Julian Assange escapa de processo sobre vazamento de ferramentas da CIA

Por Rafael Arbulu | 03 de Junho de 2019 às 14h17
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Julian Assange, o ex-jornalista e ativista social que fundou o WikiLeaks, escapou de ser processado por acusações de vazamento de ferramentas de espionagem da CIA. Segundo fontes do site Politico, a medida, que pegou especialistas de surpresa, foi tomada mediante cautela em proteger algumas informações pertinentes à agência de inteligência, bem como uma manobra para obedecer ao prazo de pedido de extradição do suspeito.

Trocando em miúdos: é interesse dos Estados Unidos ter Assange extraditado ao país, onde ele ainda responderá por processos relacionados à sua participação no vazamento de 750 mil documentos confidenciais do Exército norte-americano, perpetrado pela ex-soldado Chelsea Manning. Assange teria ajudado Manning a quebrar a segurança de um dos computadores que resguardavam a documentação.

Adicionar a isso um processo sobre uma possível espionagem e vazamento de ferramentas da CIA adicionaria no prazo que o país deve obedecer no pedido de extradição. Originalmente, o pedido foi formalmente preenchido em março deste ano, com validade de 60 dias. Findado o mês de maio na última semana, é provável que o governo ou procure ampliar esse prazo, ou abra mão de algumas acusações para acelerar a avaliação pelo governo do Reino Unido, onde Assange segue encarcerado desde abril.

Julian Assange, cofundador do Wikileaks, enfrenta risco de extradição para os Estados Unidos

Mais além, o “Caso Vault 7”, como tornou-se conhecido, foi de fato divulgado pelo WikiLeaks e, suspeita-se, contou com participação direta de Assange. Entretanto, o vazamento não publicou a totalidade dos documentos e algumas informações pertinentes ao caso ainda seguem protegidas. O medo do governo é de que perseguir tais acusações dentro do “Ato de Espionagem” na legislação americana forçaria a promotoria a abrir mais informações do que as originalmente divulgadas.

“Não há dúvidas de que há casos de vazamento que não podem ser processados contra os suspeitos porque a informação neles contida é tão sensível que, para prova definitiva em julgamento, teríamos que confirmar a sua autenticidade”, disse Mary McCord, que serviu como promotora assistente de assuntos de segurança nacional no Departamento de Justiça até 2017. “Então a ironia é que, comumente, quanto mais alta a confidencialidade do material vazado, mais difícil é processar alguém por ele”.

O Vault 7 consiste de uma série de documentos vazados pelo WikiLeaks em 7 de março de 2017, os quais são datados entre os anos 2012 a 2016. O material detalha minuciosamente as capacidades da CIA de monitorar e espionar dispositivos eletrônicos do mercado de consumo, como Smart TVs, smartphones e tablets; além de navegadores e sistemas operacionais variados. O vazamento em questão não apenas expôs as ferramentas da CIA ao público, mas também as inutilizou por completo.

A documentação revelou, por exemplo, que a CIA monitorou (mas não deixa claro se apenas olhou ou interviu em algum grau) as eleições presidenciais da França em 2012, vencidas por François Hollande, membro do Partido Socialista. À Reuters, agências legislativas disseram, na ocasião, que estavam cientes da falha de segurança que levou ao vazamento desde o final de 2016 e suspeitavam que funcionários terceirizados estivessem por trás da divulgação.

Fonte: Politico

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