Oumuamua: sonda seria capaz de alcançar o objeto interestelar em 26 anos

Oumuamua: sonda seria capaz de alcançar o objeto interestelar em 26 anos

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 21 de Janeiro de 2022 às 13h50
i4is

Se uma sonda fosse enviada ao objeto interestelar 1I/ʻOumuamua, ela levaria 26 anos para alcançá-lo, desde que seja lançada em 2028. O Projeto Lyra, conduzido pelo Institute for Interestelar Studies (i4is), propõe o conceito de uma nave que usaria a gravidade de Júpiter para alcançar sua velocidade máxima, além de uma vela solar para ser impulsionada pelo Sol.

O Oumuamua passou pelo Sistema Solar em 2017 e chamou a atenção de todos. Não apenas por ser o primeiro objeto interestelar a ser detectado na vizinhança, como também por seu formato alongado e um tanto quanto misterioso. Muito se especula sobre sua verdadeira natureza, mas a verdade é que a única maneira de encerrar qualquer dúvida é enviando uma sonda até o objeto.

Conceito artístico do Oumuamua (Imagem: Reprodução/ESO)

O projeto vem testando conceitos da missão de abordagem que utilizem tecnologias disponíveis atualmente. Até agora, a equipe considerou a propulsão térmica nuclear e um veleiro a laser — algo parecido com o Breakthrough Starshot, que planeja alcançar Alpha Centauri em 20 anos.

A maior parte das propostas de abordagem ao Oumuamua, até então, considerou o conceito do Solar Oberth Maneuver (SOM). Basicamente, a pressão da radiação solar é usada para ganhar o máximo de velocidade utilizando uma vela solar leve, o que reduziria bastante os custos de uma missão.

Ganhando velocidade com impulso gravitacional

Uma alternativa, então, seria a técnica Gravity Assist, usada para as missões de exploração desde o início da década de 1970. Nela, as forças gravitacionais de três corpos celestes são usadas para acelerar a sonda e colocá-la em direção ao seu alvo final.

Trajetória da missão utilizando a manobra JOM (Imagem: Reproduçã/Adam Hibberd et al.0

Adam Hibberd, pesquisador do i4is e principal autor do estudo mais recente do projeto, explicou que o conceito SOM apresenta três etapas para ganhar impulso: primeiro com a Terra, depois seu afélio e, por último, o Sol. “É o combustível ideal para gerar altas velocidades fora do Sistema Solar”, acrescentou Hibberd.

No entanto, em vez do Sol, o projeto considerou o gigante gasoso Júpiter para impulsionar a sonda com sua gravidade. Segundo a equipe, uma manobra de assistência à gravidade solar jamais foi executada e, por isso, os desafios tecnológicos são muitos — sobretudo pelo aquecimento da nave quando ela alcançasse sua máxima aproximação com o astro.

Representação de sondas de velas solares abordando o objeto interestelar Oumuamua (Imagem: Reprodução/i4is)

Por esses motivos, o projeto passou a considerar a Jupiter Oberth Manoeuvre (JOM), uma técnica que usa a assistência gravitacional de Vênus e da Terra para enviar uma sonda a Júpiter. Lá, ela receberia mais um “empurrão” da poderosa gravidade do gigante gasoso.

As vantagens seriam muitas, incluindo o fato de a sonda não precisar de um escudo de proteção térmica, o que seria preciso caso ela se aproveitasse da gravidade solar. Por outro lado, tal manobra resultaria em um tempo maior para a missão. Caso o projeto de vela solar seja lançado em 2028, a sonda alcançaria Oumuamua até 2054.

Fonte: Initiative for Interstellar Studies, Via Universe Today

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.