O que o rover Perseverance já descobriu sobre o passado de Marte?

O que o rover Perseverance já descobriu sobre o passado de Marte?

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 15 de Dezembro de 2021 às 18h40
NASA, JPL-Caltech, MSSS

A cratera Jezero, região que o rover Perseverance está explorando em Marte, parece ter sido formada por magma em altíssimas temperaturas. Além disso, as rochas no interior da cratera parecem ter interagido com a água várias vezes, e algumas delas têm moléculas orgânicas. Estas são algumas das descobertas recentes dos cientistas por trás da missão do rover, que podem ter grandes implicações para o entendimento da história da cratera.

O rover Perseverance pousou em Marte em 18 de fevereiro de 2021, mas, mesmo antes disso, a equipe científica da missão já queria investigar as origens das rochas por lá. “Estava começando a me desesperar em pensar que nunca encontraríamos a resposta”, disse Ken Farley, cientista de projeto do rover. Felizmente, o instrumento PIXL analisou um pedaço de rocha desgastado em South Seitah, que ajudou a esclarecer um pouco do mistério.

O Planetary Instrument for X-ray Lithochemistry — ou somente a sigla “PIXL” — usa a fluorescência de raios X para mapear a composição dos elementos em rochas, e foi utilizado para analisar uma amostra da região. Como resultado, o PIXL mostrou que a rocha tinha grandes cristais de olivina envolvidos por piroxênio cristalizado.

Farley explicou que a textura da amostra sinaliza que a rocha se formou quando os cristais se expandiram e organizaram no magma, que estava se resfriando lentamente. “Depois, a rocha foi alterada pela água algumas vezes, tornando-se um verdadeiro tesouro que permitirá que os futuros cientistas estabeleçam a data de eventos em Jezero e entendam melhor o período em que a água era mais comum na superfície”, disse.

Ainda não se sabe se a rocha rica em olivina se formou em um grande lago de lava se esfriando na superfície, ou se tudo aconteceu em uma câmara subterrânea. Esta e outras perguntas talvez poderão ser respondidas pela missão Mars Sample Return, uma iniciativa realizada entre a NASA e a Agência Espacial Europeia para enviar tubos de amostra coletadas pelo rover para a Terra; assim, o material poderá ser estudado com equipamentos potentes, que não poderiam ser enviados a Marte.

Outras descobertas do Perseverance em Marte

Farley exclamou que os cientistas que forem analisar as amostras enviadas à Terra pela Mars Sample Return vão ter várias opções interessantes para estudar. De fato, ele está certo: o instrumento SHERLOC revelou compostos orgânicos em rochas no interior de rochas desgastadas e na poeira de outras que não sofreram estes processos — mas vale lembrar que isso não confirma a existência de vida na região.

O gráfico indica a entrada do rover na região de Séítah, vista da órbita e da subsuperfície; na imagem inferior, está um radargrama feito pelo instrumento RIMFAX (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/University of Arizona/USGS/FFI)

A boa notícia é que, independentemente da origem, os compostos orgânicos preservados em rochas antigas nestas regiões sugerem que, talvez, possíveis bioassinaturas também tenham sido preservadas. Além disso, há outro recurso do rover Perseverance que merece destaque: o radar RIMFAX, o primeiro de penetração no solo já levado à superfície de Marte.

Este instrumento cria um “radargrama” de formações da subsuperfície com até 10 m de profundidade. Os dados dos primeiros registros foram coletados conforme o rover atravessava uma formação geológica com destino a Séítah; trata-se de uma estrutura com várias formações rochosas, com uma evidente inclinação para baixo. Agora, com os dados do RIMFAX, os cientistas do Perseverance sabem que as rochas mantêm o ângulo bem abaixo da superfície.

O radargrama mostrou também que as camadas rochosas de Séítah se projetam para mais baixo do que aquelas de "Crater Floor Fractured Rough", a formação atravessada pelo rover. Portanto, os resultados confirmam o que a equipe científica esperava: Séítah foi formada antes da outra estrutura. A capacidade de observar formações geológicas até mesmo abaixo da superfície traz, assim, novas dimensões para o mapeamento geológico em Marte.

Fonte: NASA/JPL

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.