Objeto viajando pela Via Láctea pode ser "estilhaço" que sobrou após supernova

Objeto viajando pela Via Láctea pode ser "estilhaço" que sobrou após supernova

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 06 de Agosto de 2021 às 17h40
ESO/L. Calçada

Em um novo estudo, uma equipe de pesquisadores identificou que um objeto bastante peculiar está viajando pela Via Láctea a uma velocidade surpreendente. Trata-se da estrela LP 40-365, que está a 2.000 anos-luz de nós e, segundo os autores, pode ser um “estilhaço” que sobrou de uma anã branca que explodiu como supernova. Agora, este fragmento está viajando rumo aos limites da Via Láctea, à velocidade de aproximadamente 3,2 milhões de quilômetros por hora. 

Essa estrela “apressada” foi encontrada durante uma análise de dados coletados pelo telescópio Hubble e pelo Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS). Os dados mostraram não apenas a altíssima velocidade de movimento da estrela, mas também que ela gira a cada nove horas. O fato de ela apresentar rotação não é exatamente incomum, já que todas as estrelas giram; o que intrigou a equipe é que nove horas é um período de rotação relativamente lento para um objeto vindo de algo tão violento quanto uma supernova. 

Quando queimam todo o combustível, as estrelas massivas colapsam em sua estrutura e explodem em supernovas (Imagem: Reprodução/NASA/CSC/M.Weiss)

Para os autores, esse movimento lento sugere que a LP 40-365 seja originada de um sistema binário, formado por uma dupla de estrelas com hábitos não muito agradáveis. É que, nesses sistemas, uma estrela costuma orbitar a outra. Quando há anãs brancas neles, que são objetos extremamente densos, pode acontecer de uma transferir tanta matéria para a outra que, como resultado, ocorre uma supernova.

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Na maior parte das vezes, é difícil definir qual estrela doou matéria e qual recebeu de sua colega do sistema. No caso da LP 40-365, sua rotação relativamente lenta sugere que, talvez, ela seja um fragmento que “sobrou” da estrela que explodiu. Então, como as duas estrelas orbitaram uma à outra de pertinho e em alta velocidade, é provável que a supernova tenha atingido ambas — e, ao fim, sobrou somente a LP 40-365. “Ter passado por uma explosão parcial e, ainda assim, sobreviver, é algo muito interessante e único”, comentou Odelia Putterman, co-autora do estudo.

Representação de uma anã branca se alimentando da outra, até que ocorre uma supernova (Imagem: Reprodução/Caltech/Zwicky Transient Facility)ption

J. J. Hermes, outro co-autor do estudo, afirma que estrelas como a LP 40-365 são bastante peculiares. Além de serem algumas das estrelas mais rápidas que os astrônomos conhecem atualmente, elas têm alta concentração de metal em suas composições. Isso acontece porque, no fim das contas, elas são os produtos das reações nucleares intensas que aconteceram durante a supernova.

Além de serem fascinantes e excelentes objetos de estudo, elas podem fornecer pistas aos astrônomos sobre a supernova que explodiu e o que ainda poderia acontecer após a explosão. “Ao entender o que está acontecendo com essa estrela em particular, podemos começar a entender o que está ocorrendo com várias outras estrelas parecidas, que vieram de uma situação como essa”, finaliza Putterman. 

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

Fonte: Boston University, Space.com

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