Sonda fotografa a superfície do Sol e revela suas "fogueiras"; veja imagens!

Por Patrícia Gnipper | 16 de Julho de 2020 às 12h19
ESA

A ESA (Agência Espacial Europeia) e a NASA lançaram a sonda Solar Orbiter em fevereiro deste ano para estudar o Sol de pertinho. Com dez instrumentos científicos no total, sendo seis deles de sensoriamento remoto (ou telescópios), ela registra imagens sem precedentes da nossa estrela e seus arredores — e o primeiro lote de fotos acaba de ser divulgado.

"As primeiras imagens da Solar Orbiter revelaram explosões solares e miniatura e onipresentes, apelidadas de 'fogueiras', perto da superfície", explica a ESA em comunicado oficial. Para os cientistas por trás da missão, observar esses fenômenos, que até então não foram registrados em tantos detalhes, revela o enorme potencial desta sonda, cujo trabalho de verdade está apenas começando. "Nenhuma outra aeronave conseguiu capturar imagens da superfície solar a uma distância tão próxima", afirma a agência espacial.

(Imagem: Solar Orbiter/EUI Team (ESA & NASA); CSL, IAS, MPS, PMOD/WRC, ROB, UCL/MSSL)

Mas não são só imagens que a Solar Orbiter coleta. Os demais instrumentos a bordo monitoram o ambiente em torno da sonda e, ao comparar essa coleção de dados, os cientistas obtêm informações sobre a formação do vento solar, como o fluxo de partículas carregadas do Sol que influenciam todo o Sistema Solar.

Novos fenômenos revelados

Imagens obtidas com o instrumento Extreme Ultraviolet Imager (EUI) da Solar Orbiter mostram as erupções solares apelidadas de "fogueiras" (Imagem: ESA)

Quando a Solar Orbiter registrou as imagens acima, ela estava a apenas 77 milhões de quilômetros do Sol — cerca de metade da distância entre a Terra e o astro. David Berghmans, do Observatório Real da Bélgica (ROB) e principal investigador do instrumento Extreme Ultraviolet Imager (EUI), explica que "as fogueiras são parentes pequenos das explosões solares que podemos observar a partir da Terra", sendo "milhões ou milhares de vezes menores".

Contudo, ainda não se sabe ao certo se tais fogueiras seriam apenas pequenas versões dessas grandes explosões, ou se são movidas por mecanismos diferentes na atividade solar. Entre algumas hipóteses, há a ideia de que essas explosões menores podem estar relacionadas com o aquecimento coronal do Sol.

Aqui vemos as fogueiras em detalhes, sendo uma delas apontada com o ícone de uma seta. No canto inferior direito, o círculo representa o tamanho da Terra em escala (Imagem: ESA)

"Essas fogueiras são totalmente insignificantes, mas, ao somar seus efeitos em todo o Sol, elas podem ser a contribuição dominante para o aquecimento da coroa solar", explica Frédéric Auchère, do Instituto de Astrofísica Espacial (IAS), na França, e também investigador do EUI.

A coroa solar é a camada mais externa da atmosfera do Sol, que se estende a milhões de km rumo ao espaço sideral. Ali, as temperaturas são superiores a um milhão de graus Celsius, ainda mais elevadas do que as registradas na superfície solar, que são de 5.500 °C. Ainda não compreendemos totalmente esses mecanismos que explicam tamanha diferença de temperatura, "mas identificá-los é considerado o 'santo graal' da física solar", diz a ESA.

O lado mais distante do Sol

Outro instrumento a bordo da Solar Orbiter é o Polarimetric and Helioseismic Imager (PHI), que mede em alta resolução as linhas do campo magnético da superfície solar. Ele monitora, então, as regiões ativas do Sol, aquelas áreas com campos magnéticos muito mais fortes, que justamente podem originar explosões solares.

Durante essas explosões, a estrela libera rajadas de partículas energeticamente carregadas que intensificam o vento solar e, quando tais partículas chegam à Terra, interagindo com a nossa magnetosfera, elas causam tempestades magnéticas capazes de atrapalhar as redes de telecomunicações. Por isso, é tão importante estudá-las de perto e com instrumentos poderosos como os a bordo da Solar Orbiter.

(Imagem: ESA)

"Nunca fomos capazes de medir o campo magnético na parte de trás do Sol", revela Sami Solanki, diretor do Instituto Max Planck de Investigação de Sistemas Solares em Göttingen, na Alemanha, e principal investigador do PHI. Ele também explica que a sonda está em uma posição privilegiada para isso porque, apesar de neste momento estarmos observando um ciclo solar tranquilo aqui da Terra, "a Solar Orbiter está em um ângulo diferente, e podemos ver uma região ativa do Sol que não é observável da Terra".

"Estamos todos realmente empolgados com essas primeiras imagens, mas este é apenas o começo", celebra Daniel Müller, cientista da missão Solar Orbiter na ESA. Ele também explica que a sonda "iniciou um grande circuito pelo Sistema Solar interno e se aproximará muito do Sol em menos de dois anos, chegando a 42 milhões de quilômetros, o que representa quase um quarto da distância entre o Sol e a Terra". Ou seja: ainda descobriremos muito mais sobre a estrela do Sistema Solar com esta missão histórica, que é realizada em parceria com a NASA.

E por falar na NASA, não podemos deixar de lembrar que a agência espacial dos Estados Unidos também está estudando o Sol de pertinho com outra sonda, a Parker Solar Probe, que já nos presenteou com descobertas e imagens sensacionais, algo que continuará acontecendo por vários anos durante sua missão. "Os primeiros dados já demonstram o poder por trás de uma colaboração bem-sucedida entre agências especiais e a utilidade de um conjunto diversificado de imagens para desvendar alguns dos mistérios do Sol", comenta Holly Gilbert, diretora da divisão de Ciências Heliofísicas do Centro de Voo Espacial Goddard, da NASA, e também cientista do Projeto Solar Orbiter.

A colagem mostra diferentes visões do Sol, por meio dos vários instrumentos a bordo da Solar Orbiter (Imagem: ESA)

Fonte: ESA (1) e (2), NASA

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