Sol tem "cavidades ressonantes" de ondas magnéticas acima das manchas solares

Por Daniele Cavalcante | 10 de Setembro de 2020 às 16h30

Um grupo de cientistas deu um grande passo na busca pela compreensão de um dos mistérios mais desafiadores para a física solar: os mecanismos que tornam a coroa do Sol um lugar tão quente. É que os resultados de um novo estudo mostram algumas relações interessantes entre as manchas solares, as ondas magnéticas e o transporte de energia das camadas internas até a atmosfera mais externa da estrela.

As manchas solares são o resultado de grandes concentrações de campo magnético e aparecem na forma de regiões escuras e enormes — podendo ser até maiores que nosso planeta — na superfície do Sol. Isso não é novidade. Os cientistas já sabem, por exemplo, que na atmosfera bem acima dessas manchas existem oscilações indicando a presença de ondas magnéticas.

Por sua vez, essas mesmas ondas podem desempenhar o papel de levar energia das camadas internas do Sol até as regiões externas da atmosfera solar. Isso implica na importância das ondas no processo de aquecimento da coroa. Pois bem, neste novo estudo liderado por Tobías Felipe, pesquisador do International Astronomical Center (IAC), a equipe de cientistas encontrou indícios de que essas ondas estão parcialmente presas acima das manchas solares e dão origem a ressonâncias.

Tobías compara o fenômeno com um instrumento musical, como as cordas de um violão, por exemplo. Quando tocamos uma nota, a corda faz o ar vibrar, mas as ondas — ou boa parte delas — ficam confinadas em uma cavidade dentro do corpo do instrumento. Isso faz com que certas frequências sejam fortalecidas para produzir a nota desejado. No Sol (a estrela, não a nota musical), a variação alta de temperatura perto da superfície “faz com que as ondas sejam refletidas e possam ser presas nessas cavidades ressonantes”, explica o pesquisador. As cavidades da metáfora musical representam as manchas solares.

Essa variação de temperatura acontece em um lugar chamado região de transição solar, que é a parte da atmosfera do Sol localizada entre a cromosfera e a coroa solar. Em outras palavras, as ondas ficam aprisionadas entre a superfície da mancha e a região de transição, conforme ilustra a imagem abaixo.

Imagem: Gabriel Pérez Díaz/SMM

Para encontrar essas “cavidades ressonantes”, a equipe realizou uma série de simulações no supercomputador Teide-HPC, que também permitiu descartar as medidas “cuja interpretação poderia ser contestada”, de acordo com Christoph Kuckein, pesquisador do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam e coautor dos estudos.

A equipe também contou com imagens de alta resolução obtidas pelos telescópios solares do Observatório do Teide, o GREGOR e o VTT, que permitiram “acompanhar detalhadamente as flutuações de velocidade e temperatura de várias camadas da atmosfera solar". Além da descoberta, o estudo também fornece um novo método capaz de medir propriedades da atmosfera solar usando suas oscilações magnéticas.

Fonte: Phys.org

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.