Primeiro relógio suíço usado no espaço é reencontrado após 60 anos

Primeiro relógio suíço usado no espaço é reencontrado após 60 anos

Por Wyllian Torres | Editado por Rafael Rigues | 25 de Maio de 2022 às 15h00
Breitling

O primeiro relógio suíço usado no espaço, em 1962, foi encontrado após décadas considerado como perdido. O artefato foi apresentado pela Breitling, uma famosa fabricante de relógios suíços, nesta terça-feira (24) em uma cerimônia promovida em Zurique, na Suíça. O evento contou com a participação de membros da famílias Carpenter e Bretiling, e do ex-astronauta da NASA Scott Kelly.

O relógio foi usado pelo astronauta Scott Carpenter na missão Mercury-Atlas 7, o segundo voo orbital do Programa Espacial Mercury. Carpenter decolou para a órbita da Terra em 24 de maio de 1962 — 60 anos atrás. Mas antes de voar ele recorreu à Breitling, conhecida por criar relógios de pulsos para aviadores, solicitando algumas modificações em uma versão do seu relógio Navitimer.

É que o relógio, como qualquer outro tradicional, só exibia 12 horas, mas, no espaço, Carpenter sabia que leria o tempo no formato de 24 horas. Foi quando a Breitling projetou o movimento Calibre B02 e criou o Navitimer Cosmonaute, cujos marcadores de 24 horas foram incorporados ao modelo anterior.

Scott Carpenter antes do lançamento; o relógio está em seu pulso esquerdo (Imagem: Reprodução/NASA)

No espaço, o Navitimer Cosmonaute funcionou perfeitamente durante a viagem de cinco horas e três voltas completas ao redor do planeta realizada por Carpenter. No entanto, ao retornar à Terra, a cápsula Aurora 7, usada na missão, mergulhou no mar e o relógio, que não era à prova d’água “se afogou”.

Na esperança de que o relógio fosse recuperado, o astronauta devolveu o modelo à Breitling, que o considerou tão corroído que seria impossível salvá-lo. Em vez disso, a marca enviou um substituto da linha de produção para Carpenter. Desde então, o destino do primeiro Navitimer Cosmonaute permaneceu desconhecido.

Relembrando a história

No 50º aniversário do voo de Carpenter, comemorado em 2012, a Breitling disse que revirou seus cofres, mas não encontrou o relógio. Agora, 10 anos depois, a marca revelou que a peça histórica, que ainda não foi restaurada, permaneceu por todo este tempo como parte dos arquivos da família Breitling.

À esquerda o relógio visto de frente e, à direita, sua traseira (Imagem: Reprodução/Breitling)

No recente evento, além de exibir pela primeira vez em 60 anos o relógio usado por Carpenter, a marca apresentou a edição comemorativa do Navitimer Cosmonaute. O novo modelo é baseado no anterior, mas com uma nova luneta de platina e um fundo de caixa transparente feito de cristal de safira.

Além disso, o novo modelo apresenta gravuras como o nome de Carpenter, o nome da espaçonave usada em sua missão, a Aurora 7, e “3 órbitas ao redor da Terra”, em menção à viagem do astronauta. No fundo do relógio também há a frase "Primeiro relógio de pulso suíço no espaço".

Membros das famílias Carpenter e Breitling, além do CEO da Breitling, Georges Kern, e o ex-astronauta Scott Kelly, embaixador da marca. Acima deles, uma imagem do relógio corroído e usado há 60 anos (Imagem: Reprodução/Breitling)

A edição limitada tem apenas 362 unidades e está disponível para pré-venda por US$ 11.200. "O Cosmonaute de hoje nos leva de volta às origens das viagens espaciais, quando a corrida estava em jogo, as apostas eram altas e cada missão era um triunfo da engenhosidade humana", diz a Breitling em seu site.

Fonte: Collect Space

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