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Todos os eclipses solares vão ser anulares — e a gravidade é a responsável

Por| Editado por Patricia Gnipper | 10 de Outubro de 2023 às 09h19

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NASA/Hinode/XRT
NASA/Hinode/XRT

No futuro, todos os eclipses solares observados na Terra vão ser anulares por um motivo muito simples: a Lua está se afastando cada vez mais do nosso planeta. Com isso, o tamanho do disco lunar vai parecer menor no céu e, portanto, não vai mais cobrir o círculo solar por completo.

Em nosso planeta, os eclipses solares podem ser parciais, totais, anulares ou híbridos, sendo essa última categoria bastante rara. Eles ocorrem durante a Lua Nova, quando a Lua, Sol e Terra estão bem alinhados, fazendo com que o lado sombreado da Lua passe em frente nossa estrela.

Os quatro tipos de eclipse solar ocorrem da seguinte forma:

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  • Eclipse solar total: a Lua bloqueia o Sol completamente, criando um período de escuridão que dura alguns minutos.
  • Eclipse solar parcial: uma parte do Sol fica visível porque a Lua passa apenas por um “pedaço” do disco lunar.
  • Eclipse solar anular: a Lua bloqueia o Sol quase por completo, mas está afastada demais da Terra para cobrir o disco solar inteiro. Com isso, um círculo aparece em torno da sombra lunar, formando o chamado “anel de fogo”.
  • Eclipse solar híbrido: muda de um eclipse total para se tornar um eclipse anular, dependendo da região do planeta onde estiver o observador.

O alinhamento entre os três corpos não é nenhum mistério, já que quase todos os objetos do Sistema Solar orbitam o Sol no mesmo plano. Isso significa que não apenas a nossa Lua sempre vai passar em frente ao Sol, como também as luas de outros planetas — mesmo que algumas tenham uma órbita ligeiramente inclinada.

Contudo, cada lua proporciona um eclipse solar diferente em seu planeta, e, graças às missões robóticas enviadas a Marte, podemos conferir como são os eclipses solares no Planeta Vermelho.

Perceba que, por serem muito pequenas, as luas marcianas Fobos e Deimos proporcionam eclipses bastante discretos.

Eclipses solares

Para nossa sorte, o nosso próprio satélite natural está posicionado em uma órbita perfeita para nos brindar com eclipses totais, mas isso não é exatamente algo especial. Na verdade, nossa sorte é vivermos na época certa para testemunhar o período em que isso acontece, pois a distância entre a Terra e a Lua está sempre aumentando.

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Segundo o Observatório Nacional de Radioastronomia (NRAO), o primeiro eclipse solar anular ocorreu 1,6 mil milhões de anos atrás, quando o satélite natural estava perto demais de nosso planeta para proporcionar o fenômeno anel de fogo. Em outras palavras, o tamanho aparente da Lua era ainda maior que o do Sol.

À medida que a Lua se afasta de nós, seu tamanho aparente diminui, e isso vai continuar até que ela fique distante demais para cobrir todo o Sol.

Mas isso não vai acontecer de um dia para o outro: na verdade, os eclipses totais vão ser cada vez mais raros, até se tornarem impossíveis.

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Eclipses solares vão acabar?

A Lua está se afastando da Terra porque as interações gravitacionais entre ambas criam os famosos efeitos de maré, que são um “bojo” que se forma nos dois objetos por causa da atração gravitacional.

Estas regiões “inchadas” ajudam a reduzir a velocidade de rotação dos corpos celestes, fazendo com que percam energia. À medida que a Terra perde energia orbital, parte dela é transferida para a Lua, que ganha velocidade. Quanto mais rápido um objeto orbita outro, mais distante ele vai ficar.

Astrônomos calculam que a Lua se afasta cerca de 3,8 cm por ano. A taxa é suficiente para causar algumas grandes mudanças em nosso planeta em longos períodos, com evidências desse fenômeno encontradas nas rochas marcadas pelas marés. Um dia, a Lua vai demorar 47 dias para completar uma órbita, sendo que, hoje, ela leva menos de 30 dias para isso.

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Atualmente, a Lua se move ao redor da Terra em uma órbita elíptica, ficando à distância máxima de 406.720 km (apogeu) e mínima de 356.371 km (perigeu). Quando coincide com o apogeu, o eclipse é anular, enquanto o eclipse total ocorre durante o perigeu. A distância média entre a Lua e a Terra é de 384.400 km.

Para alguns astrônomos, a taxa de afastamento da Lua pode não ser constante, isto é, pode ser que nosso satélite acelere gradualmente. Outras órbitas também entram em jogo, como a da Terra ao redor do Sol e até mesmo a influência gravitacional de outros planetas, tornando as previsões um pouco complicadas.

Seja como for, não vamos estar vivos quando os eclipses totais forem extintos. Caso a taxa de afastamento permaneça em 3,8 cm por ano, vai levar cerca de 1,21 bilhões de anos para estes fenômenos deixarem de acontecer.

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Fonte: NRAO