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Solo no Canadá sugere que Marte foi planeta congelado

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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NASA/JPL/Malin Space Science Systems
NASA/JPL/Malin Space Science Systems

Será que Marte foi realmente quente e úmido, com rios e oceanos como os da Terra? Talvez não. Segundo pesquisadores liderados por Anthony Feldman, cientista de solos e geomorfologista no Instituto de Pesquisas do Deserto (DRI), o Planeta Vermelho pode ter sido um mundo congelado, muito menos amigável para a vida como conhecemos. 

Para o estudo, os pesquisadores procuraram amostras de solo na Terra que pudessem ser comparadas ao que há na cratera Gale, formação marciana que é o lar do rover Curiosity desde 2012. Como os minerais no solo podem revelar como foi a evolução de determinado local ao longo do tempo, os cientistas usam os minerais para investigar a evolução ambiental. 

No caso, o solo e rochas na cratera Gale indicam como era o clima de Marte de três a quatro bilhões de anos atrás. Naquele período, a água ainda era relativamente abundante no planeta, e as primeiras formas de vida começaram a emergir na Terra. 

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O rover Curiosity está estudando a cratera há mais de uma década e já encontrou vários dos chamados “materiais amorfos de raios X”. Eles são componentes do solo sem a estrutura atômica típica dos minerais, o que significa que não podem ser caracterizados facilmente com a difração de raios X e outras técnicas tradicionais.

Este método foi usado pelo Curiosity para analisar amostras, e mostrou que os amorfos representavam de 15% a 73% do material examinado na cratera. Ao analisar a composição química das amostras, o rover revelou que eram ricas em ferro e silicatos, mas pobres em alumínio. 

Os cientistas ainda não entendem exatamente o que este material é e nem o que sua presença implica para o passado de Marte. Estas informações são importantes, porque ao entender a formação dos amorfos em nosso planeta, eles podem buscar as respostas de perguntas sobre o Planeta Vermelho.

Pensando nisso, Feldman e seus colegas partiram em busca de amorfos de raios X similares àqueles estudados em Marte. Eles visitaram regiões em Terra Nova e Labrador, nas Montanhas Klamath e em Nevada, no Canadá e Estados Unidos, respectivamente. Em cada um, a equipe analisou o solo com a difração de raios X. 

Curiosamente, as condições subárticas da Terra Nova foram as que produziram minerais com composição química mais parecida com a da cratera Gale. “Isso mostra que você precisa de água ali para formar esses minerais, mas precisa ter condições frias, com temperaturas próximas do ponto de congelamento, para preservar o material amorfo no solo”, observou o autor. 

Segundo ele, os resultados vão ajudar na compreensão do clima de Marte. “Isso sugere que a abundância desse material na cratera Gale é consistente com condições subárticas, semelhantes àquelas que veríamos, por exemplo, na Islândia”, finalizou. 

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Communications Earth and Environment.

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Fonte: Communications Earth and Environment, DRI