Qual é a temperatura do espaço?

Qual é a temperatura do espaço?

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 21 de Outubro de 2021 às 22h30
Yuri_B/Pixabay

No geral, o espaço é tão frio quanto silencioso. Como estamos falando de um universo imenso, com matéria distribuída de maneira desigual em várias partes e em diferentes configurações, tudo depende da distância em que você está em relação à estrela mais próxima. Mas, em média, o espaço sideral não possui muito calor. Se você pudesse pular de sua nave espacial sem traje, longe do Sol, experimentaria uma temperatura muito próxima do zero absoluto. 

O motivo da falta de calor no espaço é o mesmo da ausência de ondas sonoras. Mas para compreender isso, precisamos recordar do conceito científico de "calor": o movimento cinético dos átomos individuais e das partículas que os formam.

Como o calor funciona

O Sol emite radiação e aquece os corpos próximos como planetas, mas onde houver sombra nesses objetos, estará gelado, exceto se hover uma atmosfera que "prenda" o calor, como ocorre na Terra (Imagem: Reprodução/Kevin Gill/Flickr)

Todos os átomos do universo estão cheios de energia e, por isso, se movimentam. Não importa onde estejam, ou as suas condições, sempre haverá algum movimento, por menor que seja. Quanto mais os átomos se movem e colidem uns com os outros, mais transferem parte dessa energia cinética uns aos outros. Essa transferência de movimento é o que aquece as coisas, por assim dizer.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Se o calor se propaga através do movimento dos átomos, você já deve ter adivinhado o que acontece quando eles ficam "lentos". Tecnicamente, o que chamamos de "frio" é na verdade perda de calor. Se formos ao Polo Norte, os átomos do nosso corpo encontrarão as partículas do ar daquela região, e as interações farão com que o movimento das nossas partículas diminua.

Esse processo de perda de calor é como tentar mover dezenas de bolas de boliche paradas, encostadas umas às outras, arremessando apenas uma única bola contra elas. Por mais força que você aplique no arremesso, as bolas se moverão só um pouquinho, e ainda roubarão parte da energia cinética da bola que você arremessou. Em poucos segundos, tudo estará parado. Por isso dizemos que um objeto frio "rouba" o calor dos objetos quentes, se houver o contato. 

Em nosso planeta, vivemos em uma atmosfera cheia de átomos de oxigênio, hidrogênio, entre muitos outros, por isso a temperatura é transferida facilmente. Mas no espaço, as coisas são muito diferentes. É verdade que o universo não é um vácuo absoluto, mas, em muitas regiões do cosmos, as partículas individuais de gás podem estar separadas por vários quilômetros. Por isso, o calor não pode ser transferido de um lugar para outro. 

A temperatura do espaço

A luz e radiação dos aglomerados de galáxias no início do universo ainda chega até nós, por isso não há nenhuma ragião onde o zero absoluto seja possível (Imagem: Reprodução/ESO/M. Kornmesser)

Tecnicamente, uma determinada área do espaço for um vácuo perfeito, não há temperatura, porque não há partículas que possam ter suas energias cinéticas (que, por sinal, são medidas em joules) mensuradas. Mas se expandirmos um pouco nossa área imaginária, encontraremos algumas partículas de gás, então podemos medir a temperatura ali. Se o fizermos, encontraremos algo muito próximo do zero absoluto.

O zero absoluto é uma temperatura impossível de atingir, que corresponde a -273,15 ºC ou -459,67 ºF. Os cientistas criaram até uma escala para isso, chamada Kelvin. Qualquer temperatura diferente de zero Kelvin possui algum calor, ou seja, algum movimento de partículas atômicas, mas não podemos reduzir esse movimento até chegar a zero Kelvin.

Mas será que é impossível mesmo encontrar o zero absoluto, mesmo no espaço, a milhões de anos-luz de distância de qualquer estrela? Sim. Mesmo que esteja muito frio, os átomos sempre terão algum movimento. Até onde se sabe, não há nada no universo capaz de eliminar pro completo o movimento de uma partícula — e olha que os cientistas se esforçam muito para fazer isso.

E de onde vem o calor dessas partículas isoladas por quilômetros umas das outras, no quase vácuo do universo? Bem, se você estiver perto do Sol ou alguma outra estrela, é possível que os ventos solares (ou estelares) transfiram calor por meio de radiação (que é diferente da transferência de calor por meio de interação entre os átomos). Contudo, quanto mais longe da estrela, menos ela consegue lhe aquecer, assim como as fogueiras em uma noite fria tornam-se menos eficazes quando nos afastamos.

Mapa da radiação cósmica de fundo (Imagem: Reprodução/NASA/WMAP Science Team)

Mas há outra fonte de calor muito eficiente no universo, que impede cada partícula do cosmos de chegar ao zero absoluto: a radiação cósmica de fundo, considerada pelos astrônomos um "fóssil" do Big Bang, por ser, de fato, um resíduo de luz (na forma de micro ondas) emitido logo após o "nascimento" do universo. Essa radiação continua viajando pelo espaço, e pode ser analisada pelos cientistas.

Pois bem, a radiação cósmica de fundo tem a temperatura calculada em quase 2,6 Kelvin (-270,5 graus Celsius ou -455 graus Fahrenheit). Por isso a temperatura do espaço vazio é, em média, 3 Kelvin, se considerarmos o pouco da radiação emitida constantemente pelas estrelas. Afinal, se vemos suas luzes, estamos também recebendo um pouquinho do calor do universo, ainda que ele seja completamente gelado.

Fonte: Discover Magazine, AccuWeather, Sciencing

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.