Rajadas rápidas de rádio podem estar relacionadas a magnetares

Rajadas rápidas de rádio podem estar relacionadas a magnetares

Por Danielle Cassita | 13 de Agosto de 2020 às 12h43
Universo Observado

Há não muito tempo,  o telescópio do observatório espacial de alta-energia da Agência Espacial Europeia (ESA) detectou uma emissão de altíssima energia originada do magnetar SGR 1935+2154. Em seguida, o telescópio CHIME, no Canadá, identificou uma rajada rápida de rádio (ou FRB, sigla para "Fast Radio Burst"). Talvez, a relação entre os dois fenômenos seja o que os astrônomos precisavam para solucionar o mistério da origem das FRBs, que segue como uma incógnita na ciência há anos. 

Os magnetares são estrelas de nêutrons com alguns dos campos magnéticos mais fortes do universo e produzem explosões poderosíssimas, porém breves: em apenas um segundo, o magnetar pode liberar mais energia do que nosso Sol será capaz de liberar em bilhões de anos. Já as rajadas rápidas de rádio são breves emissões de radiação que são um enigma para os pesquisadores, porque duram poucos segundos e costumam ocorrer em pontos bastante distantes de nós. Por isso, estudá-las está longe de ser simples.

O magnetar em questão se ativou outra vez, e o observatório Integral da ESA detectou que passou a emitir ondas de rádio além dos esperados raios-X. Depois, com um esforço de astrônomos de todo o mundo, o radiotelescópio CHIME identificou uma explosão de ondas de rádio na mesma direção do magnetar observado. Foi a primeira vez que uma possível relação entre as FRBs e magnetares foi identificada. 

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Um fenômeno com muitas perguntas

Ilustração do magnetar que pode ter indicado a origem das FRBs (Imagem: ESA)

Não é de hoje que as rajadas rápidas de rádio trazem dúvidas aos astrônomos: eles conseguiram encontrar as primeiras FRBs em 2007 com dados coletados em 2001. A fonte do fenômeno era um enigma já naquela época; afinal, como as FRBs ocorrem em locais aleatórios, rastrear a fonte destes fenômenos com precisão não é uma tarefa fácil.

Além disso, um estudo feito por Wael Farah, doutorando da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, concluiu que as rajadas rápidas de rádio são eventos singulares, que ocorrem apenas uma vez; entretanto, em 29 de agosto de 2019, o radiotelescópio chinês FAST detectou a primeira fonte que emitia os misteriosos sinais de rádio repetitivamente. A fonte estava sob monitoramento desde 2012, de modo que o telescópio foi o primeiro a detectar tantas emissões em um período tão curto.

Até então, os magnetares eram bons candidatos na fila de possíveis explicações para a ocorrência das FRBs. Com as descobertas do Integral e do CHIME, essa suspeita ficou ainda mais intensa. Agora, astrônomos acreditam que é possível que as FRBs sejam produzidas por magnetares, o que demonstra que as explosões destes objetos altamente magnetizados podem ser observadas em comprimentos de onda de rádio.

Fonte: Universe Today, ESA

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