para o áudio como um todo, nota 8, também.

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