Interações entre estrelas podem lançar cometas e asteroides pelo espaço

Interações entre estrelas podem lançar cometas e asteroides pelo espaço

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 20 de Abril de 2021 às 07h30
ESA/HUBBLE, NASA, ESO, M. KORNMESSER

Foi em 2017 que a humanidade teve o primeiro contato com um visitante vindo de fora do Sistema Solar: o objeto 1I/ʻOumuamua — ou somente “Oumuamua” — e, desde então, os astrônomos seguem investigando as propriedades do objeto para descobrir, afinal, qual foi sua origem. Embora ainda não saibamos ao certo de onde objetos como este vêm, uma equipe de astrônomos levantou algumas possibilidades com base no que já sabemos sobre a formação das estrelas.

A explicação se voltou para as estrelas porque é possível que encontros próximos entre elas sejam um dos maiores fatores responsáveis por lançar cometas e asteroides em direção ao espaço interestelar. Quando isso acontece, elas podem causar interações gravitacionais que afetam os corpos presentes na órbita das estrelas. Segundo a equipe, estes sobrevoos são mais frequentes durante os primeiros 10 milhões de anos de vida da estrela.

O Oumuamua é um objeto interestelar com propriedades intrigantes e, como a amostra deles é muito pequena, é difícil estimar origens e outras informações (Imagem: Reprodução/ESO)

Isso se deve ao fato de que elas costumam se formar próximas umas das outras em aglomerados, nascidas de enormes nuvens de gás. Esse período inicial é turbulento, e é nele em que uma pode chegar pertinho da outra. Com isso, elas acabam destruindo e rompendo planetesimais, cujos fragmentos se tornam viajantes solitários. Essas interações não acontecem com todas as estrelas, mas sim com uma pequena parte delas.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Mesmo assim, um dos fatores mais importantes aqui é a massa: as estrelas mais massivas, que podem estar a até 250 unidades astronômicas umas das outras, são capazes de tirar material o suficiente para transformar metade dos planetesimais do sistema em objetos interestelares. Os pesquisadores também estimaram a velocidade e composição dos objetos: enquanto os asteroides se formam mais próximos da estrela, aqueles que se parecem mais com cometas ficam mais distantes, o que aumenta a chance de serem “expulsos”.

Por isso, a maior parte dos objetos interestelares se parece mais com o cometa interestelar 2I/Borisov do que com o Oumuamua, que tem propriedades correspondentes às dos asteroides. Claro que existem outros processos capazes de ejetar planetesimais — com interações com Júpiter, por exemplo, que podem lançar asteroides para o espaço profundo —, e analisar a velocidade do objeto é uma forma de descobrir quais foram estes processos. Como o Oumuamua era lento, ele pode ter sido resultado de uma interação interestelar, enquanto o 2I/Borisov, mais ágil, pode ter vindo da dispersão planetária.

Por fim, o estudo também trouxe alguns resultados relacionados ao Sistema Solar e os objetos ejetados daqui. É possível que nossa vizinhança já tenha liberado de duas a três massas terrestres de material, que foi lançado em direção ao espaço profundo enquanto o Sol se formava. Então, enquanto o próximo visitante distante não passa por aqui, nossos cometas e asteroides estão passando pelo espaço interestelar, visitando planetas e estrelas distantes.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado no repositório arXiv, sem revisão de pares.

Fonte: Universe Today

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.