Radiotelescópio chinês FAST já encontrou mais de 200 pulsares na Via Láctea

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 09 de Junho de 2021 às 17h30
Salvatore Orlando/INAF

O radiotelescópio chinês FAST (sigla para Five-hundred-meter Aperture Spherical Telescope), que é o maior do mundo, tem como uma de suas principais missões encontrar pulsares em nossa galáxia. Essas estrelas de nêutrons giratórias são importantes para a astronomia em muitos aspectos, e o FAST está obtendo um grande resultado: ele já encontrou 200 delas, enquanto pesquisava apenas 5% da Via Láctea.

Pulsares são conhecidos como “faróis” porque a estrela emite feixes produzidos por elétrons arrancados de sua superfície pelo seu intenso campo gravitacional. Se o eixo magnético da estrela estiver voltado para a Terra, o feixe do pulsar será apontado para a nossa direção conforme o objeto gira, emitindo um pulso de radiação eletromagnética que pode ser detectado — exatamente como a luz de um farol girante.

Altamente sensível, o FAST é capaz de detectar os pulsares mais fracos já vistos. Até o momento, já existem 3 mil pulsares conhecidos, mas o número pode ser na ordem de dezenas de milhares ou até de milhões. Mapeá-los é importante para uma melhor compreensão da evolução de nossa galáxia ao longo do tempo, e a pesquisa atual examina o plano da Via Láctea para procurá-los, pois pulsares são remanescentes de estrelas de grande massa que explodiram em supernovas — e estrelas massivas que explodem tendem a se formar ao longo do disco galáctico.

Entre os pulsares mais interessantes encontrados pelo FAST, estão os pulsares de milissegundos, uma classe que gira mais rapidamente que 300 vezes por segundo. Apenas cerca de 400 deles já foram encontrados, e o radiotelescópio chinês, em pouco tempo, encontrou 40 deles. O FAST foi inaugurado em janeiro de 2020 e, naquele ano, já havia detectado mais de 100 pulsares. Entretanto, a maior peculiaridade encontrada pelo FAST talvez sejam os pulsares que tiveram uma distância estimada muito além do que se espera para um objeto dessa natureza.

(Imagem: Reprodução/Salvatore Orlando/INAF)

Pesquisadores medem as distâncias entre pulsares e a Terra analisando as alterações que os fótons emitidos pelos objetos sofrem durante a viagem até o telescópio. Essas alterações ocorrem principalmente quando os sinais de rádio passam por nuvens de gás ionizado, e quanto mais estruturas assim eles atravessarem, maior será a dispersão das ondas. Os cientistas conhecem bem as regiões densas da Via Láctea — ou assim eles julgam —, por isso as distâncias são baseadas no conhecimento atual sobre as nuvens e locais densos da galáxia.

Acontece que, para alguns dos pulsares encontrados pelo FAST, a dispersão é muito alta. Isso significa que eles passaram por material muito mais denso do que o normal, ou eles estão fora da nossa galáxia — essa última hipótese é bastante improvável, no entanto. É provável que os cálculos sejam analisados por outras equipes, mas, se os números estiverem corretos, os astrônomos terão que admitir que não compreendem a densidade do material na galáxia tão bem assim.

O trabalho do FAST apenas começou e muitos pulsares ainda aguardam para serem encontrados. Provavelmente, ele não será capaz de detectar todos; afinal, a Via Láctea tem mais de 105 mil anos-luz de diâmetro. Atualmente, o radiotelescópio observa apenas uma pequena fração do céu, mas já fez algumas descobertas que podem mudar um pouco a forma como os astrônomos compreendem nossa galáxia.

Fonte: Bad Astronomy

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