Além de super-Terras e mini-Netunos, pesquisadores propõem as sub-Terras

Por Danielle Cassita | 11 de Dezembro de 2020 às 16h00
ESA/Hubble/NASA

Aposentado em 2018, o telescópio espacial Kepler teve como missão a busca de exoplanetas, que são aqueles que orbitam outras estrelas — e a cumpriu trazendo para a ciência o conhecimento de mais de 2 mil destes mundos. Existentes com características variadas, exoplanetas podem ser classificados como super-Terras, mini-Netunos, gigantes gasosos frios, entre outros. Agora, pesquisadores propõem que as “sub-Terras” entrem para essa lista e preencham, assim, uma lacuna existente nela.

No Sistema Solar, os planetas podem ser divididos em planetas pequenos e rochosos (como é o caso do nosso) e gigantes gasosos (como Júpiter e Saturno). Antes do conhecimento dos exoplanetas, pensava-se que o Sistema Solar era bastante comum, formado por um processo em que a luz e o calor gerados pela estrela empurram gases para as áreas mais externas, enquanto a poeira densa se mantém mais próxima dela. Então, ficamos com os planetas rochosos próximos do Sol e gigantes gasosos mais afastados.

Só que hoje já sabemos bem que há muito mais diversidade para ser considerada neste cenário. Por isso, os exoplanetas podem ser classificados com base na massa ou tamanho deles: os mundos jovianos são os maiores, e vêm seguidos pelos netunianos, pelas super-Terras (que têm algumas vezes o tamanho da Terra) e, finalmente, as sub-Terras. Existe grande interesse em planetas de massa e órbita similares ao do nosso planeta e, enquanto isso, não entendemos bem características de outros tipos de mundos.

Planetas do tamanho da Terra podem ser ainda mais raros (Imagem: Reprodução/NASA/Ames Research Center/Daniel Rutter)

As super-Terras ainda rendem debates, porque não há um consenso sobre o que elas seriam; além de pouco maiores do que a Terra, elas podem ainda ser mais rochosas ou mais gasosas que nosso planeta, o que permitiria dividir esse grupo em corpos menores do que 1,6 do raio da Terra (que têm mais chances de ser rochosos), e mini-Netunos, que seriam super-Terras maiores e mais parecidas com gigantes gasosos. Entre as super-Terras e os mini-Netunos, há um espaço desta mesma medida de raio, que divide os processos de formação.

Isso fica ainda menos claro nas sub-Terras, já que planetas de tamanho semelhante ao de Marte ou Mercúrio não são nada fáceis de serem encontrados — o que explica um pouco do motivo pelo qual conhecemos tão poucas delas. Assim, o estudo propõe outra forma de estudarmos as origens destes pequenos planetas: como as sub-Terras confirmadas são poucas, a equipe observou candidatos a planetas; após selecionar os mais de 4 mil possíveis planetas, eles filtraram todos aqueles que não tivesse períodos orbitais menores que 16 dias e tamanho menor que 4 raios da Terra.

Assim, eles ficaram com 280 candidatos. Com análises estatísticas, os autores descobriram que a distribuição de tamanho destes exoplanetas segue uma distribuição determinada, de modo que o número estatístico dos planetas aumenta de acordo com a magnitude — semelhante àquela que determina o tamanho dos asteroides do Sistema Solar, que se formaram bem depois dos planetas captarem material do Sistema Solar primordial. Então, como as sub-Terras seguem um processo parecido, elas podem ter se formado depois.

Esse processo de formação de duas etapas foi nomeado pelos autores como Geração I, para grandes planetas, e Geração II, para as sub-Terras rochosas. A amostra usada é pequena, então serão necessários mais dados antes do estabelecimento de conclusões, mas se a proposta estiver correta, pode explicar o porquê de as super-Terras parecerem mais comuns que as sub-Terras; se os planetas semelhantes ao nosso forem da Geração II, então eles provavelmente serão bem raros.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado no repositório online arXiv.

Fonte: Universe Today

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