Citando problemas de saúde, Julian Assange falta à audiência sobre extradição

Por Felipe Demartini | 30 de Maio de 2019 às 10h47
Henry Nicholls/Reuters
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Julian Assange faltou a uma audiência sobre sua possível extradição, que foi realizada nesta quinta-feira (30). O ativista e fundador do WikiLeaks deveria comparecer por meio de videoconferência, mas, de acordo com sua defesa, estaria doente demais até mesmo para manter uma conversa, o que motivou sua ausência diante da Justiça, onde ele prestaria depoimento.

A doença foi confirmada pelo WikiLeaks. Em nota, o site disse que o estado de saúde de Assange piorou ao longo das semanas que ele passou na prisão de Belmarsh, em Londres. Ele está detido no complexo desde abril, quando se encerrou o asilo concedido a ele pela embaixada do Equador na Inglaterra. A situação, de acordo com o site, teria causado grande perda de peso e outras enfermidades, com o delator sendo transferido para a ala médica da penitenciária.

Na audiência desta quinta, Assange seria ouvido sobre as duas acusações que pesam contra ele, a partir dos dois países que desejam sua extradição. Na Suécia, ele responde a uma acusação de estupro desde 2010, com direito a um processo encerrado que foi reaberto após sua saída da embaixada do Equador, enquanto os Estados Unidos o acusam de espionagem pela liberação de centenas de milhares de documentos confidenciais sobre operações nas guerras do Iraque e Afeganistão. O indiciamento veio em 23 de maio, também após o fim do asilo do delator.

Não fica claro, no processo legal, qual dos dois países poderá receber o acusado primeiro, uma vez que os processos caminham paralelamente. Há quase uma década, entretanto, Assange e os ativistas do WikiLeaks acusam a Suécia de conluio com os Estados Unidos, afirmando que as acusações de estupro e abuso sexual são apenas uma fachada para que ele seja enviado ao país norte-americano para responder pelos crimes de espionagem.

Em carta enviada ao jornalista Gordon Dimmack, no dia 13 de maio, Assange afirma estar completamente isolado na prisão, sem acesso a comunicação ou meios de trabalhar em sua própria defesa. Além disso, ele teria direito a apenas duas visitas por mês, após um longo processo de liberação de segurança, enquanto as chamadas telefônicas para advogados também seriam monitoradas e limitadas.

Ele diz se sentir impotente diante de uma superpotência e conta com “pessoas de bom caráter” para que sua vida seja salva. No texto, Assange afirma ainda que o processo de extradição, na realidade, é o caminho que o levará à morte e diz que seus dias de se defender e lutar pelos próprios ideais estão acabados, pedindo que outras pessoas assumam seu lugar nessa luta.

Como reflexo do não comparecimento de Assange, a Justiça inglesa adiou a audiência de extradição para o dia 12 de junho e sugeriu que a próxima aconteça na própria prisão de Belmarsh, onde seria mais conveniente a Assange. O delator cumpre uma sentença de quatro anos de prisão por violar os termos de sua liberdade condicional ao se refugiar na embaixada do Equador.

Fonte: Reuters, Defend WikiLeaks

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