Sonda marciana da NASA completa 15 anos; veja suas principais descobertas

Por Daniele Cavalcante | 12 de Agosto de 2020 às 21h45
NASA/JPL-Caltech
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Nesta quarta-feira (12) a sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da NASA, comemora o seu 15º aniversário de lançamento. Para celebrar essa missão fundamental para muito do que se sabe hoje sobre o Planeta Vermelho, vamos relembrar 15 de seus momentos marcantes.

A MRO foi projetada com o objetivo de procurar evidências da existência de água no passado marciano. Ela foi lançada em 12 de agosto de 2005, às 11h43 da manhã, da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral por um foguete Atlas V, da Lockheed Martin. A sonda pesa 2.180 kg, e carrega instrumentos que, somados, pesam 1.031 km. O restante do peso é por conta do propelente, adicionado para que a nave pudesse corrigir suas trajetórias ao entrar na órbita de Marte.

Imagem da região de Nili Fossae (24 de março de 2007)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

A imagem obtida pela câmera High Resolution Imaging Science Experiment (HiRISE), a bordo da MRO, mostra uma área da região de Nili Fossae. Essa foto fez parte de uma série de experimentos para examinar mais de duas dezenas de locais possíveis para a aterrissagem do rover Curiosity.

Assistindo a uma avalanche (19 de fevereiro de 2008)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Quando a MRO observou a calota polar norte na primavera marciana, os cientistas esperavam estudar como as geadas de dióxido de carbono evaporam das dunas. No entanto, a HiRISE capturou nada menos que quatro avalanches separadas, em uma face de um penhasco em camadas com mais de 700 metros de altura.

Outras observações confirmaram que avalanches semelhantes acontecem na primavera marciana, provavelmente porque blocos de gelo seco carregados de poeira colapsam à medida que o dióxido de carbono congelado derrete após o fim do inverno.

Sobrevoo em Fobos (23 de março de 2008)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Os alvos das pesquisas da NASA não se restringem ao Planeta Vermelho. A equipe da MRO também usou a câmera HiRISE para obter imagens das luas marcianas, em especial Fobos e Deimos. O resultado foram fotografias desses satélites na resolução mais alta já obtida.

A maior das duas luas, Fobos, orbita mais perto de seu planeta anfitrião, circulando o planeta uma vez a cada sete horas e 40 minutos. Nesta imagem, a lua em forma de batata exibe suas crateras, especialmente uma chamada Stickney. As estranhas ranhuras que parecem irradiar da cratera e correr paralelas ao eixo maior da lua são consideradas fraturas causadas pelas forças das marés marcianas que empurram e puxam o satélite.

"Aranhas" de Marte (4 de fevereiro de 2009)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Esses padrões chamam muita a atenção por terem uma aparência orgânica. Eles se desenvolvem na borda da calota polar sul durante a primavera, e se parecem com árvores ou aranha. Mas do que se trata?

Ainda não há muita certeza, mas os cientistas teorizam que os padrões são formados por sublimação, ou seja, a transição direta de gelo - nesse caso, de dióxido de carbono - em gás. O gelo localizado abaixo da superfície e, na forma de gás, escapa para a superfície através de pontos frágeis ou fissuras no solo. Ao estourar, levantam uma poeira que volta a cair na superfície. Essa poeira escurece a calota polar, absorve mais luz do Sol, e aquece, dando prosseguimento ao ciclo.

Encontrando carbonatos (18 de dezembro de 2008)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Com o instrumento Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars (CRISM), a sonda descobriu os primeiros sinais de carbonatos expostos na superfície de Marte. Isso significou um grande passo na busca por sinais de vida no passado do planeta, pois sem a presença de carbonatos poderíamos concluir que qualquer água seria ácida e hostil à vida como a conhecemos.

O norte marciano (25 de junho de 2010)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Usando o espectrômetro CRISM, os pesquisadores identificaram várias assinaturas de minerais argilosos hidratados em crateras no norte do planeta, o que foi inesperado, já que essa região parecia tristemente seca na superfície. Acontece que a cratera, quando foi aberta por algum impacto, parece ter perfurado o solo, expondo uma camada bem antiga abaixo. Isso significa que a presença de água já foi global em Marte, talvez há 4 bilhões de anos.

Redemoinho em movimento (16 de fevereiro de 2012)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Os cientistas já suspeitavam desde os anos 1970 que Marte é assombrado por “demônios de poeira”, que são estranhos redemoinhos que podem chegar a alturas exorbitantes. A MRO, entretanto, foi a primeira a fornecer imagens impressionantes desses tornados em ação, confirmando a existência deles. Esse redemoinho relativamente pequeno - para os padrões marcianos - tem cerca 30 m de largura e 800 m de altura.

Para se ter uma noção da dimensão das tempestades de poeira marcianas, o vídeo abaixo mostra como a tempestade de poeira global de 2018 envolveu o Planeta Vermelho. Esta tempestade fez com que o rover Opportunity perdesse o contato com a Terra, "morrendo" para sempre no ano seguinte por conta disso.

Na imagem de maio, podemos ver várias características do planeta, como os abismos do Valles Marineris e a calota polar sul do início da primavera. A vista de julho mostra as mesmas regiões, só que coberta pela nuvem de poeira e neblina que cobriram o planeta.

Nuvem invernal (11 de setembro de 2012)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Durante o inverno do hemisfério sul entre 2006 e 2007, a MRO usou seu Mars Climate Sounder para estudar as formações de nuvens sobre a calota polar sul. Os cientistas anunciaram em 2012 que encontraram pairando ali uma enorme nuvem de neve de dióxido de carbono, com cerca de 500 km de diâmetro.

A nuvem era feita de cristais congelados de "gelo seco" e enviaria neve ao solo nas condições adequadas para isso.

Cratera em camadas (26 de fevereiro de 2014)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

As câmeras de alta resolução da MRO descobriram esta cratera peculiar, que dava a impressão de que um segundo meteorito atingiu o centro exato de uma cratera mais antiga. Mas não é este o caso. As crateras se formam quando um único impacto perfurou camadas diferentes, formadas por material de resistências distintas - neste caso, uma camada de gelo relativamente estava logo abaixo da superfície. Ela foi “escavada” pelo impacto e formou as paredes externas largas da cratera, enquanto a rocha, muito mais resistente abaixo do gelo, sofreu apenas no próprio ponto de impacto.

Beagle 2 (16 de janeiro de 2015)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

A Beagle 2, uma sonda britânica lançada no dia 24 de dezembro de 2003, tinha como objetivo buscar sinais químicos de vida. No entanto, não foi possível obter contato com a sonda após o pouso e a missão foi declarada como perdida pela Agência Espacial Europeia em fevereiro de 2004.

Ninguém sabia ao certo o que aconteceu com a Beagle 2, até que em janeiro de 2015 a câmera HiRISE da MRO encontro a sonda, intacta, na superfície marciana. Foi determinado que um erro impediu o ativamento completo dos quatro painéis solares, o que impossibilitou o funcionamento da antena de rádio.

MRO visita local de “filmes de Hollywood” (17 de maio de 2015)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

A câmera HiRISE capturou a região chamada Acidalia Planitia, que é cenário do romance e filme homônimo Perdido em Marte.

Detritos de vidro encontrados (8 de junho de 2015)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Às vezes, meteoritos formam pedaços de vidro ao cair quentes sobre a superfície, queimando os grãos de areia que encontram na aterrissagem violenta. Isso pode ser encontrado na Terra, mas é difícil detectar o vidro em Marte.

Em 2015, os pesquisadores da MRO descobriram uma maneira de provar que há vidro espalhado ao redor de muitas crateras de impacto no Planeta Vermelho. O vidro, em verde na imagem, pode preservar vestígios de química orgânica, caso existam por lá.

Atmosfera perdida (2 de setembro de 2015)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Em 2015, os cientistas identificaram a maior região contendo carbonáceos até agora, em Nili Fossae. Os carbonatos expostos são coloridos de verde nesta composição de dados do CRISM.

O processo que cria carbonatos também bloqueia o dióxido de carbono da atmosfera e, portanto, a formação desses carbonáceos pode ter desempenhado um papel significativo no afinamento da atmosfera marciana.

Sinais da existência de água (28 de setembro de 2015)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Em 2015, os cientistas usaram o espectrômetro CRISM para, finalmente, encontrar a assinatura distinta de minerais hidratados recém-formados. Em outras palavras, compostos químicos com água presa em sua estrutura. Esses minerais estão associados com crateras como a Hale (que é mostrada aqui), e os sinais são mais fortes onde há linhas largas e escuras.

50.000 órbitas concluídas (29 de março de 2017)

Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Quando completou suas 50.000 órbitas de Marte, a MRO já havia colecionado 90.000 imagens, cobrindo cerca de 99% do planeta, reunindo mais de 300 terabytes de dados científicos.

Fonte: NASA, Space.com

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