Supernovas podem ter causado extinção em massa na Terra; entenda

Por Danielle Cassita | 19 de Agosto de 2020 às 11h05

Um novo estudo liderado por Brian Fields, professor de astronomia e física da Universidade de Illinois, sugere que raios emitidos por uma supernova podem ter sido os responsáveis por uma das mais intensas extinções em massa do nosso planeta, ocorrida há 359 milhões de anos. O artigo com o estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Science.

A ilustração mostra uma supernova colidindo e suprimindo o vento solar. A linha azul mostra a órbita da Terra, e o pequeno ponto vermelho é o Sol (Imagem: Graphic courtesy Jesse Miller)

Os pesquisadores estudaram a fronteira entre os períodos Carbonífero e Devoniano, quando houve intensa extinção das espécies. Até então, pensava-se que isso ocorreu devido à radiação solar atingindo a Terra sem tanta proteção do ozônio; as rochas desta época contêm milhares de esporos de plantas, que parecem ter sido queimados por raios da luz ultravioleta, o que indica a ocorrência de um evento de longa duração que causou danos sérios à camada de ozônio da Terra. Fields explica que grandes catástrofes ocorridas por aqui, como atividade vulcânica em larga escala e aquecimento global, também podem causar este efeito. 

Entretanto, as evidências para estes fenômenos são inconclusivas devido ao intervalo de tempo. “Então, propomos que uma ou mais explosões de supernova, a 65 anos-luz da Terra, podem ter causado a perda de ozônio”, finaliza. A equipe até estudou possibilidades como impactos de asteroides e erupções solares, mas Jesse Miller, aluno e co-autor do estudo, explica que esses eventos duram pouco e é pouco provável que sejam os responsáveis pelos danos do ozônio ao fim do período Devoniano.

Já uma supernova pode atingir a Terra com diversas emissões perigosas, como raios ultravioleta, raios X e raios gama. Uma explosão próxima como essa poderia se espalhar pelo Sistema Solar, deixando nosso planeta sujeito à radiação de raios cósmicos acelerada pela supernova e causando danos por até 100.000 anos. Então, evidências fósseis trouxeram evidências que indicam múltiplas catástrofes e, quem sabe, múltiplas explosões de supernova. A chave para a questão pode estar guardada no plutônio e samário, isótopos radioativos que podem estar presentes em rochas e fósseis da época da extinção. "Nenhum desses isótopos ocorre naturalmente na Terra hoje e o único jeito de chegarem aqui é através de explosões cósmicas”, finaliza Zhenghai Liu, outro co-autor do estudo. 

Assim, enquanto eles buscam os isótopos nas rochas e evidências relacionadas a explosões de supernovas, é certo que o estudo reforça como a Terra não evolui sozinha e independente no universo. “Somos cidadãos de um cosmos maior, e o cosmos interfere em nossas vidas - geralmente, imperceptivelmente, mas às vezes, ferozmente”, completa Fields.

Fonte: Eurekalert, Physics World

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